SANTO DOMINGO -Em pelo menos quatro ocasiões, o Ministro do Turismo, David Collado, anunciou uma data ou se referiu à necessidade de a República Dominicana regulamentar os serviços de aluguel de curta duração, uma solicitação que empresários ligados ao setor turístico vêm fazendo há vários anos.
O último anúncio sobre o assunto foi feito pelo funcionário na semana passada, durante a Feira Internacional de Turismo (Fitur) 2024, onde Collado anunciou que um acordo será assinado em fevereiro de 2024 com o Airbnb, a plataforma de aluguel de curta duração mais popular do mundo, para regulamentar suas operações em território dominicano.
Ele esclareceu, no entanto, que o acordo excluirá a componente fiscal e se concentrará em medidas de segurança e inspeções de qualidade, a fim de garantir que os turistas não sejam explorados em propriedades alugadas e que a imagem do país seja protegida. "Assim como regulamentamos os hotéis no país", explicou Collado.
Há um ano, no mesmo evento Fitur em Madri, Espanha, David Collado revelou que o governo havia assinado uma carta de intenções com o Airbnb para regulamentar a plataforma na República Dominicana. Após um ano sem nenhuma ação concreta, ele fez o anúncio novamente, destacando que o documento do acordo foi redigido e está sendo analisado pela Associação Dominicana de Hotéis e Turismo (Asonahores), uma das associações que mais tem exigido medidas em relação ao Airbnb, dado o crescimento da plataforma no país.
O freio
Collado afirmou que o Airbnb não resistiu à regulamentação. "Se os convidarmos a assinar amanhã, eles assinarão amanhã. É uma questão de consenso com o setor privado, que quer que isso seja feito em conjunto com as autoridades fiscais", disse ele. "Dissemos à Asonahores que, se eles não responderem, ainda assim publicaremos a regulamentação em fevereiro.".
David Llibre, presidente da Asonahores, manifestou em abril do ano passado o interesse em regulamentar as plataformas que facilitam a oferta de imóveis para aluguel de curta duração para turistas e particulares no país, como o modelo do Airbnb.
Segundo o site "Recorriendo con Salvador", o representante da Asonahores afirmou que duas propostas já foram enviadas ao Ministério do Turismo e que está ciente da necessidade de agilizar sua aprovação.
Ele reconheceu que houve progresso, "mas agora depende das autoridades se será aprovado em 2023".
Ele esclareceu que as acomodações privadas representam uma opção turística moderna que atrai mais turistas, mas é necessário garantir a segurança para proteger os turistas que utilizam esse tipo de hospedagem.
O DGII
Em julho de 2022, o chefe da Direção-Geral de Impostos Internos (DGII), Luis Valdez, afirmou que a aplicação do imposto sobre plataformas digitais tinha como objetivo arrecadar gradualmente três bilhões de pesos, incluindo todos os serviços prestados por Amazon, Expedia, Google, Netflix, Spotify, DiDi, Uber e Airbnb.
Ele acrescentou que a implementação desses impostos "não tem a intenção de onerar os consumidores" e que, por esse motivo, os projetos de regulamentação estão sendo discutidos e acordados antes de sua aprovação.
A agência submeteu o projeto a audiências públicas em 2022, e sua aprovação está pendente pelo Poder Executivo.
"Essa questão tributária virá depois, com a política fiscal do governo, mas já a regulamentamos em fevereiro, porque precisamos que o Airbnb seja regulamentado em nosso país por razões de segurança", declarou o Ministro Collado na semana passada.
Outros
Em fevereiro de 2023, David Collado justificou os motivos para a "regulamentação" dos serviços do Airbnb na República Dominicana, assegurando que um acordo preliminar havia sido firmado com a plataforma. "Já temos um acordo preliminar com o Airbnb. Para a Secretaria de Turismo, é extremamente importante que os quartos do Airbnb sejam regulamentados", afirmou.
Collado afirmou repetidamente que o objetivo não é "impor", mas sim regulamentar, e que a plataforma Airbnb manifestou interesse em se adequar às normas.
“O Airbnb quer regularizar suas operações, mas não se trata de uma questão tributária. Quando você aluga um apartamento pelo Airbnb na República Dominicana, a plataforma paga impostos em Miami. A plataforma não está sonegando impostos porque é impossível sonegar impostos nos Estados Unidos. A República Dominicana não está recebendo os impostos que paga e quer ser transparente e assinar um acordo”, afirmou David Collado durante um almoço oferecido pelo Grupo de Comunicação Corripio em fevereiro de 2023.
Em setembro passado, Collado afirmou que a regulamentação de plataformas de aluguel de temporada como o Airbnb na República Dominicana seria assinada em outubro.
Em entrevista ao Diario Libre, por ocasião do Dia Mundial do Turismo, o ministro especificou que este acordo de regularização garantirá que a oferta corresponda à realidade e que os serviços e a segurança do turista-usuário sejam assegurados.
Ele destacou que a oferta do Airbnb na República Dominicana totaliza 93.000 quartos no país.
Fontes: Diario Libre/Hoy/El Caribe/Recorriendo con Salvador.




