O CEO da APORDOM atribui o atrativo do país à sua estabilidade política, social e económica, bem como à segurança jurídica e aos projetos de expansão portuária que visam reforçar a sua conectividade internacional
MADRID – A estabilidade institucional, a localização geográfica e o desenvolvimento das infraestruturas portuárias foram alguns dos fatores que o diretor executivo da Autoridade Portuária Dominicana (APORDOM), Alejandro Campos, apresentou como vantagens competitivas da República Dominicana para atrair capital estrangeiro e consolidar-se como uma plataforma logística nas Caraíbas.
Durante a sua participação no painel "República Dominicana, centro logístico e plataforma estratégica para cadeias de abastecimento globais", organizado pelo Centro Logístico Espanhol (CEL), no âmbito da Semana Dominicana em Espanha 2026, o representante afirmou que o país atravessa um momento favorável para atrair novos investimentos.
Campos explicou que a combinação de estabilidade política, social e económica, segurança jurídica e uma posição estratégica entre a Europa, a América do Norte, a América do Sul e o Canal do Panamá torna o território dominicano uma opção para as empresas interessadas em expandir as suas operações internacionais.
Neste contexto, defendeu que "quando um país combina estabilidade social, jurídica e económica, está entre os melhores locais para investir", destacando também a necessidade de manter regras e condições claras que facilitem a execução de novos projetos.
Infraestruturas portuárias: uma vantagem para atrair investimento
Referindo-se ao papel dos portos na economia nacional, Campos salientou que estas instalações constituem uma componente essencial do comércio externo dominicano.
"Os portos dominicanos são a pedra basilar da logística em geral. Noventa por cento da carga e das mercadorias movimentadas no nosso país entram através deles, incluindo as operações de transbordo", disse.
Destacou ainda o modelo de parceria público-privada como uma ferramenta para promover novas infraestruturas e expandir a capacidade operacional do sistema portuário.
Entre as iniciativas mencionadas está a próxima inauguração do terminal de cruzeiros do Porto Samaná em Arroyo Barril, apresentado como o primeiro projeto de infraestruturas da Lei 47-20.
Este projeto soma-se aos investimentos anunciados pela DP World para expandir a capacidade do terminal de Caucedo, de 2,5 para 3,1 milhões de TEUs, e aos 105 milhões de dólares previstos para a expansão do HIT Puerto Río Haina.
A segurança jurídica e as novas regras para as concessões portuárias
Além disso, o CEO da APORDOM destacou as medidas institucionais destinadas a reforçar a confiança dos investidores, especialmente através da atualização do quadro regulamentar das concessões portuárias.
“Precisamos de considerar as condições do país, mas também os parceiros locais que nos podem abrir portas. O governo está focado em continuar a reforçar o setor e, nesse sentido, acabámos de publicar um decreto que estabelece um novo regulamento para as concessões portuárias, de forma a proporcionar maior segurança jurídica e atualizar os modelos de concessão no país”, afirmou.
Nesta mesma linha, considerou necessário que as autoridades apoiassem as empresas interessadas em desenvolver projectos, facilitassem os procedimentos e garantissem condições previsíveis para o investimento.
"Precisamos de facilitar as intenções de investimento, dar seguimento progressivo a estes projetos e também estabelecer regras claras", acrescentou.
Porto de Manzanillo e outros projetos para expandir a conectividade
Em relação às infraestruturas estratégicas, Campos identificou o porto de Manzanillo, em Montecristi, como um dos projetos fundamentais para expandir a capacidade logística e comercial do país.
O projeto envolve um investimento aproximado de 120 milhões de dólares, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e tem conclusão prevista para 2027.
Referiu ainda as expansões de Haina e Caucedo, os novos cais de carga planeados em Barahona e Azua, e o desenvolvimento de um porto multiusos em Boca de Yuma.
Estas iniciativas fazem parte dos esforços para descentralizar as operações portuárias, expandir as alternativas de transporte marítimo e reforçar a ligação entre as diferentes regiões produtivas da República Dominicana.
Crescimento do turismo de cruzeiros e dos cais de pesca
No setor turístico, o responsável salientou que a República Dominicana passou de três para cinco terminais de cruzeiros em funcionamento.
No âmbito deste crescimento, destacou que Cabo Rojo, em Pedernales, registou um aumento de 172% na chegada de passageiros de cruzeiro durante 2025, um número que reflete o desenvolvimento deste segmento da atividade turística.
Referiu ainda o Plano Nacional para as Docas de Pesca e Turismo, que conta com 21 instalações concluídas e outras seis com contrato assinado em julho de 2026.
O programa visa reforçar as infraestruturas costeiras, apoiar as atividades de pesca e contribuir para o dinamismo económico das comunidades ligadas ao litoral dominicano.
A APORDOM está empenhada na digitalização e na inteligência artificial
Além dos investimentos em infraestruturas, Campos explicou que a APORDOM está a trabalhar na implementação de uma plataforma tecnológica para modernizar a gestão portuária, aproveitando os dados e ferramentas de inteligência artificial.
"A questão da digitalização e dos dados é muito importante. Estamos a preparar-nos para implementar uma plataforma tecnológica e combiná-la com modelos de inteligência artificial que nos permitirão ter dados preditivos e melhorar a tomada de decisões no setor portuário", afirmou.

A proposta passa pela utilização de informação preditiva para otimizar as operações e facilitar o planeamento das atividades nos terminais.
A este propósito, o responsável afirmou que o objetivo é consolidar, nos próximos cinco anos, um sistema portuário integrado, com maiores ligações marítimas diretas com a Europa e processos digitais coordenados com as alfândegas, as zonas francas e os transportes terrestres.
A República Dominicana como parceiro estratégico das empresas espanholas
Ao concluir o seu discurso, Campos reiterou que o país possui as condições para se tornar um parceiro estratégico para as empresas espanholas interessadas em expandir as suas operações comerciais para as Caraíbas e para o continente americano.
O painel foi moderado por Ramón García García, diretor-geral do Centro Logístico Espanhol (CEL), e contou ainda com a participação de Cristina Rodríguez Cruz, representante da área comercial da Autoridade Portuária de Valência (Valenciaport); Edelmiro Iglesias, diretor geral do Grupo Vima Foods, e Manuel Machado, diretor da Almafrío by Vima Foods.
O encontro reuniu representantes dos setores portuário, empresarial e logístico para analisar as oportunidades de integração comercial, conectividade e investimento nas cadeias de abastecimento internacionais.
A participação da República Dominicana faz parte dos esforços para conceber o país como uma plataforma estratégica para o comércio regional e internacional, aproveitando a sua localização geográfica e o desenvolvimento de novas infraestruturas para atrair capital e expandir as suas relações comerciais.
Leituras recomendadas:


