No mercado imobiliário, uma boa localização e um design atrativo não são suficientes para garantir que um projeto agrada aos compradores. Antes de decidir o que construir, é essencial perceber como os futuros proprietários imaginam a sua casa
O Estudo Habitacional de 2026, conduzido pela SSLA em Santo Domingo, oferece uma visão destas aspirações. Entre os potenciais compradores inquiridos, 57,8% indicaram uma casa como o seu tipo de habitação preferido. Mais do que uma simples escolha arquitetónica, este resultado sugere o valor que as famílias atribuem à privacidade, à independência e à forma como utilizam os seus espaços de convívio.

Esta análise é especialmente útil quando se considera o projeto de um novo empreendimento. A escolha de uma casa não se limita às suas características visíveis; está também ligada às rotinas que os seus moradores esperam desenvolver. Portanto, compreender as preferências do público-alvo ajuda a identificar quais as experiências do utilizador que devem orientar o projeto residencial antes de se decidir sobre acabamentos ou materiais promocionais.
A preferência por moradias não significa que os apartamentos tenham perdido o seu apelo. Pelo contrário, levanta uma questão estratégica para os construtores residenciais: que qualidades de uma casa podem ser incorporadas noutros tipos de edifícios para melhor corresponder às expectativas do público? O layout interior, a funcionalidade e a sensação de amplitude podem ser tão importantes como a forma do edifício.
A organização dos espaços surge também como uma prioridade. No mesmo estudo, 78,1% dos inquiridos que responderam à questão sobre o número de divisões preferiram casas com três quartos. Esta constatação realça a importância de projetar residências que se adaptem às diferentes fases da vida familiar, desde o quotidiano até às novas necessidades relacionadas com o trabalho, o estudo ou o descanso.

O desafio reside em traduzir esta aspiração em soluções viáveis. Num contexto urbano onde a disponibilidade de terrenos e os custos de desenvolvimento limitam as alternativas, nem sempre será possível oferecer exactamente o tipo de imóvel que encabeça a lista de preferências. No entanto, é possível projetar espaços que respondam às motivações por detrás desta escolha, sem perder de vista as realidades do mercado a que o projeto se destina.
Para os promotores, interpretar estas preferências exige ir além da simples replicação de uma planta padrão. Um quarto adicional não oferece o mesmo valor em todos os projetos: a sua utilidade depende do tamanho total, da circulação, da iluminação e do equilíbrio entre as áreas privadas e as partilhadas. Compreender o comprador permite que os promotores decidam quais os atributos a priorizar e quais podem aumentar o preço sem melhorar significativamente o seu apelo.
Estes resultados não devem ser interpretados como uma solução universal para Santo Domingo. As preferências expressas num inquérito constituem um ponto de partida que deve ser comparado com a localização do terreno, os perfis de procura e as condições específicas de cada empreendimento. A investigação torna-se valiosa quando é utilizada para formular questões mais pertinentes e reduzir decisões baseadas apenas na intuição.
A flexibilidade também é importante; uma casa pode parecer atraente no momento da compra, mas a sua utilidade é testada com o tempo. Espaços que permitam reorganizar o mobiliário, aproveitar melhor a luz natural ou combinar atividades sem sacrificar o conforto podem contribuir para que um projeto seja percecionado como mais adequado ao dia-a-dia. Estas são decisões de projeto que merecem ser avaliadas tendo em conta as necessidades do utilizador.
Num setor em que cada projeto envolve investimentos significativos e compromissos a longo prazo, ouvir o comprador desde a fase de planeamento pode fazer toda a diferença. Desenvolver com propósito não se resume a construir mais casas, mas sim a criar produtos que satisfaçam de forma convincente as necessidades de estilo de vida das pessoas.
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