Po Escarlin Pozo
El Inmobiliario
SANTO DOMINGO.- Este 8 de maio amanheceu envolto em cinza. Desde as primeiras horas, um ar de luto e lembrança pairava no ar. Foi um dia que reabriu uma ferida que ainda não cicatrizou, relembrando aquele fatídico 8 de abril, quando o teto da boate Jet Set desabou, mergulhando o país em profunda tristeza.
Um mês após a tragédia, a dor, as lágrimas e o desespero retornaram ao Marco Zero com a presença de familiares, entes queridos e cidadãos, que compareceram a uma missa solene em homenagem às 233 vítimas que perderam a vida em uma das piores tragédias que a nação já vivenciou.
Diversos cartazes com mensagens exigindo justiça estavam pendurados nas cercas que ainda circundam a estrutura. Velas acesas, flores e fotos dos falecidos permanecem, transformando este espaço em um local de luto.
Os dias que se seguiram ao desastre

O edifício Jet Set, em ruínas, foi confiscado pelas autoridades. (Foto/EL INMOBILIARIO).
Poucas horas após o desabamento, o país começou a se encher de rostos desolados. Famílias acorreram ao local na esperança de encontrar seus entes queridos com vida. Algumas tiveram sucesso; outras, infelizmente, não.
No dia 10 de abril, as autoridades anunciaram o fim das buscas e do resgate, dando início a um dos momentos mais difíceis: a remoção de todos os destroços para vasculhar a área.
No dia seguinte, o Governo anunciou a criação de uma equipe de especialistas nacionais e internacionais, sob a égide do Gabinete Nacional de Avaliação Sísmica e Vulnerabilidade de Infraestruturas e Edifícios (ONESVIE), para determinar as causas do desabamento.
Reações e responsabilidades
Com o passar dos dias, as lágrimas começaram a gerar questionamentos, dando lugar à coragem dos familiares e amigos das vítimas, que ergueram suas vozes em busca de justiça.
Entre eles estava a cantora e corista Zulinka, filha do cantor de merengue Rubby Pérez, que pediu justiça para seu pai, que perdeu a vida enquanto se apresentava para o público na noite do desabamento na boate Jet Set.
Em 16 de abril, o Ministro da Habitação e Edificações, Carlos Bonilla, anunciou um projeto de lei que visa fortalecer a fiscalização de prédios antigos com grande fluxo de pessoas.
Da mesma forma, o senador Omar Fernández propôs um projeto legislativo com dez medidas urgentes: desde o Cadastro Nacional de Vítimas até a proteção prioritária dos órfãos da tragédia.

Flores e velas foram colocadas ontem para marcar o primeiro mês desde a tragédia. (Foto/Jornal HOY).
Quando o calendário marcou 23 de abril, o país aguardava notícias de Antonio Espaillat, proprietário da Jet Set, que decidiu participar de uma entrevista no programa “El Día”.
Em resposta à jornalista Edith Febles, Espaillat revelou que o imóvel nunca foi submetido a uma inspeção estrutural pelo Estado e que, desde o dia de sua aquisição em 1994, o edifício sofria com infiltrações.
No mesmo dia, o advogado Francisco Álvarez afirmou que a tragédia do Jet Set é um caso “complexo” e que marcará um ponto de virada na jurisprudência dominicana.
Em 29 de abril, numa entrevista ao mesmo programa, a engenheira Frinet Muñoz confirmou o que muitos já suspeitavam: a tragédia poderia ter sido evitada.
Durante sua participação, ele apontou falhas óbvias como corrosão, sobrecarga e negligência, que deveriam ter sido detectadas se os protocolos técnicos estabelecidos tivessem sido aplicados.
Ações legislativas
Na sequência do colapso que marcou o país, um total de 24 propostas legislativas, incluindo 15 projetos de lei e nove resoluções, foram apresentadas no Congresso Nacional.
Após a perda de seu irmão, a deputada Lidia Pérez, irmã da cantora Rubby Pérez, apresentou um projeto de lei para a supervisão e inspeção periódica da infraestrutura.
Uma dor persistente

Cartazes afixados para marcar um mês da tragédia. (Crédito/DIARIO LIBRE).
Em 2 de maio, a ferida se reabriu com a notícia da morte de Evelyn Navarro, uma jovem que havia sobrevivido ao desabamento. Sua morte abalou mais uma vez uma população ainda emocionalmente vulnerável.
Um dia antes de completar o primeiro mês, a Procuradoria-Geral da República apreendeu formalmente o imóvel onde a Jet Set funcionava, colocando oficialmente uma placa de interdição.
Membros da família entram com ações judiciais
Até o momento, foram ajuizadas 40 ações judiciais formais, incluindo processos criminais e cíveis, além de queixas adicionais, algumas por furto ocorrido durante a tragédia.




