O crescimento do setor imobiliário dominicano depende não só do volume de vendas, mas também da nossa capacidade de elevar coletivamente os seus padrões. Profissionalismo, colaboração, segurança jurídica, ética e confiança podem tornar-se um terreno comum. Porque construir um setor mais forte é uma responsabilidade partilhada
Há uma pergunta que me tenho feito há algum tempo: o que aconteceria se, para além de competirmos pelas vendas, começássemos a competir para elevar os padrões de todo o nosso setor?
A concorrência é essencial. Impulsiona-nos a inovar, melhorar os nossos serviços e procurar melhores resultados. O desafio surge quando nos esquecemos que, embora representemos empresas diferentes, todos partilhamos, em última análise, o mesmo nome: o setor imobiliário dominicano.
Quando um agente faz um excelente trabalho, não é apenas este profissional que beneficia. Contribui para elevar o prestígio da nossa profissão. E quando alguém age de forma inadequada, as consequências não se limitam necessariamente à sua mesa; afetam a confiança do público em todos os outros.
Por isso, acho que vale a pena falar de um pacto para o crescimento do setor.
Não se trata necessariamente de um documento que precisamos de assinar. Falo de um pacto que começa com a forma como exercemos a nossa profissão e com uma pergunta simples para todo o agente imobiliário: o que posso fazer para tornar a nossa profissão melhor amanhã do que é hoje?
Podemos começar por partilhar as melhores práticas, colaborar profissionalmente entre agências, respeitar o trabalho dos nossos colegas, investir na formação contínua, comunicar de forma responsável e aprofundar o nosso conhecimento sobre os produtos que comercializamos. Cada transação bem-sucedida também cria confiança para a seguinte.
Isso também faz parte da construção de um setor.
Durante muito tempo, celebrámos, com razão, as conquistas individuais: o mediador número um, a agência número um, o maior volume de vendas ou a maior geração de leads — e eu também participo nesta celebração. Mas talvez haja outro indicador que também devamos começar a celebrar: o quanto contribuímos para tornar o nosso setor melhor.
Porque podemos ter profissionais extraordinários dentro de um mercado. Mas quando fortalecemos o mercado, as oportunidades multiplicam-se para todos.
As indústrias consolidadas compreendem algo importante: as empresas que competem diariamente também sabem reunir-se quando estão em causa questões que afetam o crescimento do seu negócio. Não param de competir. Aprendem a colaborar onde a colaboração gera valor.
O nosso setor precisa cada vez mais dessa maturidade.
Precisamos de agentes e empresas mais bem preparados, mas também de promotores imobiliários, construtores, advogados, instituições financeiras e fiduciárias, autoridades e outras partes interessadas capazes de encontrar um consenso. Nenhuma transação imobiliária importante acontece de forma isolada.
Por detrás de cada venda, pode estar o promotor que criou o produto, o construtor que o tornou realidade, o agente que ligou as partes, o advogado que forneceu estrutura e segurança jurídica, a entidade que o financiou e, finalmente, um comprador que decidiu confiar.
Todos fazemos parte da mesma cadeia de confiança.
E o agente imobiliário ocupa um lugar extraordinário neste contexto. Muitas vezes, somos a porta de entrada do investidor para o mercado: ouvimos as suas questões iniciais, compreendemos as suas preocupações, apresentamos oportunidades e orientamo-los em decisões que podem envolver uma parcela significativa do seu património.
Portanto, a profissionalização do agente não beneficia apenas o próprio agente, mas fortalece todo o mercado.
Um profissional mais bem preparado faz melhores perguntas, fornece informações mais precisas, identifica os fatores de risco mais facilmente e sabe quando consultar outros especialistas. É por isso que defendo há anos a democratização do conhecimento jurídico imobiliário: não para transformar os mediadores em advogados, mas para lhes fornecer ferramentas que lhes permitam compreender melhor as suas transações e exercer a sua profissão com maior segurança.
Mas hoje estou convencido de que precisamos de democratizar algo ainda maior: a responsabilidade de construir o setor.
Que ninguém pense que esta tarefa pertence exclusivamente a uma associação, a um conselho de administração, a uma instituição ou a um grupo específico. Ela pertence a todos nós.
Cada colaboração profissional faz a diferença. Cada sessão de treino faz a diferença. Cada tarefa executada corretamente faz a diferença. Cada vez que respeitamos o trabalho de um colega, fazemos a diferença. Cada vez que optamos por elevar o padrão em vez de tomar um atalho, fazemos a diferença.
Talvez seja este o verdadeiro pacto: não concordar em tudo, não deixar de competir ou renunciar às nossas identidades, mas compreender que existem objetivos que beneficiam todos: maior profissionalização, segurança jurídica, transparência, regras claras, investimentos protegidos e confiança em quem participa no mercado.
Porque, no final do dia, podemos competir por clientes, imóveis e projetos.
Mas o setor que estes clientes encontram quando nos procuram é construído por todos nós.
E quando este setor cresce, se profissionaliza e cria confiança, as oportunidades também aumentam para cada agente que dele faz parte.
Por isso, o meu convite não é para pensar da mesma forma. É muito mais simples:
Vamos competir para sermos melhores, mas vamos fazer um pacto para crescermos juntos.
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