Entre 2015 e o levantamento realizado entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, a Cidade Colonial registrou 252 estabelecimentos ativos a menos, enquanto a Rua El Conde passou de 347 empresas em 2017 para 170 no censo de 2022
SANTO DOMINGO. – Quando Rafael «Fello» Suberví Bonilla tornou a Rua El Conde uma área exclusiva para pedestres em 1989, durante seu primeiro mandato como prefeito do Distrito Nacional, o Corpo de Bombeiros lavava a rua inteira uma vez por semana.
Trinta e seis anos depois, os azulejos acumulam sujeira que gruda nos pés, e o comércio ambulante ocupa boa parte do trecho onde antes predominavam os estabelecimentos comerciais formais.
O Censo de Estabelecimentos Comerciais da Cidade Colonial, realizado entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, oferece o retrato mais recente do tecido comercial do centro histórico de Santo Domingo. Nenhum levantamento comparável foi publicado desde então.
Três censos depois, a curva se achata
O primeiro censo comercial da área, realizado pelo sociólogo Víctor Ruiz em fevereiro de 2015, contabilizou 1.694 estabelecimentos e documentou a abertura de 296 empresas entre 2012 e 2015, com a geração de 1.232 empregos.
O estudo de 2017 ainda refletia esse dinamismo. Em contrapartida, o censo de 2022, elaborado pela Gallup República Dominicana para o Ministério do Turismo, identificou 2.044 estabelecimentos, dos quais 1.442 estavam ativos e 602 inativos.
Em comparação com o estudo de Ruiz de 2015, o levantamento de 2022 registrou 252 estabelecimentos ativos a menos, uma diferença que não implica que exatamente 252 empresas fecharam, mas sim um saldo líquido menor, visto que novos estabelecimentos também foram abertos entre os dois censos.
O próprio relatório atribui parte da redução observada em comparação com 2017 à situação econômica pós-pandemia e aponta para uma diminuição de 6,3% no número de empresas em relação à medição anterior.
51% menos empresas entre 2017 e a pesquisa de 2022
Dados oficiais mostram que a Rua El Conde passou de 347 estabelecimentos comerciais em 2017 para 170 no censo de 2022, uma redução de 177 estabelecimentos, equivalente a 51%, mais da metade dos negócios naquela que antes era a principal via comercial da cidade. Em 2015, havia 269 estabelecimentos.
Em outras palavras, a rua mais emblemática do centro histórico já apresentava, antes mesmo do início da fase mais intensa das obras de remodelação, uma contração comercial mais acentuada do que a média da região.
O censo numerou os quarteirões, embora sem fazer referência à localização, e também mostra que a maior queda entre os principais quarteirões ocorreu no quarteirão 21, seguido pelos quarteirões 26 e 68. O quarteirão 6 foi o único que apresentou aumento em comparação com 2017. Além disso, foram identificados 102 imóveis vagos em El Conde, dos quais 83 não tinham placa de "Vende-se" ou "Aluga-se".
| Blocos | 2015 | 2017 | 2022 |
| O Conde | 269 | 347 | 170 |
| #6 | 18 | 48 | 36 |
| #11 | 12 | 14 | 4 |
| #21 | 11 | 45 | 13 |
| #26 | 29 | 57 | 31 |
| #68 | — | 27 | 4 |
Emprego: mais do que em 2015, menos do que em 2017
No período de 2022/2023, as empresas da Cidade Colonial relataram um total de 8.859 empregos, em comparação com 8.411 em 2015 (+5,3%) e 9.388 em 2017 (-5,6%), embora o próprio relatório da Gallup alerte que a comparação com a base de 2015 não é totalmente confiável, pois essa base continha erros.
Os setores com as maiores perdas de empregos em comparação com 2017 foram museus e sítios históricos (-40%) e serviços profissionais, científicos e técnicos (-23,2%); os que apresentaram maior crescimento foram associações e organizações (+74,3%) e comércio varejista de alimentos (+53,2%).
Quem era o dono de quê naquela época?
De acordo com o banco de dados completo de 808 empresas entrevistadas, a propriedade do tecido comercial no período de referência de 2023 estava distribuída da seguinte forma: 82,1% de capital local, 10,4% estrangeiro e 7,5% misto.
Essa média esconde um setor onde o padrão se inverte: em alojamentos temporários, 34,1% dos estabelecimentos eram de propriedade estrangeira e outros 20,5% tinham propriedade mista, o que deixa o investimento internacional com uma participação aproximada de 44% nesse segmento, que, segundo o próprio relatório, foi um dos que mais cresceram na região recentemente.
A estrutura empresarial geral naquele momento era predominantemente composta por microempresas (73%), em comparação com 23% de pequenas empresas e 4% de grandes empresas. Das 786 empresas que responderam sobre seu status legal, 72,15% relataram estar formalmente constituídas.
602 imóveis vazios
Dos 602 imóveis vagos identificados pelo censo da época, 432 (72%) não tinham placa de "Vende-se" ou "Aluga-se", o que significa que nem sequer estavam ativamente disponíveis para venda ou aluguel. Apenas 96 (16%) estavam anunciados para venda ou aluguel, e o restante se dividia entre 1% de imóveis em ruínas e 2% em construção ou reforma.
Essa proporção sugere que grande parte da vacância comercial naquele momento não se devia a um problema de oferta de mercado, mas sim a imóveis fora de circulação por razões que o censo não explora.
Não existem dados sobre a situação atual
O BID, organização que financia as obras da Cidade Colonial de Santo Domingo com 90 milhões de dólares, publica periodicamente relatórios de acompanhamento sobre a execução do Programa Integrado de Turismo e Desenvolvimento Urbano da Cidade Colonial.
No entanto, esses documentos monitoram o andamento das obras e a execução do projeto, mas não incluem um novo censo de estabelecimentos comerciais comparável ao levantamento realizado entre setembro de 2022 e janeiro de 2023.
Portanto, os dados deste relatório descrevem apenas a situação registrada naquele momento e não nos permitem inferir o estado atual do tecido comercial da área.
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