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Representantes dos setores imobiliário e da construção civil manifestam preocupação com um possível aumento das taxas de juros dos financiamentos imobiliários

SANTO DOMINGO– Líderes dos setores imobiliário e da construção civil estão preocupados com os aumentos da Taxa Básica de Juros (MPR) pelo Banco Central, pois isso pode levar a taxas de juros de financiamento imobiliário mais altas e afetar setores vulneráveis, dificultando sua capacidade de comprar imóveis.

O ex-presidente da Associação Dominicana de Construtores e Incorporadores Imobiliários (ACOPROVI), Fermín Acosta, espera que outras medidas paliativas possam ser tomadas, pois o aumento das taxas de juros dos financiamentos imobiliários "prejudica muito as pessoas mais necessitadas, que fazem um grande sacrifício para adquirir sua casa".

Fermín Acosta. (Fonte externa).

Embora reconheça que essas são medidas para controlar a inflação, o presidente da Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias (AEI), Alberto Bogaert, acredita que "as taxas de juros de todos os tipos de empréstimos — hipotecas, financiamentos de veículos, empréstimos comerciais, empréstimos pessoais — subirão alguns pontos percentuais ao longo do tempo", embora argumente que se tratam de movimentos econômicos que buscam controlar a economia por meio da captação de moeda em circulação.

Os principais economistas do país preveem que, dentro de três meses, as taxas de juros dos empréstimos poderão estar entre 15% e 17%.

“Certamente temos observado aumentos nas taxas de juros e esperamos que elas continuem subindo devido às condições econômicas e às medidas tomadas pelas autoridades do conselho monetário, e também porque vemos que, internacionalmente, as taxas de juros têm apresentado uma tendência de alta”, afirma Acosta.

Ele acrescenta que isso é motivo de preocupação, pois dificulta a realização do sonho da casa própria para muitos compradores, e espera que o país possa tomar outras medidas para aliviar a situação econômica, além do aumento das taxas de juros, principalmente as de financiamentos imobiliários.

Bogaert afirma que o recente aumento da taxa de política monetária visa controlar a inflação, mas expressa otimismo de que os investimentos imobiliários não serão afetados, pois "com as diferentes crises anteriores, notamos que os investimentos imobiliários raramente param".

“É difícil parar o crescimento das vendas, já que a qualidade oferecida e o prazo para quitar os pagamentos de projetos em construção sempre serão fatores atrativos para o investimento”, afirma o presidente da AEI.

Alberto Bogaert. (Fonte externa).

Ele acrescenta que os ajustes nas taxas não são um problema exclusivo da República Dominicana e que o mesmo fenômeno está ocorrendo nos Estados Unidos; ele expressa sua esperança de que "em alguns meses possamos voltar ao normal e que nosso setor imobiliário, que é um setor bem preparado, continue a oferecer soluções aos seus investidores".

Dois economistas falam

Dois dos principais economistas dominicanos acreditam que os aumentos na Taxa Básica de Juros (MPR) em breve terão repercussões para os bancos comerciais do país.

Antonio Ciriaco Cruz afirmou que, nos próximos três meses, a taxa média de juros ativa (sobre empréstimos) poderá ficar entre 15% e 17%. 

Ele indicou que este último aumento na taxa de política monetária está causando deliberadamente uma recessão "desnecessária" na economia, considerando que a inflação atual, superior a 70%, não é de origem monetária, mas sim uma inflação sujeita aos custos de combustíveis e energia, situação relacionada à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

O recém-eleito decano da Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais da Universidade Autônoma de Santo Domingo (UASD) destacou que o aumento da Taxa Básica de Juros (MPR) pelo Banco Central pode afetar a inflação subjacente, que é aquela que depende de um componente puramente monetário, mas afirmou que essa inflação depende da oferta, da cadeia de suprimentos e da alta dos preços das commodities.

Ciriaco Cruz salientou que, se o Banco Central continuar com essa política, isso causará uma redução na atividade econômica e uma desaceleração na criação de empregos, o que implicará um menor crescimento econômico, já projetado em 4,2%.

Por sua vez, Miguel Collado Di Franco, do Centro Regional de Estudos Econômicos Sustentáveis ​​(CREES), destacou que, além do impacto que o aumento da Taxa Básica de Juros (MPR) para 7,25% terá sobre as taxas de juros passivas e ativas, afetará a dívida pública nacional devido aos aumentos das taxas de juros no âmbito internacional, especialmente as do Federal Reserve, bem como devido ao aumento da MP realizado pelo Banco Central.

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