SANTO DOMINGO – Sete anos se passaram desde o início das intervenções na Cidade Colonial, sob a promessa de uma transformação abrangente que a tornaria um destino de renome mundial para o turismo cultural. Sete anos de ruas fechadas, poeira constante, marteladas ao amanhecer, desvios improvisados, acessos bloqueados e vendas perdidas. Em junho de 2025, o projeto ainda não estava concluído.
O Programa Integral de Turismo e Desenvolvimento Urbano da Cidade Colonial (PIDTUCC) — financiado com mais de 90 milhões de dólares do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do empréstimo 3879/OC-DR — apresenta um progresso inegável, mas também uma longa espera que testou a paciência de comerciantes, moradores e visitantes.
A promessa permanece: restaurar o brilho desta joia caribenha, declarada Patrimônio Mundial da UNESCO, e transformá-la em um destino de classe mundial. No entanto, a implementação tem sido lenta.
O que é o PIDTUCC?
O PIDTUCC é um ambicioso plano de intervenção urbana e turística iniciado em 2018, cujo objetivo é revitalizar a primeira cidade da América, conhecida como Cidade Colonial, respeitando seu valor patrimonial, melhorando a qualidade de vida de seus moradores e promovendo sua oferta como destino de turismo cultural.
O programa tem quatro pilares centrais:
- Restauração urbana e histórica (ruas, monumentos, espaços públicos).
- Melhorias habitacionais para famílias vulneráveis.
- Fortalecimento da economia local e das pequenas empresas.
- Gestão sustentável da cultura e do turismo.
O que já foi feito até agora?
um progresso de 70%. Algumas das conquistas tangíveis incluem:
- Rua Las Mercedes: Restaurada com novo calçamento, iluminação LED e cabos subterrâneos.
- Rua Salomé Ureña: Renovada com calçadas acessíveis, bancos e sistema de drenagem pluvial aprimorado.
- Calle Las Damas: Restauração do patrimônio combinada com adaptações para visitantes.
A infraestrutura básica , como sistemas de esgoto, calçadas e serviços públicos, também foi melhorada , e diversas praças e parques foram embelezados.
No entanto, pelo menos 3 quilômetros de vias secundárias em áreas como San Antón, Santa Bárbara, San Lázaro e em parte da Avenida Isabel la Católica, onde persistem ruas abertas e obras em andamento.
Embora tenham sido feitos progressos na restauração de monumentos importantes — como a Fortaleza de Santo Domingo, as Ruínas de São Francisco e o Alcázar de Colón — o trabalho ainda não está concluído. Trata-se de processos de conservação complexos que exigem diversas etapas.
Em termos de habitação , cerca de 140 casas foram reabilitadas em bairros como San Antón, Santa Bárbara e San Miguel, priorizando as chefes de família do sexo feminino. No entanto, ainda há famílias aguardando inclusão no programa, e algumas áreas apresentam sinais de abandono ou deterioração que ainda não foram solucionados.
A rede viária está 38% concluída e as obras já foram finalizadas em um total de 2.400 metros de ruas principais.
Status do progresso da rua/área
Las Damas 100% concluída
Salomé Ureña 100% concluída
Las Mercedes 95% (falta 1 curva)
Padre Billini 100% concluída
Arzobispo Nouel 28%
Hostos 28–35%
Luperón 10%
Parques Duarte, Billini Em construção
Entidades responsáveis
O sucesso (e a lentidão) do programa está nas mãos de um conjunto de instituições:
- Ministério do Turismo (MITUR): Coordena o projeto e sua visão turística.
- Ministério da Cultura (MINC): Garante que o valor do patrimônio seja respeitado.
- Comitê Executivo para Infraestrutura em Áreas Turísticas (CEIZTUR): Dirige a execução das obras.
- Gabinete do Prefeito do Distrito Nacional: Gerencia o relacionamento com os moradores.
- Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID): Fornece financiamento e monitoramento técnico.
E o que diz a comunidade?
A comunidade tem uma relação ambivalente com o projeto. Comerciantes e moradores reconhecem o progresso, mas também expressam cansaço e frustração.
Em uma reportagem do Listín Diario (12 de maio de 2025), comerciantes da Rua El Conde descreveram a combinação de restrições de trânsito e obras inacabadas como “caótica”. Eles afirmaram que as vendas caíram e que não foram tomadas medidas suficientes para proteger a economia local durante a obra.
Outros meios de comunicação, como o 7 Días e o Rosemary News, relataram preocupações semelhantes, apesar de iniciativas culturais como o Turizoneando, que procuram revitalizar a área aos fins de semana.
O desenvolvimento está em andamento, mas lentamente
O projeto PIDTUCC também inclui o apoio a pequenas empresas, a capacitação de moradores em serviços turísticos e o posicionamento do Mercado Modelo como um espaço comercial modernizado. Esses programas estão em andamento, mas seu impacto total ainda não foi totalmente percebido.
Prevê-se também que 9% dos turistas que chegam ao país visitem a Cidade Colonial após a conclusão do projeto, o que implicaria um aumento considerável nas visitas e nos gastos. No entanto, esse cenário depende da conclusão das obras dentro do prazo e da manutenção da segurança e acessibilidade da área.
Quando isso vai acabar?
A data oficial de conclusão é o final de 2025, embora os setores técnico e comunitário estimem que possa se estender até o início de 2026, especialmente se forem levados em consideração os trabalhos complementares que ainda não começaram, como manutenção subsequente, iluminação ornamental e sinalização turística.
Embora haja progresso a ser comemorado — ruas bonitas, fachadas restauradas, espaços mais limpos e seguros — a transformação ainda está incompleta. Áreas negligenciadas persistem, casas permanecem inacabadas e a comunidade, embora esperançosa, precisa ver as promessas que ouve há quase uma década cumpridas.
Um coração que bate, mas que anseia por respirar
A cidade colonial de Santo Domingo permanece um espaço único no Caribe e nas Américas. Suas muralhas, praças e ruas guardam história, ritmo e calor. Mas também um presente vibrante.
O PIDTUCC representa uma oportunidade única para elevar esse patrimônio a um novo patamar de desenvolvimento e integração comunitária. Mas essa oportunidade só se concretizará se as autoridades cumprirem os prazos, ouvirem a comunidade e garantirem que os benefícios sejam tangíveis e compartilhados.
Após sete anos de sacrifícios, o que a Cidade Colonial precisa não é apenas que as obras sejam concluídas, mas que seu direito à vida e ao usufruto seja plenamente restaurado.




