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De acordo com o FMI, a República Dominicana está crescendo mais rápido que a região, mas o novo ciclo global pode pressionar o dinamismo do setor imobiliário

O contexto externo combina uma desaceleração global e condições de crédito restritivas, em contraste com uma economia dominicana em expansão, segundo dados do Banco Central, com impacto direto no desempenho do setor da construção civil e imobiliário

SANTO DOMINGO – A economia da América Latina e do Caribe crescerá apenas 2,3% em 2026, em um contexto de desaceleração global marcado por tensões geopolíticas, inflação persistente e condições financeiras restritivas, de acordo com o relatório de perspectivas mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No entanto, a República Dominicana continua a crescer acima da média regional, o que sustenta o dinamismo do setor imobiliário, embora num ambiente externo cada vez mais desafiador.

O FMI alertou que o crescimento global está em torno de 3% e pode piorar se os conflitos internacionais se intensificarem, com impactos diretos nos preços do petróleo, na inflação e no custo do financiamento.

Nesse cenário, a Reuters informou que a organização alertou para uma possível mudança em direção a condições econômicas mais adversas, especialmente para economias abertas dependentes de fluxos externos.

Em contrapartida, a economia dominicana encerrou 2025 com crescimento próximo a 5%, segundo dados do Banco Central, mantendo um dos melhores desempenhos da região.

Impacto no setor imobiliário

No início de 2026, o Banco Central da República Dominicana (BCRD) informou que a atividade econômica continuou em expansão, impulsionada pelo turismo, pelas zonas francas e pelos serviços, enquanto a inflação permaneceu dentro da meta, em torno de 4%.

Essa diferença de crescimento tem sido um fator crucial para o mercado imobiliário local.

A procura por habitação, particularmente nos segmentos médio e turístico, tem-se mantido forte, impulsionada pelo emprego, pelas remessas de dinheiro e pelo investimento estrangeiro. No entanto, o novo contexto global está a introduzir variáveis ​​que começam a alterar as condições do setor.

O principal canal de transmissão é o custo do dinheiro: as taxas de juros internacionais permanecem elevadas, o que encarece o financiamento externo e pressiona as taxas locais para cima, impactando diretamente os empréstimos hipotecários e o desenvolvimento de projetos, reduzindo as margens e retardando as decisões de investimento.

A isso se soma a sensibilidade do setor imobiliário dominicano ao ciclo econômico externo. Qualquer desaceleração nos Estados Unidos ou na Europa pode afetar tanto a chegada de turistas quanto as remessas de dinheiro, dois fatores que influenciam a demanda por imóveis, especialmente em destinos como Punta Cana e outras áreas costeiras voltadas para o investimento estrangeiro.

O FMI também alerta para a volatilidade financeira e a força do dólar como riscos para os mercados emergentes e, no caso da República Dominicana, isso pode se traduzir em pressões sobre a taxa de câmbio e custos mais elevados para insumos importados para a construção, desde materiais até equipamentos.

Apesar desses riscos, o mercado imobiliário local parte de uma posição relativamente sólida, sustentado pela estabilidade macroeconômica, crescimento regional acima da média e um fluxo constante de investimento estrangeiro.
No entanto, o novo ciclo global sugere uma mudança de fase: da expansão impulsionada pela abundante liquidez para um ambiente onde a seletividade e a eficiência financeira serão fundamentais.

O cenário descrito pelo Fundo Monetário Internacional não prevê uma contração imediata da atividade econômica, mas sim um ambiente de menor crescimento global e condições financeiras mais restritivas.

Nesse contexto, fatores como altas taxas de juros, maior volatilidade externa e potenciais pressões de custos podem afetar o ritmo de expansão do mercado imobiliário dominicano.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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