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Da tragédia do Jet Set aos hospitais em risco: a crise silenciosa de infraestrutura na República Dominicana

SANTO DOMINGO– A tragédia do Jet Set marcou um ponto de virada no debate nacional sobre segurança predial. O desabamento do teto da boate em 2025, que deixou mais de 230 mortos e centenas de feridos, colocou o verdadeiro estado da infraestrutura do país, tanto pública quanto privada, sob intenso escrutínio. Desde então, outros incidentes em hospitais reforçaram uma preocupação que não pode mais ser tratada como eventos isolados, mas sim como sinais de um problema estrutural que exige respostas institucionais claras e contínuas.

Após a tragédia do Jet Set, o governo anunciou uma revisão abrangente dos protocolos de inspeção predial. O Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) e o Escritório Nacional de Avaliação Sísmica e Vulnerabilidade de Infraestrutura e Edificações (ONESVIE) intensificaram as avaliações técnicas em áreas de grande circulação. A Presidência reiterou que a prioridade seria garantir a segurança das pessoas, com ênfase em hospitais, escolas, casas noturnas e prédios governamentais.

O caso do Jet Set permanece como o ponto de referência mais dramático. A Procuradoria-Geral da República continua sua investigação para determinar a responsabilidade civil e criminal. O presidente Luis Abinader declarou que o Estado deve apoiar as vítimas e, ao mesmo tempo, garantir que tragédias dessa magnitude não se repitam, reforçando a fiscalização técnica e a supervisão de áreas de grande movimento.

Hospitais sob pressão: A pressão sobre a infraestrutura pública construída

San Francisco de Macorís: Hospital Ángel Gastón em destaque.
O incidente mais recente ocorreu na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, quando foi relatado um suposto desabamento de um painel do teto do Hospital Regional Ángel Gastón, em San Francisco de Macorís, província de Duarte. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) esclareceu que os painéis foram removidos por ordem do diretor executivo, Julio César Landrón, após uma inspeção nas instalações.

Este hospital foi inaugurado em novembro de 2025, com a sua primeira fase operacional desde 15 de dezembro. A segunda fase está prevista para 2 de fevereiro de 2026 e a terceira para 2 de março. O caso gerou preocupação pública, não só por se tratar de uma instalação recém-inaugurada, mas também por colocar novamente a qualidade da construção e a supervisão técnica no centro do debate.

San Cristóbal: Desabamento do teto na sala de emergência do Hospital Juan Pablo Pina.
Na mesma terça-feira, a mídia nacional noticiou o "desabamento" do teto na sala de emergência do Hospital Juan Pablo Pina, em San Cristóbal. A situação levou inicialmente a relatos de evacuação de funcionários e pacientes.

O diretor do centro, Wagner Guzmán, explicou posteriormente que apenas quatro painéis do teto caíram, sem feridos ou mortos. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) confirmou que equipes técnicas foram enviadas para inspecionar a infraestrutura e corrigir as deficiências identificadas.

Azua: Desabamento em obra de hospital.
Em dezembro de 2025, foi registrado o desabamento da laje de concreto do segundo andar do Hospital Materno-Infantil Pediátrico Simón Striddels, em Azua, durante obras de ampliação e reforma. Não houve feridos nem vítimas fatais.

O NHS anunciou em comunicado que equipes de engenharia realizariam as avaliações técnicas necessárias para garantir a segurança da construção planejada de três andares. O incidente motivou uma revisão do projeto, da execução e dos controles de supervisão.

A questão fundamental: supervisão, projeto e manutenção

Até o momento, não foi determinado se os incidentes recentes se devem a fragilidades na supervisão das construções, falhas nos controles técnicos, problemas de projeto, inexperiência dos empreiteiros ou capacidade insuficiente das equipes de engenharia ligadas ao Ministério da Habitação e Edificações (Mived) e ao SNS.

O que fica claro é que o sistema hospitalar está sob constante pressão devido a uma combinação de infraestrutura obsoleta, obras em andamento, manutenção inconsistente e demanda cada vez maior por serviços. Enquanto isso, espera-se que as obras de construção e reforma sejam aceleradas em hospitais importantes, como o Hospital Padre Billini, na Zona Colonial, e o Hospital Municipal de Dajabón.

A reforma do Hospital Padre Billini teve início em 2018, com um investimento superior a RD$ 2,1 bilhões, e o Pronto-Socorro permanece fechado. Os atrasos nesses projetos também levantaram questionamentos sobre planejamento, execução e prazos de entrega.

Para o setor da construção civil e imobiliário, esses processos de revisão técnica têm implicações diretas nos custos de construção, prazos de entrega, certificações estruturais, seguros de construção e padrões de qualidade exigidos por investidores e financiadores.

Quando a segurança hospitalar se torna política pública

A segurança dos edifícios hospitalares deixou de ser uma mera questão técnica; tornou-se uma questão de saúde pública, gestão institucional e credibilidade do Estado. Não se trata simplesmente de prevenir tragédias, mas de garantir que os espaços concebidos para salvar vidas não se tornem fatores de risco adicionais.

Após a era da alta sociedade, a República Dominicana entrou em uma fase em que a tolerância a falhas estruturais é cada vez mais limitada. O desafio agora é passar de reações pontuais para um sistema permanente de inspeção, certificação e manutenção que faça da prevenção uma política de Estado, em vez de uma resposta tardia a cada novo incidente.

A criação de um sistema permanente de inspeção estrutural também se torna um sinal para o mercado imobiliário e da construção civil, pois eleva os padrões técnicos exigidos para projetos públicos e privados.

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Juan David Botero Salcedo
Juan David Botero Salcedo
Jornalista e editora com mais de sete anos de experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo para veículos de comunicação especializados em negócios, economia e cultura. Ela liderou projetos editoriais na Colômbia e na República Dominicana e colaborou em iniciativas de conteúdo sobre negócios e sustentabilidade. Pensamento crítico, clareza editorial e criatividade são suas marcas registradas.
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