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A tragédia no Jet Set reacende o debate sobre o controle estrutural e as licenças na República Dominicana

Ele instou o Governo a criar, por decreto, uma norma que obrigue as instituições públicas a realizar uma revisão das instalações e de quaisquer renovações que surjam, bem como um processo de licenciamento devidamente gerido.

Por Escalin Well

El Inmobiliario

SANTO DOMINGO -A arquiteta Carolina Llobregat afirmou que, para determinar as causas do desabamento do teto da boate Jet Set, que deixou um total de 221 mortos, é necessário realizar uma avaliação técnica que inclua engenheiros estruturais e a participação do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC).

Apesar dessa posição clara, ele abordou as possíveis causas do evento fatal, atribuindo-o possivelmente ao excesso de peso, descartando outras causas externas.

Ele explicou que, conhecendo o local e vendo fotos do desastre, possíveis sinais prévios de falha estrutural, como vazamentos visíveis, que levaram à aplicação de camadas de aterro fino para solucionar o problema, poderiam ter sido ignorados.

“O prédio desabou devido a um problema estrutural. Não houve incêndio, terremoto, deslizamento de terra, furacão ou problema hidráulico; uma laje simplesmente caiu e afetou todos que estavam dentro”, explicou ele.

Em entrevista ao El Inmobiliario, ela afirmou: “É muito fácil pensar que estava sobrecarregado. Essa é a única explicação. A menos que tenha havido uma bomba. Estava sobrecarregado e desabou.”.

“Se havia infiltrações, e é possível ver várias camadas finas de argamassa nas fotos, isso significa que havia vazamentos e eles estavam adicionando uma camada. Eles tinham mais problemas e adicionaram outra camada, em vez de resolver o problema”, opinou ele.

Llobregat também afirmou que a República Dominicana não possui supervisão adequada, nem por parte do Estado, nem pelos próprios proprietários.

Nesse sentido, ele salientou que não existe no país nenhuma instituição que supervisione as renovações ou o estado de um edifício a nível estrutural e técnico.

“Isso sugere que nem todas as propriedades neste país são adequadamente supervisionadas, não apenas pelo Estado ou pelas instituições que deveriam fornecer essa supervisão, mas também por entidades privadas. Se você possui um negócio onde milhares de pessoas circulam, sua obrigação é manter uma supervisão rigorosa para evitar acidentes e outros problemas”, afirmou.

Segundo a arquiteta, as reformas internas não são rigorosamente inspecionadas. Nesse sentido, ela pediu providências para evitar novas catástrofes que possam mergulhar o país em luto, como aconteceu na última terça-feira, 8 de abril.

Nesse sentido, ele instou o Governo a criar, por decreto, uma norma que obrigue as instituições públicas a realizar uma revisão das instalações e de quaisquer renovações que surjam, bem como um processo de licenciamento devidamente gerido.

“Seria um exemplo até internacional, em que todos aqueles que realizaram reformas, ampliações ou modificações internas em uma estrutura deveriam atualizar sua documentação e submetê-la para obtenção das licenças. Porque isso poderia acontecer novamente em qualquer estabelecimento, em qualquer lugar do país, até mesmo em igrejas ou na Zona Colonial”, destacou.

Ele também abordou o fato de que o impacto transcende o aspecto estrutural, pois afeta a confiança dos cidadãos e dos turistas que chegam ao país.

“Lamento muito. E, acima de tudo, acho que isso prejudica muito a imagem do país, algo que este governo tanto preza”, expressou o especialista, visivelmente consternado com a magnitude da tragédia.

Uma segunda opinião

Um engenheiro especializado no assunto, que pediu para permanecer anônimo, explicou que a estrutura que desabou era composta por "vigas protendidas com uma laje de cobertura de 5 cm, com 25 metros de comprimento, que cederam devido ao cisalhamento causado pela sobrecarga de equipamentos de transformadores e resfriadores de ar condicionado, usina elétrica e mais de duas camadas de material fino".

Ele também abordou o fato de a estrutura do Jet Set possuir "vigas simplesmente apoiadas".

“A vibração dos equipamentos causa a deflação e a desintegração dos materiais de concreto. É por isso que vimos poeira e água caindo, resultado dos resfriadores e dos ralos entupidos”, explicou ele.

Foto: Listín Diario.

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