Alguns dos presentes na missa solicitaram que o dia 11 de abril fosse declarado dia de luto nacional, para comemorar o primeiro aniversário da tragédia que mergulhou todo o país em luto.
SANTO DOMINGO - Uma missa em memória das vítimas do desabamento do teto da boate Jet Set Club reuniu familiares, sobreviventes e amigos ontem, domingo, 8 de março, no local do desabamento, uma tragédia que deixou 236 mortos e mais de 180 feridos.
A cerimônia religiosa coincidiu com o aniversário de onze meses do incidente ocorrido nas primeiras horas da manhã, quando o teto do Jet Set Club desabou, considerado um dos eventos não naturais mais devastadores registrados na história recente da República Dominicana.
Entre os presentes estavam Melba Segura de Grullón e Arelis Cruz de Estrella, mães de Alexandra Grullón Segura e Eduardo Guarionex Estrella, que morreram no incidente, ocorrido enquanto a artista Ruby Pérez, também falecida no local, se apresentava na tradicional festa de segunda-feira. O casal estava entre as dezenas de pessoas que se encontravam no estabelecimento no momento do desabamento.
A cerimônia religiosa ocorreu em um ambiente sombrio, em um espaço que, desde o desastre, se tornou um ponto de homenagem para familiares e cidadãos que vêm deixar flores, velas e mensagens em memória daqueles que perderam suas vidas.
Processos judiciais em andamento
O caso permanece sob investigação no âmbito do sistema judicial dominicano. O Ministério Público da República Dominicana acusou os proprietários do estabelecimento, Antonio Espaillat e Maribel Espaillat, de homicídio culposo e lesão corporal dolosa em decorrência do desabamento da estrutura.
Os promotores solicitaram a prisão preventiva de Antonio Espaillat e prisão domiciliar para Maribel Espaillat, declarando também o caso complexo devido à magnitude do número de vítimas. No entanto, um tribunal do Distrito Nacional impôs uma fiança de RD$ 50 milhões, proibição de viagem e comparecimento periódico em juízo.
A decisão foi alvo de críticas por parte de representantes do Ministério Público e dos advogados das vítimas, que consideram as medidas desproporcionais à gravidade dos acontecimentos. Em resposta, o Ministério Público anunciou que irá recorrer da sentença.
Demandas e reivindicações
Paralelamente aos processos criminais, sobreviventes e seus familiares apresentaram inúmeras queixas e ações cíveis. Algumas ações judiciais também são dirigidas contra instituições públicas por supostas falhas na supervisão e no controle de projetos de construção.
O caso encontra-se na fase preliminar de julgamento, etapa na qual o tribunal avaliará as provas apresentadas pela acusação e pela defesa para determinar se o caso deve prosseguir para julgamento.
Enquanto o processo legal continua, a memória da tragédia permanece presente entre as famílias afetadas, que seguem exigindo esclarecimentos sobre os fatos e responsabilização por um dos desastres mais chocantes registrados no país nas últimas décadas.
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