Inicia-se a construção . Minerd divulga o mapa de vulnerabilidade sísmica das escolas dominicanas.

Minerd revela o mapa de vulnerabilidade sísmica das escolas dominicanas

Uma avaliação da infra-estrutura educativa encomendada pelo Governo identificou escolas que necessitam de demolição, reforço ou intervenção

SANTO DOMINGO – A primeira edição da Agenda Semanal, o novo espaço para monitorizar a gestão governamental, revelou um facto que vai para além do encerramento de 57 escolas: o Governo está a construir, através de avaliações de vulnerabilidade estrutural, um panorama completo das condições de parte da infraestrutura educativa do país face ao risco sísmico.

Os dados foram apresentados ontem, segunda-feira, no Palácio Nacional por Roberto Herrera Polanco, diretor de Infraestruturas Escolares, que explicou que foram contratadas 12 empresas para realizar avaliações de vulnerabilidade estrutural em centros educativos de diferentes zonas do país.

O resultado inicial é que 57 escolas foram desativadas: 34 terão de ser completamente demolidas e 23 sofrerão demolições parciais, números que, por si só, não revelam a dimensão exata do diagnóstico.

Resta saber onde se localizam as escolas avaliadas, qual a sua idade, quais as características estruturais que apresentavam, quais as razões técnicas por detrás de cada demolição ou reforço e quantos alunos ocupam atualmente estas instalações.

O que descobriram os especialistas?

Herrera Polanco explicou que as avaliações se concentraram particularmente nas áreas próximas da Cordilheira do Norte, devido à presença de uma falha sísmica e às características do terreno nesses locais. O responsável observou que a ilha está localizada numa região sismicamente activa e que o seu historial inclui sismos de grande magnitude.

O Gabinete Nacional de Avaliação Sísmica e Vulnerabilidade de Infraestruturas e Edifícios (ONESVIE) é responsável pela avaliação da vulnerabilidade sísmica de edifícios, infraestruturas e serviços essenciais. No entanto, na apresentação de segunda-feira, Herrera Polanco atribuiu as avaliações às 12 empresas contratadas pelo Departamento de Infraestruturas Escolares, sem especificar o papel do ONESVIE no processo ou como o trabalho foi dividido entre elas.

O funcionário relatou ainda um segundo grupo de edifícios, identificados no início da sua administração por apresentarem o defeito conhecido por "coluna curta": eram 60 no total, dos quais 42 estavam em obras e 19 já tinham sido reforçados e entregues.

O que é uma coluna curta?

O termo tem uma definição técnica dentro da engenharia sísmica. De acordo com o Laboratório de Engenharia Sísmica da Universidade da Costa Rica (LIS-UCR), o efeito de coluna curta ocorre quando o comprimento livre de uma coluna é reduzido. Isto pode acontecer involuntariamente devido a erros de construção, deficiências nas normas de planeamento urbano ou porque o projetista não considerou como toda a estrutura se comportaria durante um sismo. Quando limitada a um vão mais pequeno, a coluna torna-se mais rígida do que uma coluna de altura total e absorve uma proporção muito maior da força horizontal gerada por um sismo, o que pode levar a roturas por cisalhamento frágil.

Na prática, esta condição surge geralmente quando paredes de alvenaria com janelas circundam parcialmente uma coluna, deixando apenas uma porção da sua altura desimpedida. Esta porção concentra tensões muito maiores do que aquelas que a mesma coluna suportaria se estivesse desimpedida em toda a sua extensão, como descreve os engenheiros José Luis Beauperthuy e Alfredo Urich num estudo técnico sobre o fenómeno. É também uma das causas mais frequentemente identificadas de derrocadas de escolas durante sismos em vários países da região.

O facto de a própria Direção de Infraestruturas Escolares ter detetado colunas curtas em dezenas de edifícios e ter iniciado reparações não significa que tenha sido esse o defeito que levou ao encerramento das 57 escolas. Sem relatórios técnicos individuais, não é possível extrapolar esta constatação para toda a situação.

Manutenção e novas salas de aula

A avaliação da vulnerabilidade estrutural está a progredir em paralelo com outras frentes de trabalho dentro do departamento de Infraestruturas Escolares. Herrera Polanco informou que, através do programa de manutenção 24 horas por dia, 7 dias por semana, estão em curso obras em 1.457 escolas com a participação de 297 microempresas, das quais 1.226 já tinham sido concluídas até ao momento da apresentação.

Em relação à expansão da infraestrutura, o funcionário informou a entrega de 1.321 novas salas de aula, prevendo-se que atinjam 1.503 até ao final de agosto e aproximadamente 1.700 em setembro. Estes são processos distintos da avaliação sísmica, embora façam parte da mesma gestão.

Além disso, com o ano letivo já em curso, 268 escolas avaliadas continuam a aguardar intervenção, enquanto novos processos de concurso estão a ser preparados para a sua conclusão.

Uma rede construída ao longo de décadas

A infraestrutura educativa da República Dominicana é o resultado de décadas de construção sob normas que foram mudando ao longo do tempo. A idade de um edifício escolar não determina, por si só, a sua vulnerabilidade — esta é uma conclusão que deve ser alcançada através de avaliações técnicas —, mas torna relevante saber sob que normas cada edifício foi concebido e se foi avaliado ou reforçado desde então.

A Direção de Infraestruturas Escolares já tinha indicado que grande parte da infraestrutura física das escolas data dos governos de Trujillo e Balaguer, antes da existência das atuais normas antissísmicas. Portanto, a avaliação em curso não se resume a decidir o que fazer com as escolas que já apresentam danos visíveis, mas também a compreender como uma rede construída em épocas diferentes responde, na sua totalidade, aos critérios técnicos atuais.

O mapa que ainda está em falta

A apresentação de segunda-feira revelou o alcance de algumas decisões, mas não o âmbito territorial detalhado da avaliação. A lista completa das escolas avaliadas pelas 12 empresas contratadas, bem como os resultados individuais de cada estudo, continuam indisponíveis.

Também não existe, num único documento de acesso público, uma lista dos 57 centros que foram desativados, incluindo a sua localização, o tempo de funcionamento, o número de alunos inscritos e as circunstâncias específicas que levaram a cada decisão. Sem estes dados, o número 57 mede o problema, mas ainda não explica como está distribuído ou que padrões segue.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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