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Tributar as plataformas digitais só trará benefícios ao governo, afirma o Observatório de Mídia Digital

Por Gissel Taveras

El Inmobiliario

SANTO DOMINGO - O surgimento da pandemia de Covid-19 no país interrompeu uma reforma tributária que estava prevista para 2021. Três anos depois, com a crise sanitária já superada e sua implementação iminente neste novo governo, a incerteza ressurge.

Os diversos setores econômicos aguardam os desdobramentos, principalmente porque as informações foram mantidas em segredo, e embora o presidente Luis Abinader tenha indicado que haverá reformas, ainda não se sabe ao certo quais mercados serão afetados. 

O que é certo é que o novo pacote trará uma modificação substancial no Imposto sobre a Transferência de Bens e Serviços Industrializados (ITBIS), além de ter havido menção à aplicação de uma redução gradual do imposto de 18% para 17% e, posteriormente, à sua fixação em 16%.

Em relação à mídia digital, ocorrerá o oposto; espera-se um aumento no imposto, embora as porcentagens ainda não tenham sido oficialmente anunciadas.

Nesse sentido, Cristal Acevedo, presidente do Observatório de Mídia Digital, explicou que a regulamentação das plataformas na República Dominicana só beneficiará o governo, pois permitirá arrecadar mais dinheiro dos usuários que pagam por esses serviços.

“Se o Governo incluir na reforma tributária a penalidade ou o pagamento de impostos a essas plataformas digitais, elas não vão descontar esse dinheiro de seus lucros, mas no final nós, dominicanos, também acabaremos tendo que pagar para usar esses serviços de empresas que nem sequer operam no país.”.

Ele afirmou que, em muitos casos, os consumidores optam por usar uma plataforma justamente porque esse serviço é muito mais barato do que alguns serviços oferecidos no país. 

“Se essas plataformas também forem oneradas com impostos, o custo para o usuário aumentará e, no final, quem sofrerá serão justamente as pessoas que continuam pagando altas taxas de impostos sem receber nenhum benefício do governo.”.

Ele também afirmou concordar com novos impostos, desde que a carga tributária seja proveniente dos lucros das empresas; caso contrário, "não concordo se o pagamento sair do bolso do cidadão, pois isso afetaria suas finanças pessoais".

Entretanto, o chefe da Direção-Geral de Impostos Internos (DGII), Luis Valdez, afirmou que a aplicação do imposto às plataformas digitais visava arrecadar gradualmente três bilhões de pesos, incluindo todos os serviços prestados por Amazon, Expedia, Google, Netflix, Spotify, DiDi, Uber e Airbnb.

Ele acrescentou que a implementação desses impostos "não tem a intenção de onerar os consumidores" e que, por esse motivo, os projetos de regulamentação estão sendo discutidos e acordados antes de sua aprovação.

David Collado referiu-se à necessidade de o país regulamentar os serviços de aluguel de curta duração, um pedido que os empresários ligados ao setor turístico vêm fazendo há vários anos.

Durante a Feira Internacional de Turismo (Fitur) 2024, Collado anunciou que um acordo será assinado em fevereiro de 2024 com o Airbnb, a plataforma de aluguel de curta duração mais popular do mundo, para regulamentar suas operações em território dominicano.

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