Os proprietários ligados à Aprecc disseram que já se passaram vários dias sem que as autoridades tenham emitido um relatório oficial sobre o assunto, nem tenham informado sobre o estado de outros imóveis próximos ao prédio onde ocorreu o desabamento.
SANTO DOMINGO– A Associação de Proprietários e Moradores da Cidade Colonial (Aprecc) solicitou ontem que as autoridades realizem os estudos de solo necessários em todos os projetos de construção, na esperança de que essa medida evite desabamentos como o ocorrido no Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Topógrafos (Codia) na noite de 10 de junho.
"Nós nos oferecemos para colaborar com as autoridades por meio da participação cidadã em tudo o que for necessário para tornar a Cidade Colonial um território sustentável", disse Julie Carlo, em uma coletiva de imprensa na qual também solicitaram melhorias às autoridades nos regulamentos para concessão de alvarás e fiscalização de obras, bem como na fiscalização especial que os edifícios da Cidade Colonial devem ter, devido às suas características estruturais.
Os proprietários ligados à Aprecc disseram que já se passaram vários dias desde o incidente, e ainda assim as autoridades não emitiram um relatório oficial sobre o assunto, nem informaram sobre o estado de outros imóveis próximos ao prédio onde ocorreu o desabamento.
Em relação ao empréstimo de 90 milhões de dólares concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), moradores e proprietários de imóveis na Cidade Colonial argumentaram que "esse processo, acompanhado de grandes investimentos, está causando conflitos entre diferentes usos do solo, prejudicando o uso residencial (que deveria ser prioridade) em comparação com o uso comercial, turístico, de estacionamento ou de pseudo-quartos (como casas de aluguel por temporada e hotéis)".
Osíris de Leão
O geólogo Osiris de León, que acompanhou os membros da Aprecc, indicou que os edifícios da Cidade Colonial não são feitos de concreto ou cimento, mas de alvenaria, terra e tijolo.
O especialista afirmou que, por isso, é muito importante realizar estudos e tomar medidas nos projetos de construção no centro histórico de Santo Domingo, e que as pessoas têm experiência no assunto.
Em relação ao desabamento do edifício Codia na Rua Padre Billini, o especialista apontou que foi devido a perfurações sob as colunas, realizadas por engenheiros que trabalhavam em um hotel em construção ao lado. Ele lembrou que o mesmo aconteceu com o Hotel Francés em 2015.
O geólogo queixou-se de que, se a Direção do Património Monumental tivesse supervisionado a obra, teria reparado que o buraco feito debaixo do muro não era adequado, por se tratar de uma construção antiga.
Considerando a idade dos edifícios e os projetos em pauta, um estudo minucioso de toda a área da Cidade Colonial é necessário, afirmou de León.




