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Rússia e Ucrânia: 4 pontos-chave para entender o início da operação militar declarada por Vladimir Putin

Retirado da BBC Mundo

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou uma "operação militar especial" no leste da Ucrânia na manhã de quinta-feira. As primeiras explosões foram ouvidas imediatamente depois em várias cidades ucranianas.

Na segunda-feira, Putin já havia anunciado o envio de tropas russas para as regiões rebeldes de Donetsk e Luhansk, após reconhecer a independência de ambas.

Putin
O presidente russo Vladimir Putin assina um decreto reconhecendo a independência de duas regiões separatistas apoiadas pela Rússia no leste da Ucrânia. /Foto: REUTERS.

As ações de Putin levaram à invasão da Ucrânia, e há temores na Europa de que o conflito possa escalar para uma guerra envolvendo mais países. A condenação internacional foi imediata, e o presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou na quarta-feira que a Rússia será responsabilizada por suas ações.

No entanto, Washington rejeitou a possibilidade de enviar tropas na quarta-feira.

Este é o capítulo mais recente de um conflito que remonta pelo menos a 2014, quando a Rússia assumiu o controle do território ucraniano da Crimeia e apoiou forças separatistas pró-Rússia nas regiões de Donetsk e Luhansk.

1. O que Putin disse ao anunciar a "operação militar especial"?

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira uma "operação militar especial" na região de Donbas, no leste da Ucrânia.

Ele anunciou isso em um discurso televisionado que ocorreu ao mesmo tempo em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas o implorava para que interrompesse todas as ações militares.

Putin afirmou que a operação visa à "desmilitarização e desnazificação da Ucrânia".

Ele explicou que a decisão foi tomada após receber um pedido de ajuda dos líderes dos territórios separatistas apoiados pela Rússia, formados no leste da Ucrânia em 2014, embora a inteligência ocidental já viesse alertando sobre uma possível invasão há semanas.

"Tomei a decisão de realizar uma operação militar especial. Seu objetivo será defender o povo que sofreu perseguição e genocídio nas mãos do regime de Kiev durante oito anos", declarou o presidente russo, em uma afirmação para a qual não apresentou provas.

Putin pediu aos soldados ucranianos que depusessem as armas imediatamente.

"Todos os membros do serviço militar ucraniano que cumprirem essas exigências terão permissão para deixar a zona de combate", disse ele.

Ele também emitiu o que pareceu ser um aviso a outros países, como os Estados Unidos, que têm apoiado a Ucrânia.

"Qualquer um que tente interferir conosco, ou pior, criar ameaças ao nosso país e ao nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e terá consequências sem precedentes em sua história. Estamos preparados para qualquer reviravolta.".

Volodymyr Zelensky
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia. /GETTY IMAGES.

2. Qual foi a reação da Ucrânia?

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, observou logo após o anúncio que "várias cidades ucranianas estão sob ataque".

"Putin acaba de lançar uma invasão em grande escala da Ucrânia. É uma guerra de agressão. A Ucrânia se defenderá e vencerá", disse ele. "O mundo precisa deter Putin", exigiu.

Na manhã desta quinta-feira, o presidente anunciou que a Ucrânia estava rompendo relações diplomáticas com a Rússia e garantiu que forneceria armas a qualquer pessoa que quisesse defender o território.

Pouco antes do anúncio de Putin e do início da operação militar, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyfez um discurso emocionado na televisão.

Zelensky falou primeiro em ucraniano e alertou que uma invasão russa seria "o início de uma grande guerra no continente europeu".

Em seguida, ele mudou para o russo e, nesse idioma, pediu à população do país vizinho que rejeitasse o ataque e salientou que estavam sendo enganados sobre a Ucrânia.

"Dizem que a chama [da guerra] libertará o povo da Ucrânia, mas os ucranianos são livres", disse ele, segundo a correspondente da BBC para a Europa Oriental, Sarah Rainsford.

