Nas minhas sessões individuais de coaching e em alguns dos meus workshops, tenho-me deparado com uma cena recorrente: agentes imobiliários com anos de experiência no mercado sentam-se à minha frente e dizem-me, com total convicção, que não progrediram em nada, que ainda estão no mesmo lugar, a fazer a mesma coisa, e que outros à sua volta estão a avançar mais rapidamente.
O paradoxo é que, enquanto o dizem, tenho diante de mim profissionais com uma carteira de clientes consolidada, que lidam facilmente com problemas que antes lhes tiravam o sono.
Pergunto então como eram quando começaram, e há quase sempre um silêncio. Sorriem e começam a recordar a primeira visita a um imóvel, a voz trémula, o primeiro cliente que escapou por entre os dedos e a primeira obra, celebrada como se tivessem ganho a lotaria. Em poucos minutos, a conversa muda de rumo, e aqueles que chegaram a dizer que não tinham conquistado nada acabam por enumerar tudo o que já construíram.
Com isto, confirmo algo que já assisti muitas vezes: a sensação de estagnação quase nunca é um problema de resultados, mas sim de perspetiva, porque o olhar de muitos consultores está sempre focado no que falta, no objetivo do mês, no desempenho do colega que mais fecha negócios ou no cliente que ainda não responde, e a partir daí qualquer progresso parece insignificante.
Ninguém avança olhando apenas pelo retrovisor, mas nenhum condutor sensato dispensa o espelho, pois basta um olhar oportuno para confirmar quanto da estrada já ficou para trás.
Houve um tempo em que muitos deles não conseguiam explicar um contrato, e um único "não" de um cliente podia arruinar a semana inteira. Hoje, lidam com compradores de outros países, negoceiam com confiança, reconhecem um cliente hesitante em poucos minutos e recuperam de uma rejeição muito mais rapidamente. Nada disto aconteceu da noite para o dia; foi um processo gradual, com cada ligação efetuada, cada erro corrigido e cada porta difícil de abrir.
O problema é que este crescimento raramente é celebrado, porque a rotina diária engole-o, e o que antes parecia uma montanha passa a ser rotina e deixa de ser visto como uma conquista.
Por isso, acho que vale a pena dedicar algum tempo a fazer um balanço honesto do que sabia há três anos e do que sabe hoje, quem conhecia nessa altura e quem conhece agora, o que o assustava e o que faz agora sem pensar — uma lista que quase sempre surpreende.
Olhar para trás não significa entregar-se à nostalgia ou acomodar-se, mas sim ganhar impulso, porque aqueles que reconhecem o que construíram compreendem que possuem as ferramentas necessárias e ousam exigir mais de si próprios.
Se hoje sentir que o seu progresso é lento, pare e olhe pelo retrovisor, pois poderá descobrir que não está no mesmo lugar onde começou, que a paisagem mudou e que a viagem já o transformou. Por isso, olhe novamente em frente com a tranquilidade de saber que percorrerá o caminho em frente com mais experiência, melhor discernimento e mais confiança do que nunca.
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