CIDADE DO MÉXICO – No âmbito da agenda climática global, a Federação Interamericana do Cimento (FICEM) realizou o congresso "Cimento e Concreto Verde 2050" na Cidade do México, que contou com a presença da Associação Dominicana de Produtores de Cimento Portland (ADOCEM) e uma representação do Governo Dominicano, além de entidades congêneres da América Latina e do Caribe.
A pauta da reunião incluía a discussão da aceleração de caminhos neutros em carbono na indústria de cimento e concreto, bem como atualizações sobre as melhores práticas existentes na valorização (coprocessamento) e gestão eficaz de resíduos.

A delegação dominicana foi liderada por Julissa Báez, diretora executiva da ADOCEM; Max Puig, vice-presidente executivo do Conselho Nacional de Mudanças Climáticas e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CNCCMDL); Armando Paíno Henríquez Dájer, diretor executivo do Conselho de Administração do Fundo Público-Privado para a Gestão Integrada de Resíduos Sólidos; e Dania Heredia, diretora jurídica da Cemex Dominicana.
Durante dois dias, os participantes tiveram a oportunidade de discutir o papel dos setores público e privado, os desafios e oportunidades do cimento e do concreto na adaptação e resiliência climática, o potencial de valorização de resíduos na indústria cimenteira na América Latina e no Caribe e como a economia circular é essencial para alcançar a neutralidade de carbono no setor.
No último dia do evento, os participantes visitaram a estação de transferência e triagem de resíduos de Azcapotzalco, a maior e mais moderna da América Latina, com capacidade para processar mil toneladas de resíduos urbanos por dia e convertê-los em combustível alternativo de baixo carbono para coprocessamento.
O coprocessamento é uma alternativa que permite a destruição de resíduos no forno de cimento, transformando-os em combustível derivado de resíduos. Esse combustível passa por um processo de tratamento e homogeneização para atingir níveis ótimos de qualidade. Esse processo não gera cinzas ou outros resíduos, mitigando assim a pegada de carbono como parte da estratégia de sustentabilidade ambiental da empresa.

A delegação também visitou a fábrica de cimento Cemex Barrientos, que utiliza 35% de combustíveis alternativos derivados de plásticos, pneus usados e outras fontes.
Julissa Báez, da ADOCEM, afirmou que alcançar a neutralidade de carbono, contribuir para a adaptação climática e para uma economia circular exige trabalho conjunto entre diferentes atores, como a academia, a indústria, os governos e as entidades financeiras, entre outras partes interessadas.
"A produção de cimento com baixas emissões é dispendiosa e exige marcos legais ou incentivos que geralmente não existem para este setor, daí a importância de que, durante este congresso, tenha sido ratificada a necessidade de um compromisso de trabalho colaborativo para alcançar esses objetivos", afirmou Báez.
A ADOCEM destaca que, para alcançar uma maior otimização energética na indústria cimenteira e uma redução significativa das emissões de CO2, a melhor alternativa é substituir os combustíveis fósseis e as matérias-primas durante o processo de produção do cimento.




