Em doze anos, Balaguer aumentou a quantidade de cimento produzido sem reduzir o déficit habitacional, e a habitação social continuou a funcionar mais como um argumento político do que como uma política pública
SANTO DOMINGO – Entre 1967 e 1978, no terreno adjacente ao Hotel Embajador, o Estado Dominicano construiu o projeto que melhor resume as contradições da política habitacional do primeiro período de Balaguer: Jardines del Embajador.
Projetado pelo arquiteto Pedro José Borrell Brentz, este complexo foi o primeiro projeto de habitação pública na República Dominicana a incorporar elevadores, e seus blocos mais altos atingiram dez andares.
O que a diferenciava do restante da produção habitacional da época não era apenas sua escala, mas também sua destinação: era voltada para altos funcionários do Estado.
A qualidade espacial das unidades e a riqueza dos materiais de acabamento utilizados colocaram o empreendimento, nas palavras de Natalia Ulloa Cáceres, em uma categoria que poderia ser considerada luxuosa em comparação com o que foi construído em outros projetos.
O contraste com os bairros de habitação operária era impressionante. Enquanto em Mata Hambre e no bairro General Antonio Duvergé experimentavam tipologias de construção simples e econômicas, destinadas a trabalhadores e empregados de baixa e média renda, no terreno do Embajador, a construção era voltada para aqueles que tinham condições financeiras para encontrar moradia no mercado privado.
Ulloa Cáceres é direto ao apontar este ponto: a política habitacional do período não concebia programas voltados para o fomento da convivência entre as classes sociais, como acontecia no contexto ditatorial, mas sim um modelo de segregação explícita, com cada tipologia e cada projeto atribuído a um perfil socioeconômico diferente e a uma localização distinta na cidade.
As diferenças de custo
A tese de Marcos Prados Martín sobre a modernização autoritária em Ciudad Trujillo afirma que as moradias mais acessíveis no Ensanche Rhadamés, destinadas a altos funcionários desde a época de Trujillo, tinham um custo mensal de quarenta e um pesos dominicanos, em comparação com os treze e setenta e cinco pesos que uma casa custava nos bairros de Melhoramento Social próximos à cidade colonial.
Essa lacuna, institucionalizada desde o período anterior, foi perpetuada e ampliada sob o governo Balaguer. O critério de alocação não era a necessidade, mas o perfil do beneficiário dentro da estrutura estatal.
A área onde foram construídos os Jardines del Embajador não foi escolhida ao acaso, visto que a região em torno do Hotel Embajador, inaugurado em 1942 durante o regime de Trujillo como símbolo de modernidade e abertura ao turismo internacional, vinha se desenvolvendo ao longo das décadas de 1950 e 1960 como um dos corredores de terra mais valiosos da capital.
A construção de um complexo habitacional de luxo naquela área respondia tanto a uma lógica de distinção social quanto à dinâmica da especulação imobiliária fomentada pelo próprio modelo de desenvolvimento de Balaguer.
A cidade estava se organizando em torno de uma nova centralidade que deslocou o eixo do poder e do consumo para o oeste, e Jardines del Embajador fazia parte dessa mudança.
Os renomados autores
A produção arquitetônica da segunda geração de arquitetos dominicanos, atuantes nesse mesmo período, reflete a diversidade de escalas e usuários pretendidos da construção nas décadas de 1960 e 70. O arquiteto Edgardo Vega Malagón, formado pela Universidade de Santo Domingo e posteriormente na Itália, onde ampliou seus conhecimentos por meio do contato direto com as correntes do Movimento Moderno, realizou obras durante esses anos, como a sede da Alcoa em Cabo Rojo e a Superintendência de Bancos, onde aplicou o conceito de planta livre que aprendeu com Le Corbusier e Mies van der Rohe.
Rafael Calventi, formado na Itália e com experiência nos ateliês de Pierre Dufau na França e de Marcel Breuer e I.M. Pei nos Estados Unidos, projetou o edifício do Banco Central da República Dominicana em 1974, que a crítica classificou como uma das melhores obras arquitetônicas do país.
O escritório Cott e Gautier introduziu a solução de cobertura parabólica para armazéns industriais e executou o complexo Shell-Conalco de 1965, que o ensaio publicado na revista De Arquitectura, da UNPHU, descreve como tendo uma atitude neobrutalista na exacerbação da estrutura e em sua nudez.
Esses arquitetos trabalharam em paralelo com a produção de habitações financiadas pelo Estado, mas em circuitos diferentes e com recursos distintos. A discrepância entre a arquitetura institucional e cultural do período, de inegável qualidade técnica e formal, e a habitação social produzida em massa pelo Estado, revela o quanto a política habitacional não era priorizada como um problema arquitetônico, mas sim como uma questão política e econômica. Nesse contexto, alguns projetos habitacionais do período se destacam por razões opostas às dos Jardines del Embajador.
Os bairros de Las Caobas e Los Jardines del Norte, ambos construídos em 1978, no final do primeiro mandato de Balaguer no governo, são apontados por Ulloa Cáceres como exemplos de empreendimentos que utilizaram diversas tipologias habitacionais e que se destacam dos demais pela sua adaptação ao meio ambiente.

Em Las Caobas, o núcleo da escadaria foi usado como eixo em torno do qual dois blocos de apartamentos foram rotacionados para se adaptarem ao nível do solo, enquanto os acessos para pedestres ofereciam rotas alternativas às vias para veículos.
Em Los Jardines del Norte, as encostas naturais, os leitos das ravinas e a vegetação abundante da área foram respeitados, gerando o que Ulloa Cáceres descreve como uma versão local de uma cidade-jardim de baixa altura e média densidade, sobre a qual ele destaca que valeria a pena realizar um estudo específico.
Esses dois casos são exceções dentro de um período dominado pela lógica da reprodução tipológica e pela rapidez de execução. Em 1978, quando o Partido Revolucionário Dominicano chegou ao poder com Antonio Guzmán Fernández como presidente, a política construtivista de Balaguer chegou a um fim provisório.
Os doze anos de seu mandato transformaram fisicamente Santo Domingo de forma irreversível, mas o déficit habitacional não diminuiu.
A cidade cresceu sobre si mesma e para os lados, consumindo terras agrícolas, deslocando comunidades e construindo avenidas que dividiam bairros. Nesse processo, a habitação social serviu mais como argumento político e motor econômico do que como resposta a uma necessidade.
Série: História da habitação social na República Dominicana. (Capítulo IX).
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