Por Ashley Morales-Cartagena
Especial para El Inmobiliario
Puerto Plata, 2003: o desabamento de duas escolas nos lembrou da fragilidade de nossas salas de aula. Se aquele terremoto tivesse ocorrido durante a manhã, ainda estaríamos de luto por aquelas crianças.
Na madrugada de 22 de setembro de 2003, às 00h45, Puerto Plata foi abalada por
um terremoto de magnitude 6,4 que sacudiu a cidade em segundos. Eu tinha 15 anos e estava no
segundo ano do ensino médio, acordado fazendo a lição de casa quando senti a cômoda vibrar. Por um
instante, pensei que ela fosse cair em cima de mim. Eu estava em Santo Domingo — estava com medo pelos meus pais —
era a primeira vez que eu sentia um terremoto de grande magnitude.
Naquela época, as redes sociais estavam apenas começando, e compartilhar informações instantaneamente parecia algo do futuro. Muitas perguntas começaram a surgir na minha mente sobre o que havia acontecido e onde. Os noticiários da manhã indicavam que um terremoto havia ocorrido em Puerto Plata. O impacto mais forte foi sentido na Escola Secundária Urbana Gilbert "La Reforma", onde um prédio desabou quase completamente, com o primeiro andar cedendo e os telhados arrancados.
Muito perto dali ficava a Escola Secundária José Dubeau, que também sofreu danos graves com o colapso parcial
de uma de suas estruturas e rachaduras profundas que comprometeram a segurança de suas salas de aula.
Prédios escolares que deveriam servir de abrigo – por exemplo, após um
terremoto – foram reduzidos a paredes quebradas e escombros.
Agora, imagine que esse cenário tivesse ocorrido às 10h da manhã. Com as salas de aula
lotadas, o desabamento na escola La Reforma teria ceifado a vida de centenas de crianças em Puerto Plata.
Como teríamos reagido? O que teríamos feito com as crianças e os professores presos nas
duas escolas? Talvez os hospitais estivessem sobrecarregados e nossas
equipes de resgate teriam enfrentado uma tarefa árdua e desafiadora. Essa tragédia não aconteceu em 2003 porque o
terremoto ocorreu no meio da noite, mas continua sendo uma ameaça real enquanto tantas escolas dominicanas
permanecerem em condições vulneráveis.
Mais de duas décadas depois, o país ainda não abordou essa vulnerabilidade de forma abrangente.
Avaliações recentes da UNESCO, por meio do projeto BERLAC e da metodologia VISUS,
confirmam que uma grande proporção das escolas dominicanas apresenta
deficiências estruturais que podem levar a terremotos. Milhares de crianças estudam diariamente sob telhados que podem não
resistir ao próximo terremoto.
A segurança escolar deve ser adotada como política de Estado. As ações urgentes são
claras:
1. Realizar uma avaliação de vulnerabilidade sísmica em todas
as escolas públicas e privadas, bem como em hospitais.
2. Implementar reforço sísmico priorizando as áreas mais expostas, próximas a
falhas ativas e com o maior número de estudantes.
3. Garantir a conformidade com os códigos de construção, por meio de
inspeções reais e independentes.
4. Capacitar as comunidades escolares em prevenção e resposta a emergências.
Nossos filhos não podem esperar. Se as salas de aula tremem, o futuro da nação treme.
A resiliência não é improvisada: ela se constrói hoje, começando pelas escolas.
O autor é engenheiro civil, especializado em engenharia geotécnica e resiliência sísmica.
As opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade do seu autor.




