Construção residencial , tragédia envolvendo a elite, obstrução da justiça e negligência estatal: os dois lados que o caso precisa enfrentar...

Obstrução da justiça e negligência estatal: dois lados que o caso Jet Set precisa enfrentar, segundo advogado

SANTO DOMINGO- O advogado Carlos Salcedo, que representa um casal que perdeu seus três filhos na tragédia do Jet Set, acusou Maribel Espaillat, irmã do proprietário Antonio, de obstrução da justiça dominicana.

“Existe uma justificativa criminal que o Ministério Público não previu, e eu a anuncio pela primeira vez. Trata-se de obstrução da justiça”, declarou o magistrado em entrevista ao programa “El Día”, da Telesistema.

Salcedo destacou que as ações de Maribel — entrar em contato com um dos funcionários, Gregory Adames— e supostamente adverti-lo para ter cuidado com o que dizia, pois isso poderia levar a até 20 anos de prisão para seu irmão, Antonio, constituem um elemento grave neste processo.

“Ela anunciou publicamente que ele estava morto. Isso soaria estranho para qualquer um, visto que ele estava vivo. Dá para entender qualquer coisa. Talvez tenha sido um lapso de língua da parte dela; ela se esqueceu de que o funcionário que organizou o evento e que falou com ela depois ainda estava vivo. Em outras palavras, há uma série de contradições aí”, afirmou ele.

A esse respeito, ele afirmou que essa conduta se enquadra na categoria de obstrução da justiça, embora tenha lamentado que na legislação dominicana esse tipo de crime acarrete apenas de seis meses a dois anos de prisão.

Durante seu discurso, Salcedo revelou que, por outro lado, também desenvolverão ações judiciais contra o Estado por omissão institucional no que diz respeito às responsabilidades de supervisão e intervenção que lhe correspondem.

“Todas as administrações que não intervieram prontamente, que não alertaram sobre esse risco, devem ser responsabilizadas em um processo legal para fornecer compensação financeira, conforme estabelecido pela Constituição e pela lei. E anunciamos hoje que tomaremos medidas contra as instituições estatais, e aqueles que negligenciaram seu dever de cuidado serão responsabilizados”, afirmou.

O advogado afirmou que essa tragédia foi o preço da ignorância do dever. Um cenário que ocorreu não apenas devido à falha dos proprietários em cumprir suas responsabilidades, mas também devido à negligência de todas as instituições que deveriam ter agido, mas não o fizeram.

Ele afirmou que este evento não só deveria suscitar reflexão em todo o país, mas também entre os profissionais do direito, para que o Governo comece a responder às suas responsabilidades institucionais e às dos seus representantes.

“Logicamente, isso exige uma atenção muito especial por parte do Estado Dominicano. E, neste caso, as evidências mostram que nenhuma instituição, nem Obras Públicas, nem Habitação, nem a Câmara Municipal, nem qualquer outra instituição responsável por preservar a segurança das instalações, dos edifícios e das construções, interveio”, destacou.

Carlos Salcedo explicou que a tragédia de 8 de abril demonstrou que o país não possui uma classificação criminal adequada para o ocorrido naquela manhã, que deixou um total de 236 mortos e mais de 180 feridos.

“Isso está pendente. Nós, advogados, nos referimos a isso como 'lejes ferendas' (propostas de lei). Quando há uma necessidade legislativa na República Dominicana e eventos como esses não são devidamente tratados, o legislador — e é por isso que dizemos 'lejes ferendas' — deve intervir prontamente. Este é um apelo por uma revisão completa a esse respeito”, explicou ele.

O advogado indicou que este evento faz parte das lições e desafios ainda pendentes em questões legais e institucionais em nível nacional.

“Dito isso, o que permanece é o interesse das vítimas em receber indenização. Nenhuma morte pode ser trazida de volta à vida com dinheiro. Nenhum dano permanente pode ser compensado com recursos financeiros. Mas, claramente, o sistema de justiça foi criado para esse propósito. As vítimas, os familiares das vítimas, sofrem danos materiais, danos psicológicos, danos morais e danos de todos os tipos”, reconheceu ele.  

Conhecimento de medidas coercitivas

A audiência sobre medidas coercitivas contra os irmãos Espaillat – Antonio e Maribel – foi adiada para quarta-feira, 18 de junho, às 11h.

Tanto Antonio quanto Maribel estão sendo acusados ​​de homicídio culposo, lesões corporais e agressões físicas devido ao desabamento do teto da boate Jet Set.

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Escarlin Pozo
Escarlin Pozo
Jornalista que escreve a partir de uma perspectiva humana. Fundadora e CEO da EP Creative e da revista Misses. Possui diploma em pesquisa, locução e mestrado em Marketing Digital pelo IED, Espanha.
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