Por Escarlin Pozo
El Inmobiliario
SANTO DOMINGO -Ao comentar a tragédia ocorrida na boate Jet Set, após alguns veículos de comunicação noticiarem o suposto congelamento de bens pertencentes ao proprietário da boate, Antonio Espaillat, o advogado Francisco Álvarez Martínez afirmou que o Ministério Público tem o poder de solicitar a um juiz competente o congelamento de fundos e bens quando julgar necessário.
O advogado, no entanto, expressou ceticismo quanto à implementação de tal medida. Ele explicou que existe a possibilidade de as autoridades solicitarem à Superintendência de Bancos e Valores Mobiliários a emissão de relatórios sobre as contas de Espaillat, bem como informações sobre seus bens imóveis.
“Agora, quais seriam as consequências se isso fosse verdade? – em relação à imobilização – Em primeiro lugar, e digo isso de forma ilustrativa, todos os bens da empresa seriam lacrados. Isso impediria a pessoa de dispor deles”, explicou o especialista em conversa com os apresentadores do programa “El Día”, da Telesistema.

Francisco Álvarez Martínez. (FONTE EXTERNA).
Referindo-se à cobertura para danos causados pelo desabamento do teto da boate, que deixou 232 mortos e mais de 180 feridos, o advogado indicou que o seguro contratado poderia funcionar como uma garantia complementar.
No entanto, ele salientou que, se o valor segurado for insuficiente, a empresa terá de cobrir a diferença.
“Agora, se o dano exceder essas condições, obviamente, a pessoa, neste caso a empresa, terá que arcar com a diferença, pois o seguro contratado pelo dono da boate não será aplicado ao terceiro que sofreu o dano. Ou seja, como consta aqui, é uma garantia do proprietário do estabelecimento, mas não é algo que condicione a possibilidade de a vítima, a parte afetada ou as pessoas ligadas à vítima terem acesso à indenização”, afirmou.
Ele também afirmou que, em princípio, a responsabilidade pelo pagamento recai sobre a empresa e que, se esta não puder cobrir todas as reivindicações — que podem vir de cerca de 400 pessoas com diferentes motivos e valores —, os sócios não respondem automaticamente com seus ativos.
“Os sócios só poderão ser responsabilizados, em última instância, pelo valor nominal que detêm na empresa, mas mesmo isso não acontece automaticamente”, esclareceu ele.
Francisco Álvarez considerou o caso "complexo" e afirmou que essa infeliz tragédia poderia marcar uma virada na jurisprudência dominicana.
“Sinceramente, acredito que este seja um caso histórico na República Dominicana, pois irá confrontar muitos princípios históricos consagrados. Digamos que será visto como uma questão de justiça social”, afirmou o especialista jurídico, sócio-fundador do escritório Fabogados.




