O governo anuncia que está trabalhando em uma nova proposta para tributar essas ferramentas
SANTO DOMINGO – O que começou como um projeto de regulamentação em 2022 para aplicar o ITBIS (Imposto sobre Valor Agregado) a plataformas digitais estrangeiras está de volta à mesa. Desta vez, sob a liderança do novo diretor da Direção-Geral de Impostos Internos (DGII), Pedro Urrutia, que garantiu esta semana que uma proposta para tributar serviços digitais estará pronta nos próximos 60 dias.
A informação foi publicada pelo Diario Libre, que noticiou as declarações de Urrutia durante um debate organizado pela Organização Nacional de Empresas Comerciais (ONEC), onde ele anunciou que a DGII está trabalhando em um mecanismo para aplicar um ITBIS de 18% a plataformas como Airbnb, Netflix, entre outros serviços digitais consumidos na República Dominicana.
“Todos os serviços digitais estarão sujeitos à tributação”, afirmou o funcionário, acrescentando que diversas plataformas demonstraram interesse em colaborar com o regime tributário.
A discussão, no entanto, não é nova. Nos últimos quatro anos, o governo dominicano anunciou repetidamente sua intenção de regulamentar e tributar as plataformas digitais que operam na República Dominicana, especialmente aquelas relacionadas a streaming, publicidade digital, transporte e aluguéis de curta duração, embora isso ainda não tenha se concretizado na prática.
Um debate de quatro anos
Em fevereiro de 2022, a DGII publicou a minuta do “Regulamento para a aplicação do ITBIS aos serviços digitais recebidos na República Dominicana e prestados por fornecedores estrangeiros”. O documento contemplava a tributação de plataformas como Airbnb, Uber, Netflix, Spotify, Google, Amazon e DiDi.
A proposta estipulava que as empresas estrangeiras seriam obrigadas a se registrar na agência e declarar o imposto por meio de um sistema simplificado. Na época, as autoridades insistiram que o imposto “não afetaria diretamente o consumidor”.
A entidade justificou então a medida com argumentos de equidade tributária e modernização fiscal, alegando que as empresas locais pagam impostos, enquanto muitas plataformas estrangeiras operam sem pagar impostos em território dominicano.
Entre anúncios, pausas e reformas
Ao longo do restante de 2022, diversas autoridades reiteraram que as regulamentações estavam "em estágio avançado" e próximas de serem implementadas.
Em junho daquele ano, o então diretor da DGII, Luis Valdez, garantiu que o projeto estava sendo acordado com as plataformas digitais e que o país não poderia ficar para trás em relação a outras economias que já tributavam esses serviços.
Um mês depois, o funcionário afirmou que o Governo previa arrecadar mais de 3 bilhões de pesos com a aplicação do imposto, insistindo novamente que o ônus não recairia sobre os consumidores.
No entanto, em outubro de 2022, o próprio Valdez descreveu a questão como "em suspenso", embora a proposta de Orçamento Geral do Estado para 2023 já incluísse receitas provenientes de plataformas digitais.
O então Ministro das Finanças, José Manuel Vicente (Jochi), chegou mesmo a afirmar que não tributar estas plataformas "seria um sacrilégio", especialmente tendo em conta o crescimento de modelos como o Airbnb em comparação com os hotéis tradicionais.
Airbnb e a pressão do setor turístico
Paralelamente ao debate tributário, o rápido crescimento do Airbnb na República Dominicana intensificou a pressão do setor turístico para o estabelecimento de regulamentações.
Em diversos artigos publicados pelo El Inmobiliario entre 2022 e 2024, associações hoteleiras, empresários do setor turístico e representantes do setor imobiliário insistiram na necessidade de regulamentar as plataformas de aluguel de curta duração, citando preocupações relacionadas à concorrência desleal, segurança, controle sanitário e proteção da imagem do país.
Entre as entidades que se manifestaram publicamente estavam a Associação Dominicana de Hotéis e Turismo (Asonahores), a Associação Dominicana de Empresas de Turismo e Imobiliárias (ADETI), entre outras.
David Collado e seus anúncios na Fitur
Durante os anos de 2023 e 2024, o Ministro do Turismo, David Collado, falou em diversas ocasiões sobre a necessidade de regulamentar as operações do Airbnb no país.
Na FITUR 2023, ele afirmou que havia um "acordo preliminar" com o Airbnb para avançar rumo à regulamentação, esclarecendo que o objetivo inicial não estava relacionado a impostos, mas sim à segurança e ao controle de qualidade.
Um ano depois, durante a FITUR 2024, foi anunciado novamente que o acordo com o Airbnb seria finalmente assinado em fevereiro. No entanto, o processo foi adiado mais uma vez.
Posteriormente, em maio de 2024, Collado explicou que tanto a regulamentação do turismo quanto o aspecto tributário seriam integrados à futura reforma tributária , razão pela qual as medidas ainda não haviam entrado em vigor.
Uma tentativa falhada e uma nova tentativa em 2026
Embora o debate tenha perdido força pública por vários meses, as autoridades continuaram trabalhando em mecanismos tributários relacionados a plataformas digitais.
Em 2025, o governo aprovou o Decreto 30-25, que estabelecia normas para a cobrança e aplicação do ITBIS (Imposto sobre Valor Agregado) sobre serviços digitais. No entanto, essa medida foi posteriormente revogada.
A vice-presidente da República, Raquel Peña, declarou que a medida foi anulada porque não existiam as condições para tal.
“Na verdade, não estávamos preparados para emitir esse decreto e, como vocês já ouviram o presidente Abinader dizer, quando algo não está pronto para ser feito em determinado momento, é retirado ou feito no momento apropriado”, disse o vice-presidente, segundo o Listin Diario.
Agora, sob a liderança de Pedro Urrutia na DGII, a questão voltou à agenda pública com sua declaração de que a instituição está trabalhando em uma nova proposta com o objetivo de tributar os serviços digitais utilizados em território dominicano.
Será que desta vez vai acontecer?
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