SANTO DOMINGO - Em meio a um novo contexto geoeconômico e geopolítico, os países da América Latina e do Caribe enfrentam uma mudança demográfica sem precedentes que impõe múltiplos desafios às políticas públicas e ao desenvolvimento da região.
Essa realidade exige a superação de respostas fragmentadas e a adoção de políticas estatais sustentáveis ao longo do tempo, concordaram hoje as autoridades durante a abertura da Sexta Reunião da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento, que está sendo realizada até quinta-feira, 20 de agosto, em Montevidéu, Uruguai.
Na abertura do encontro, que reúne mais de 600 pessoas, os participantes reafirmaram que o Consenso de Montevidéu é o roteiro regional sobre população e desenvolvimento, bem como uma estrutura essencial para colocar os direitos humanos no centro das políticas públicas.
A Conferência foi aberta por José Manuel Salazar-Xirinachs, Secretário Executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL); Diene Keita, Diretora Executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA); e María Cristina Lustemberg Haro, Ministra da Saúde Pública do Uruguai.
“Esta bela cidade de Montevidéu acolheu a Primeira Reunião da nossa Conferência Regional em 2013, onde os países adotaram o Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento. O mundo mudou muito desde então, não só devido às tendências tecnológicas, ambientais e políticas, mas também devido a verdadeiras convulsões que transformaram a geopolítica, a globalização e a ordem mundial”, afirmou José Manuel Salazar-Xirinachs no seu discurso de abertura.
Mudanças demográficas que estão ocorrendo na região
O executivo acrescentou que a mudança demográfica pela qual a região está passando é caracterizada por uma série de tendências, incluindo a redução da taxa de fertilidade e da taxa de fertilidade na adolescência, o aumento da expectativa de vida, o envelhecimento acentuado da população, a redução do tamanho das famílias e a reconfiguração dos tipos de família, os crescentes fluxos migratórios internacionais e o avanço da urbanização.
“Essas tendências demográficas representam desafios múltiplos e claros para as políticas públicas e de desenvolvimento. Para lidar com eles, os países precisam de uma perspectiva voltada para o futuro e da capacidade de responder aos cenários previstos”, afirmou.
Consequências das tendências demográficas
O Secretário Executivo da CEPAL enfatizou que as consequências das tendências demográficas não se aplicam apenas a questões específicas como saúde, educação, pensões ou cuidados. Elas representam transformações estruturais que remodelam a natureza dos contratos sociais e desafiam as capacidades de governança.
“Longevidade significa que, em nossas sociedades, pelo menos seis gerações coexistirão cada vez mais: crianças pequenas, crianças em idade escolar, jovens, adultos, idosos e pessoas com mais de 80 anos. Nunca antes tantas gerações viveram juntas por tanto tempo, e cada uma tem demandas e expectativas ligeiramente diferentes”, afirmou ele.
“A verdadeira riqueza da nossa região reside na nossa capacidade de habitar e fortalecer uma pluralidade partilhada”, destacou José Manuel Salazar-Xirinachs.
A diretora executiva do UNFPA, Diene Keita, afirmou que, embora a mudança demográfica seja inevitável, não é motivo para pessimismo. "É um apelo para liderarmos de forma diferente, planejarmos com mais antecedência e investirmos de forma mais inteligente nas pessoas para garantir a prosperidade das gerações futuras", disse ela.
“A América Latina e o Caribe já demonstraram há muito tempo que as mudanças demográficas podem ser enfrentadas sem medo, com solidariedade, com base em dados e com um compromisso inabalável com os direitos humanos. O mundo tem muito a aprender com essa região”, acrescentou.
Alerta sobre profundas desigualdades
A ministra María Cristina Lustemberg alertou que as profundas desigualdades, as novas formas de exclusão e os desafios emergentes persistem, exigindo respostas inovadoras e sustentadas. “As transformações demográficas, as alterações climáticas, a migração, as disparidades territoriais, as desigualdades de género e os impactos das crises económicas e sanitárias obrigam-nos a renovar os nossos compromissos”, afirmou.
Nesse contexto, ele destacou que a Sexta Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento “constitui um espaço privilegiado para a troca de experiências, a avaliação dos progressos alcançados, o reconhecimento dos desafios que ainda persistem e o fortalecimento de uma agenda comum baseada na cooperação, em evidências e no respeito pela diversidade das nossas realidades nacionais e da realidade regional”.
Na sessão de abertura também estiveram presentes: Mario Lubetkin, Ministro das Relações Exteriores do Uruguai; Tamara Paseyro, Ministra da Habitação e Ordenamento do Território do Uruguai; Paula Narváez, Diretora Regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe; Rodrigo Arim, Diretor do Escritório de Planejamento e Orçamento (OPP) do Uruguai; Francisco José Coy, Embaixador da Colômbia no Uruguai; e Luis Fidel Yáñez, Secretário da Comissão da CEPAL.
Durante a reunião intergovernamental, os participantes discutirão os efeitos da mudança demográfica na América Latina e no Caribe e analisarão os progressos, os desafios, as boas práticas e as prioridades atuais para a implementação do Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento.
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