O fluxo de navios de cruzeiro em 2025 é 166% maior do que em 2019, e tudo indica que o país fechará o ano com mais de três milhões de passageiros.
SANTO DOMINGO – Aos poucos, o país está conquistando seu espaço no Caribe e se consolidando como um dos principais atores no turismo de cruzeiros, tendo dobrado o número de passageiros marítimos em menos de uma década.
A República Dominicana está a caminho de fechar 2025 com mais de três milhões de passageiros de cruzeiro, de acordo com projeções do Ministério do Turismo e publicações especializadas como a Travel and Tour World, deixando para trás a imagem de destino apenas de sol e praia.
A expansão nesse segmento de mercado, graças à nova infraestrutura portuária, levou o país a ocupar o terceiro lugar entre os destinos de cruzeiro mais importantes do Caribe, atrás apenas das Bahamas e de Cozumel (México).
O crescimento, que se manteve mesmo após o boom pós-pandemia, não só marca um recorde histórico, como também confirma o fortalecimento de um novo pilar para a economia turística dominicana .
A chave para o posicionamento regional do país como referência reside nos modernos terminais de Puerto Plata (Amber Cove e Taíno Bay) e na inauguração de Cabo Rojo em Pedernales, juntamente com a diversificação de rotas e a colaboração público-privada.
O desafio agora é aproveitar esse volume de visitantes para o desenvolvimento local, a sustentabilidade e agregar valor às comunidades que os recebem.
Não são apenas números
Os números ilustram a magnitude da mudança: em 2019, o país recebeu cerca de 1,1 milhão de passageiros de navios de cruzeiro, segundo dados do Banco Central. A pandemia reduziu esse número a quase zero em 2020, mas a recuperação foi rápida.
Em 2024 chegou 2.656.305, um crescimento de 141% em comparação com 2019, conforme publicado pelo Dominican Today em janeiro de 2025. E até agosto de 2025, o Ministério do Turismo registrou 1.920.204 passageiros, 5% a mais do que no mesmo período de 2024.
Com as chegadas em setembro (98.511 passageiros de cruzeiro adicionais), o total de janeiro a setembro ultrapassa 2 milhões de visitantes marítimos.
Em termos comparativos, o fluxo de navios de cruzeiro em 2025 é 166% superior ao de 2019, e tudo indica que o país fechará o ano com mais de três milhões de passageiros, o que marcaria um novo recorde e consolidaria a posição do país nos próximos anos.
Os portos
Puerto Plata lidera o segmento com seus dois terminais modernos, Amber Cove (Carnival) e Taíno Bay, que juntos movimentam cerca de 80% do tráfego nacional, segundo o Caribbean Journal de agosto de 2025.
Cabo Rojo, em Pedernales, o novo porto turístico no sul, passou de receber apenas 11.000 passageiros em 2024 para mais de 50.000 somente no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Ministério do Turismo.
La Romana continua sendo um porto fundamental para embarque e escala de companhias europeias como a MSC e a Norwegian, enquanto Santo Domingo e Samaná mantêm operações de menor volume, mas de alta relevância estratégica.
Motor econômico e desafios
O turismo de cruzeiros gera um impacto econômico crescente, já que cada passageiro gasta em média de US$ 75 a US$ 120 por viagem, de acordo com estimativas da Florida-Caribbean Cruise Association (FCCA). O Caribbean Journal observa que os turistas que fazem passeios de um dia beneficiam diretamente operadores turísticos, empresas de transporte, artesãos, comerciantes e restaurantes locais.
Isso representa quase dois milhões de dólares em consumo direto por parada na província, de acordo com Jean Luis Rodríguez, diretor executivo da Autoridade Portuária Dominicana (APORDOM).
No entanto, o desafio é transformar esse volume em valor agregado.
Cuidando da galinha e do meio ambiente
Para sustentar esse ritmo de crescimento e manter a galinha dos ovos de ouro, é necessário aumentar o gasto por visitante, melhorar a logística portuária, garantir serviços de qualidade e evitar a saturação ambiental em destinos menores como Puerto Plata e Samaná.
Um relatório de agosto de 2025 da Florida-Caribbean Cruise Association (FCCA) indica que uma das linhas de ação para os destinos caribenhos é "aumentar os benefícios econômicos para as comunidades locais, melhorar a experiência dos visitantes e fortalecer a infraestrutura portuária".
Da mesma forma, o estudo do Banco Mundial sobre zonas costeiras, intitulado "Gestão da Zona Costeira e Turismo na República Dominicana", alerta que o crescimento do turismo em áreas como Puerto Plata e Samaná gera "ameaças à sustentabilidade dos recursos costeiros" e que "a densidade de quartos por km²" já é um fator de alta pressão nessas áreas.
Os porquês
O crescimento do turismo marítimo dominicano deve-se a diversos fatores:
- Investimento em infraestrutura. Novos terminais e melhorias no acesso terrestre possibilitaram o recebimento de navios de grande capacidade.
- Alianças estratégicas. Os acordos entre o Governo Dominicano e a Associação de Cruzeiros Flórida-Caribe (FCCA) fortaleceram a promoção do país nos roteiros caribenhos.
- Mudança de tendência. Após a pandemia, as companhias de cruzeiro priorizaram destinos próximos e seguros com portos modernos, categoria na qual a República Dominicana se destaca.
- Diversificação do turismo. O país está expandindo sua oferta para além do clássico pacote "tudo incluído", integrando excursões culturais, passeios pela natureza e experiências locais para passageiros de cruzeiros.
Permanecer entre os 3 melhores do Caribe
“O segmento de cruzeiros deixou de ser um complemento e se tornou um pilar do turismo dominicano”, enfatizou recentemente o Ministro do Turismo, David Collado. Caso as projeções oficiais se confirmem, o país encerrará 2025 com entre 3,0 e 3,1 milhões de passageiros de cruzeiro, número que confirmaria sua posição de liderança na região.
Com novos portos em desenvolvimento e uma estratégia orientada para a sustentabilidade, o país busca manter um equilíbrio entre crescimento e conservação, garantindo que o turismo marítimo continue sendo uma fonte de renda e orgulho nacional, e tanto o governo quanto o setor privado estão comprometidos com isso.




