SANTO DOMINGO –Quase um ano após o desabamento da antiga boate Jet Set, em 8 de abril de 2025, o debate sobre como prosseguir com a investigação voltou a ocupar o centro das atenções no processo judicial. Os irmãos Antonio e Maribel Espaillat solicitaram novamente avaliações técnicas independentes das ruínas do prédio e reiteraram sua oposição a qualquer demolição, remoção ou modificação da estrutura até que as causas do desabamento sejam determinadas.
O pedido foi entregue por oficial de justiça ao Ministério Público e à Direção-Geral de Acusação do Ministério Público, onde os requerentes insistiram na necessidade de preservar o local e todos os seus elementos estruturais para garantir uma análise especializada.
A defesa insiste em peritos independentes
No documento, a família Espaillat reiterou seu interesse em que a contra-avaliação fosse conduzida pelo engenheiro José M. Lockhart, a quem descrevem como um profissional com mais de seis décadas de experiência em engenharia estrutural e análise forense de falhas. Em sua opinião, a preservação do edifício é essencial para a realização de uma avaliação técnica completa.
Reiteraram também o pedido de credenciamento do engenheiro Nicolás Sáenz como consultor técnico. O especialista faz parte da empresa internacional Thornton Tomasetti, reconhecida pela sua participação em investigações de colapsos estruturais de grande impacto em todo o mundo.
Segundo os requerentes, desde 29 de abril de 2025 eles solicitam ao Ministério Público o acesso às ruínas e garantias de preservação do sítio, sem terem recebido — alegam — uma resposta efetiva.
Oposição à demolição e próximos passos legais
A defesa advertiu que qualquer alteração na estrutura poderia comprometer irreversivelmente as análises periciais solicitadas e violar tanto o direito constitucional à defesa quanto o princípio da igualdade no processo penal. Portanto, registraram formalmente sua oposição a qualquer tentativa de demolição, ressalvadas as ressalvas legais.
Os pedidos de pareceres técnicos e de credenciamento de consultores serão submetidos novamente ao juiz de instrução responsável pela audiência preliminar, de acordo com o prazo estabelecido no artigo 304 do Código de Processo Penal.
O debate surge após o juiz Raymundo Mejía, do Primeiro Tribunal de Instrução do Distrito Nacional, ter declarado inadmissível um primeiro pedido de laudo pericial de contra-perícia, considerando-o intempestivo e sem propósito, e afirmando ainda que não tolerará incidentes protelatórios no processo.
O desabamento do Jet Set deixou 236 mortos e mais de 180 feridos, uma tragédia que continua a moldar o curso de uma investigação onde cada decisão técnica pode ser crucial para esclarecer as responsabilidades.
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