O líder ucraniano enfatizou que seu país está preparado para um ataque russo e advertiu: “Não precisamos de nenhuma guerra, nem fria, nem quente, nem híbrida. Mas se as tropas nos atacarem, se tentarem tomar nosso país — nossa liberdade, nossas vidas, as vidas de nossos filhos — nós nos defenderemos.”.

"Se eles nos atacarem, verão nossos rostos, não nossas costas", disse o presidente ucraniano.

3. Como Putin justifica a "operação militar"?

Na segunda-feira, Putin já havia feito um discurso televisionado no qual anunciou que reconhecia a independência de duas áreas da Ucrânia controladas por separatistas apoiados pela Rússia.

Analistas interpretaram isso como um prelúdio para uma operação militar. De fato, na quarta-feira, regiões rebeldes pró-Rússia na Ucrânia pediram a Putin o envio de tropas.

Os argumentos de Putin contra a Ucrânia incluem questões históricas e de segurança.

Na segunda-feira, ele afirmou que a Ucrânia não tinha histórico de ser uma nação de verdade e acusou as autoridades ucranianas de corrupção.

Pouco depois do anúncio, Putin assinou uma ordem para que as tropas desempenhassem "missões de manutenção da paz" em ambas as regiões rebeldes.

Mapa mostrando as regiões de Luhansk e Donetsk

Gostaria de enfatizar mais uma vez que a Ucrânia não é apenas um país vizinho. Ela é parte integrante da nossa própria história, cultura e espaço espiritual”, disse ele.

Ele também acusou o governo ucraniano de ser um "fantoche" dos EUA e alegou, sem fundamento, que os ucranianos estão sendo "brutalizados" por seus líderes e que o país poderia obter armas nucleares e representar uma ameaça ainda maior para a Rússia.

Durante o discurso, Putin reiterou os perigos da admissão da Ucrânia na OTAN (a organização sequer incluiu a sua aceitação na sua agenda, sendo esta apenas uma aspiração de Kiev) e assegurou que, caso o país ingresse na aliança, a Rússia correrá o risco de sofrer um "ataque".

Putin também afirma, sem provas, que está sendo cometido um "genocídio" pela Ucrânia contra falantes de russo no leste do país.

4. Como surgiu essa situação?

As origens remontam a 2014, quando a Rússia assumiu o controle da Crimeia e apoiou forças separatistas no leste da Ucrânia.

Grupos rebeldes criaram repúblicas populares em Donetsk e Luhansk.

O conflito já causou a morte de cerca de 14.000 pessoas.

Em 18 de fevereiro, o serviço ucraniano da BBC informou que o uso de artilharia pesada e morteiros na região foi o mais intenso em anos.

Em seu relatório mais recente, observadores internacionais da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa relataram centenas de violações do cessar-fogo entre 17 e 18 de fevereiro.

Os líderes das duas áreas separatistas apoiadas pela Rússia anunciaram a evacuação dos moradores e disseram que a Ucrânia intensificou os bombardeios e estava planejando um ataque.

Denis Pushilin, chefe da República Popular de Donetsk (RPD), anunciou uma evacuação em um vídeo supostamente gravado na sexta-feira. No entanto, uma análise dos metadados do vídeo feita pela BBC mostrou que ele foi gravado antes do início das hostilidades.

Em novembro do ano passado, a Rússia começou a mobilizar um grande número de tropas em áreas próximas à fronteira com a Ucrânia.

Mas em 15 de fevereiro, Putin sugeriu que haveria uma retirada parcial das forças russas.

No entanto, a Ucrânia e seus aliados afirmaram que não houve redução no número de tropas russas nas áreas de fronteira.

"Eles sempre deslocaram forças de um lado para o outro", disse o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, um dia após o anúncio da Rússia.

"Tem sido um movimento de altos e baixos, de vai e vem, durante todo esse tempo; mas a tendência nas últimas semanas e meses tem sido um aumento constante das capacidades russas perto das fronteiras com a Ucrânia.".

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