Ele disse que houve inúmeros golpes em que as pessoas chegaram às propriedades apenas para descobrir que não haviam alugado nada. "Isso aconteceu aqui e ali; na verdade, chegou ao ponto em que, devido à falta de regulamentação, as próprias plataformas decidiram proibir festas em imóveis alugados porque reconheceram que a situação estava fora de controle."
SANTO DOMINGO.- “Acredito que haja falta de informação a respeito disso. Para nós, o mais importante é a regulamentação, porque, no fim das contas, se uma pessoa se hospeda em um imóvel alugado por meio de uma plataforma tecnológica e algo lhe acontece, acontece na República Dominicana.”
Essa foi a resposta de Andrés Marranzini, vice-presidente da Associação de Hotéis e Turismo da República Dominicana (Asonahores), ao comentar a situação relativa à aplicação de impostos às plataformas digitais, prevista para agosto próximo, conforme anunciado pelo Governo Dominicano.
Marranzini esclareceu que este grupo está apenas exigindo que o aluguel de casas e apartamentos através da plataforma digital Airbnb seja regulamentado, a fim de proteger o país como destino turístico.
“O fato de se hospedarem em um hotel ou não é um fator determinante; o que nos preocupa é que o destino esteja sofrendo com eventos que vêm ocorrendo na ausência de regulamentação.”.
Ele afirmou que "em 400 cidades ao redor do mundo isso é regulamentado, que precisa ser registrado e atender a condições mínimas para que um imóvel para aluguel possa ser oferecido no mercado", insistiu.
Ele argumentou que, quando o imóvel é alugado, existem registros mínimos que garantem que, em caso de qualquer eventualidade, haja um responsável, que se saiba quem se hospedou, quantas pessoas se hospedaram, o que se sabe em um hotel; não estamos pedindo nada de errado”, ressaltou.

Marranzini explicou que, quando um imóvel é alugado, seja o proprietário ou o administrador do bem — já que agora é possível registrar um imóvel na República Dominicana em qualquer uma dessas plataformas sem necessariamente ser o proprietário, ou registrar um documento que comprove o usufruto dessa atividade para alugá-lo —, têm ocorrido muitos golpes com pessoas que chegam aos imóveis e não alugam nada.
“Isso aconteceu aqui e ali; além disso, chegou ao ponto em que, devido à falta de regulamentação, as próprias plataformas decidiram proibir festas em imóveis alugados, porque reconhecem que a situação estava fora de controle”, enfatizou.
Ele afirma que o colapso do euro não afetou a chegada de turistas europeus
O vice-presidente de Asonahores garantiu que a desvalorização do euro face ao dólar americano não teve um impacto negativo na chegada de turistas do continente europeu.
Marranzini argumentou que a consequência normal é uma queda quando o euro perde valor, mas a chegada de europeus à República Dominicana não diminuiu.
Em entrevista ao programa D'AGENDA, que vai ao ar todos os domingos no Canal 11 da Telesistema e na TV Quisqueya para os Estados Unidos, ele disse que vêm monitorando a movimentação da taxa de câmbio dólar-euro e que, anteriormente, quando o euro se desvalorizava em relação ao dólar, o turismo europeu diminuía, mas que desta vez isso não aconteceu.
“Inacreditavelmente, não neste momento, e digo inacreditavelmente porque em anos anteriores era uma métrica que acompanhávamos, já que a consequência normal seria uma queda, mas as pessoas continuam viajando apesar disso, e obviamente nossa estratégia geral, que é outra métrica que também acompanhamos, é o custo das passagens aéreas, que estamos considerando uma barreira para a continuidade do nosso crescimento”, explicou Marranzini.
Em relação a este último ponto, o líder empresarial do setor turístico acrescentou que estão tentando estimular novas rotas e novas companhias aéreas, participando e buscando incentivar a concorrência para que os preços se ajustem.
“Mas é um caso complexo devido ao aumento do preço do petróleo, aos custos operacionais e à escassez de pessoal. É uma questão muito complexa, e esse é o desafio para o crescimento do setor. O desafio reside na conectividade aérea, apesar de continuarmos trabalhando na incorporação de novos produtos e na melhoria do produto que oferecemos ao mundo a partir da República Dominicana”, explicou.
Andrés Marranzini informou que a chegada de turistas da Europa representa 30% do número total de visitantes estrangeiros que vêm ao país anualmente, e lembrou que em determinado momento esse número chegou a 45%.
“Acho que deveria ser um pouco menor, devido ao nível na América do Sul, que aumentou nos últimos meses, mas deveria ficar em torno de 30 a 40 por cento. Não acho que ultrapassará essa porcentagem, porque os Estados Unidos estão bem acima de 50 por cento”, explicou ele.
Ele afirmou que a chegada de turistas da Europa gira em torno de um milhão, quando se contabilizam os viajantes da Itália, França, Alemanha e Espanha; obviamente, em alguns casos, o número é maior ou menor, mas nunca inferior a 650 mil, e estima-se que ultrapasse um milhão este ano.
Marranzini confirmou que a "galinha dos ovos de ouro" do turismo dominicano são os Estados Unidos, e há muitas razões para isso. A primeira é a proximidade, a conexão do ponto de vista cultural, a capacidade do país de se conectar com o tipo de comida que eles procuram, o serviço que exigem, e o dominicano se conecta muito bem com o turista americano; eles se sentem muito à vontade, há muitas facilidades e não há grandes disparidades culturais.
“Então, há muitos elementos, mas o principal é a proximidade. No final das contas, da Costa Leste temos voos que variam de uma hora e quarenta minutos a quatro horas e meia, e ao longo de toda essa costa devem existir 100 milhões de potenciais visitantes norte-americanos, e esse continua sendo o nosso objetivo, e estamos indo muito bem, melhor do que qualquer outro no Caribe”, explicou ele.




