O Ministério do Turismo (MITUR) publicou em 20 de maio o projeto de resolução que estabelece o registro obrigatório de aluguéis de temporada e seus anfitriões, com um prazo de 63 dias para consulta pública, que expira em dois dias
SANTO DOMINGO – O setor de aluguel por temporada, diretamente afetado pela resolução Mitur, não tomou conhecimento do processo por esse canal, mas sim por meio de um alerta da plataforma Airbnb.
“Estávamos acompanhando o assunto há mais de um ano, aguardando a publicação da minuta para podermos analisá-la, mas não recebemos nenhuma notificação formal. Também não vimos nenhuma cobertura da imprensa, então muitos de nós no setor não tínhamos conhecimento disso”, disse Yahaira Sosa, líder da Associação Dominicana de Investidores de Curto Prazo (ADORECO).
Segundo Sosa, a maioria dos proprietários, administradores e operadores só tomou conhecimento da mensagem quando a plataforma emitiu um alerta interno e convocou uma reunião com a comunidade de anfitriões esta semana.
O resultado: em vez dos 63 dias formalmente disponibilizados, o setor teve apenas quatro dias para ler um extenso texto, quatorze artigos com definições técnicas, requisitos documentais e regime de sanções, coordenar uma posição conjunta entre milhares de proprietários e operadores e apresentar observações antes do prazo final de terça-feira, 22 de julho.
A consulta baseia-se no artigo 22.º da Lei 167-21, sobre o Aperfeiçoamento e Simplificação da Regulamentação, que estabelece a consulta pública como requisito para as propostas regulamentares.
O comunicado oficial afirmava que a documentação estava disponível no portal de transparência do ministério e que os comentários poderiam ser enviados por correio ou pessoalmente. No entanto, segundo Sosa, a disponibilidade formal do documento em um site não significava, na prática, que as partes interessadas do setor estivessem cientes de sua existência.
“Estávamos todos um pouco perdidos”, disse Sosa. A sequência de eventos — uma minuta publicada sem aviso prévio às partes interessadas, a falta de cobertura da mídia e uma plataforma privada assumindo o papel de notificar o setor — deixa em aberto a questão da eficácia do mecanismo de consulta pública na prática, além do seu cumprimento formal.
A ADORECO já enviou um comunicado ao MITUR solicitando uma prorrogação do prazo e a abertura de uma mesa de diálogo técnico com o setor; esse comunicado foi publicado esta semana no El Inmobiliario.
Leituras recomendadas:
- A ADORECO solicita ao Ministério do Turismo que amplie a consulta pública sobre a regulamentação dos aluguéis de curta duração e alerta para os riscos para o setor
- Estudo destaca o impacto dos aluguéis de curta duração no país
- Especialista sugere que o governo crie uma licença para a operação de imóveis para aluguel de curta duração no país



