Construção residencial : O setor da construção civil alerta que alterações na legislação sobre resíduos sólidos podem impactar os custos...

O setor da construção civil alerta que alterações na legislação sobre resíduos sólidos podem afetar os custos da habitação

O texto alerta que essa disposição também pode gerar tensão com o regime especial estabelecido na Lei nº 189-11, que promove o acesso à habitação e o desenvolvimento do mercado de crédito imobiliário

SANTO DOMINGO– Associações e entidades representativas do setor da construção civil na República Dominicana manifestaram preocupação com a aprovação da Lei nº 225-20 sobre Gestão Integrada e Coprocessamento de Resíduos Sólidos, destacando que ela poderá acarretar novos custos de habitação e, consequentemente, possíveis aumentos de preços para os compradores.

Eles enfatizaram que o consentimento do Senado foi concedido com urgência e sem o devido debate técnico, e que isso também poderia criar tensão em projetos protegidos pela Lei 189-11 para o Desenvolvimento do Mercado Hipotecário e de Fundos Fiduciários na República Dominicana.

As empresas de construção do setor habitacional temem que essa legislação tribute projetos operados por meio de trusts, criando cenários de dupla carga econômica ao impor novas obrigações a entidades jurídicas e operações econômicas que já arcam com esses encargos tributários, e cuja cadeia aumenta os custos do projeto e se reflete no preço final para os compradores de imóveis.

Em comunicado assinado por diversas associações de construtores, alertam que esta disposição poderá também gerar tensão com o regime especial previsto na Lei n.º 189-11, que promove o acesso à habitação e o desenvolvimento do mercado hipotecário.

“Reconhecemos a importância de fortalecer a gestão integral de resíduos sólidos e apoiamos iniciativas que visem promover uma gestão ambientalmente responsável. No entanto, consideramos essencial que as medidas adotadas respondam a critérios de proporcionalidade, segurança jurídica e sustentabilidade econômica, evitando impactos imprevistos em setores estratégicos como o da habitação”, enfatizaram as entidades em comunicado à imprensa.

Eles apelaram à Câmara dos Deputados para que abrisse um espaço de diálogo com os setores envolvidos, reavaliasse o âmbito da iniciativa e garantisse uma legislação equilibrada, tecnicamente sólida e proporcional que promovesse a sustentabilidade ambiental sem afetar a segurança jurídica, o investimento e o acesso à habitação.

A declaração é assinada pela Associação Dominicana de Construtores e Promotores de Imóveis (ACOPROVI), Associação de Promotores e Construtores de Imóveis de Cibao (APROCOVICI), Associação de Construtores de Santo Domingo Leste (ACOSDE), Associação de Construtores e Incorporadores da Província de La Altagracia (ADECLA) e Câmara Dominicana da Construção (CADOCON).

Em contexto

O Senado da República aprovou na última terça-feira, 23 de junho, em caráter de urgência e em sessão extraordinária, o projeto de lei que modifica a Lei 225-20 da Lei Geral de Gestão Integrada e Coprocessamento de Resíduos Sólidos, que inclui alterações no pagamento de valores por pessoas jurídicas ou entidades e a proibição da importação de produtos de espuma.

Em duas votações consecutivas, as alterações à lei foram aprovadas com um total de 22 votos a favor, num total de 28. Desde então, líderes empresariais de vários setores têm manifestado-se a exigir uma revisão da legislação, argumentando que esta compromete o seu bem-estar e o do país.

Dois empresários do setor da construção civil alertaram que a aplicação do imposto poderia criar um ônus econômico duplo para o mesmo projeto e, consequentemente, resultar em custos de construção mais elevados e um possível aumento nos preços dos imóveis.

Jochimin Pérez, CEO da Constructora JPérez, considerou inadequado que os fundos imobiliários fossem tributados separadamente quando o promotor do projeto já está sujeito ao mesmo imposto. 

Da mesma forma, a Associação Dominicana de Hotéis e Turismo (Asonahores) solicitou aos legisladores uma revisão técnica do projeto de lei que modifica a Lei Geral de Gestão Integrada e Coprocessamento de Resíduos Sólidos, aprovado pelo Senado em sessão extraordinária, alertando que os novos encargos econômicos que ele estabelece podem afetar a competitividade de setores-chave, incluindo o turismo.


A posição do setor hoteleiro não é nova. Desde julho de 2025, quando a Câmara dos Deputados aprovou uma versão anterior do projeto de lei, a Asonahores já havia manifestado sua rejeição, apontando que a iniciativa ignorava completamente o sargaço, apesar de seu enorme impacto nas costas turísticas, e que os impostos especiais eram cobrados das empresas com base na receita bruta, sem levar em consideração a quantidade real de resíduos gerados.

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