Vou começar com uma pergunta que pode deixar algumas pessoas desconfortáveis: quemomento todos nós nos tornamos CEOs?
Pergunto isso porque, no nosso setor imobiliário dominicano, encontro cada vez mais CEOs: CEOs de imobiliárias, CEOs de construtoras, CEOs de incorporadoras, CEOs de equipes de vendas e, às vezes, CEOs de empresas onde a mesma pessoa vende, cobra, administra, publica nas redes sociais e toma absolutamente todas as decisões.
Para que fique claro: não estou questionando o empreendedorismo. Muito pelo contrário. Criar uma empresa, assumir riscos e gerar empregos merece meu máximo respeito. O que questiono é outra coisa: será que o título realmente descreve a estrutura por trás disso?
CEO significa Diretor Executivo: o principal executivo responsável por liderar uma organização. Não é automaticamente sinônimo de proprietário, fundador ou a pessoa que iniciou uma empresa. E é aqui que o debate começa. Se eu sou um consultor imobiliário e crio minha própria empresa, sou automaticamente o CEO?
Se eu sou um desenvolvedor trabalhando no meu primeiro projeto, isso me torna automaticamente um CEO? Ou será que nós mesmos começamos a exagerar nos títulos antes mesmo de desenvolvermos as estruturas? Porque ser dono de uma empresa é uma coisa, construir uma organização é outra bem diferente.
Uma estrutura empresarial sólida exige processos, responsabilidades definidas, controles, planejamento, gestão financeira, conformidade, equipes capacitadas e, acima de tudo, prestação de contas. No setor imobiliário, isso é ainda mais crucial.
O diretor de uma empresa de desenvolvimento imobiliário não se limita a vender apartamentos. Ele gerencia expectativas, recursos, contratos e, muitas vezes, as economias de uma família ao longo de anos. Quanto mais alto o cargo, maior deve ser a responsabilidade.
Um CEO não deve ser apenas aquele que aparece na foto quando um projeto é anunciado ou aquele que recebe elogios quando as vendas vão bem. Ele também deve ser aquele que se faz presente quando há atrasos, quando os números não batem, quando um comprador precisa de respostas ou quando as consequências de uma decisão errada precisam ser enfrentadas.
E isso também se aplica a nós, profissionais do mercado imobiliário. Podemos preencher nossos cartões de visita e perfis com palavras como CEO, Fundador, Presidente, Sócio-Gerente, Corretor/Proprietário… Mas existe um título que nenhum profissional pode reivindicar para si: confiabilidade.
Esse título é concedido pelo mercado. É outorgado pelos clientes após verificarem nossa conduta. É reconhecido pelos nossos colegas quando sabem que nossa palavra tem peso. E é confirmado pelo tempo quando permanecemos relevantes após muitos anos. A experiência me ensinou algo: títulos impressionam durante a apresentação; é o histórico que permanece depois.
Não estou propondo eliminar a palavra CEO do nosso vocabulário empresarial. Nem estou tentando ditar quem pode ou não usá-la. Minha sugestão é muito mais simples: antes de adotarmos um título, vamos construir a estrutura que o sustentará. Nosso setor imobiliário dominicano está crescendo e precisa cada vez mais de maior institucionalização, profissionalização, transparência e governança corporativa.
Talvez seja hora de amadurecermos também a forma como nos apresentamos. Porque não precisamos de mais CEOs por metro quadrado. Precisamos de mais empresas que funcionem sem depender exclusivamente de uma única pessoa, mais promotores que cumpram seus compromissos e mais consultores que entendam que a reputação vale muito mais do que qualquer título.
Por isso, deixo a questão em aberto: estamos construindo empresas à altura dos nossos diplomas... ou nossos diplomas são simplesmente maiores do que nossas empresas?
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