O setor imobiliário pode estar a crescer em número de negócios, mas não em dimensão; a construção civil, por sua vez, pode estar a crescer em ambos os aspetos simultaneamente
SANTO DOMINGO – O comércio voltou a liderar o crescimento do setor empresarial dominicano no segundo trimestre de 2026, com 31,8% do total de empresas formais, enquanto de construção e imobiliáriasavançaram em número de empresas a um ritmo quase semelhante: 7,3% e 6,2% de quota, respetivamente, ambas com um ganho idêntico de 0,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Esta coincidência esconde uma lacuna que o Guia Empresarial do Instituto Nacional de Estatística (ONE), publicado a 9 de setembro, permite ver quando o emprego e a remuneração são cruzados.
Mesmo número de empresas, ritmo de contratação diferente
Embora o número de empresas em ambos os sectores cresça de forma praticamente idêntica, o emprego conta uma história diferente.
O setor da construção civil acrescentou 5.340 postos de trabalho entre o segundo trimestre de 2025 e o período homólogo de 2026, passando de uma média de 88.333 para 93.673 colaboradores, um crescimento anual de 6,05%.
Por outro lado, as atividades imobiliárias criaram apenas 1.165 postos de trabalho, passando de 49.725 para 50.890, o que equivale a 2,34%, menos de metade da taxa de crescimento da construção civil.
A diferença contradiz a suposição mais comum sobre ambos os sectores: que se movem em paralelo devido à sua proximidade na cadeia de produção de habitação.
Os dados do segundo trimestre sugerem que, embora o número de empresas esteja a crescer na mesma proporção, o tipo de empresa que está a ser adicionada em cada sector não está a gerar a mesma quantidade de empregos.
Os salários confirmam a disparidade
De acordo com o documento da ONE, o salário médio mensal por trabalhador na construção civil passou de RD$ 37.581,7 para RD$ 40.745,1, um aumento de 8,4%, enquanto no setor imobiliário passou de RD$ 32.358,5 para RD$ 34.693,5, um aumento de 7,2%.
A diferença é menor do que no emprego, mas aponta no mesmo sentido: a construção civil está a crescer mais rapidamente em todos os indicadores que medem a actividade real, e não apenas a presença formal.
Analisando a remuneração média por empresa, sem ponderação pela dimensão e tratando todas as empresas de forma igual, a diferença persiste: 6,9% na construção civil contra 5,9% no setor imobiliário.
Que tipo de empresa está a crescer?
Uma hipótese, que este boletim por si só não consegue confirmar, é que o crescimento do número de empresas imobiliárias seja impulsionado por unidades mais pequenas (mediadores, gestores imobiliários, intermediários individuais) que empregam poucos, enquanto na construção civil, o crescimento do negócio coincide com projetos que exigem um grande volume de mão-de-obra.
O documento público do Diretório Comercial não cruza a dimensão da empresa com a sua atividade económica.
O contraste coincide também com o relatório do Banco Central citado pelo El Inmobiliario no final de agosto, que colocou a construção civil entre os setores com maior impacto no crescimento económico durante o primeiro semestre de 2026, com um aumento de 8,1% face ao ano anterior até julho.
O comportamento da atividade real corrobora o que o Guia das Empresas agora mostra no que diz respeito ao emprego.
A composição de género do emprego aprofunda o contraste entre os dois sectores. Na construção civil, 75,5% dos empregos são ocupados por homens, enquanto no setor imobiliário, a proporção masculina desce para 62,8%, com 37,2% de participação feminina — a mais elevada entre os dois setores. Isto revela que o setor que gera mais emprego é também o que apresenta maior desigualdade para as mulheres.
O documento levanta algumas dúvidas, entre as quais a territorial: o boletim não cruza informação entre as províncias e a atividade económica, pelo que não é possível saber se o crescimento da construção civil ou do mercado imobiliário se concentra em Santo Domingo e Santiago ou se existem novos polos.
A segunda questão diz respeito à dimensão da empresa: também não existe desagregação por faixa etária do pessoal dentro de cada setor, variável que permitiria testar a hipótese anteriormente referida. Uma terceira dúvida diz respeito à renovação do tecido empresarial: os dados acumulados divulgados pelo ONE já excluem as empresas com doze meses sem atividade reportada, mas não distinguem quantas novas empresas entraram e quantas saíram no período.
Os dados deste relatório provêm do Boletim Trimestral do Diretório Comercial, segundo trimestre de 2026, publicado pelo Gabinete Nacional de Estatística (ONE) em 9 de setembro de 2026, comparando o período de abril a junho de 2026 com o período homólogo de 2025.
Os números do emprego correspondem à média trimestral divulgada pelo ONE, uma base de cálculo diferente do stock de fecho de dezembro utilizado no boletim do quarto trimestre de 2025, pelo que não são diretamente comparáveis sem este ajustamento.
Tabela comparativa
| Indicador | Construção | Atividades imobiliárias |
| Participação no total de empresas, 2º trimestre de 2025 | 7.1% | 6.0% |
| Participação no total de empresas, 2º trimestre de 2026 | 7.3% | 6.2% |
| Variação na participação | +0,2 pp | +0,2 pp |
| Colaboradores, 2º trimestre de 2025 (média trimestral) | 88,333 | 49,725 |
| Colaboradores, 2º trimestre de 2026 (média trimestral) | 93,673 | 50,890 |
| Crescimento anual do emprego | 6.05% | 2.34% |
| Salário médio mensal por colaborador, 2º trimestre de 2025 | RD$ 37.581,7 | RD$ 32.358,5 |
| Salário médio mensal por colaborador, 2º trimestre de 2026 | RD$ 40.745,1 | RD$ 34.693,5 |
| Crescimento salarial ano a ano | 8.4% | 7.2% |
| Remuneração média por empresa (sem ponderação), crescimento | +6.9% | +5.9% |
| Participação masculina no emprego | 75.5% | 62.8% |
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