A construção civil cresceu quase três vezes mais que a economia em geral no primeiro semestre do ano.

A construção civil cresceu quase três vezes mais rápido que a economia em geral no primeiro semestre do ano

Até junho, a economia dominicana registrou uma expansão anual de 6,4%, a maior do ano, e a construção civil sozinha representou quase 30% desse crescimento

SANTO DOMINGO – Dados revelam que a construção civil não só acompanhou o crescimento da economia dominicana no primeiro semestre de 2026, como também o impulsionou. Enquanto o país como um todo cresceu 4,5%, o setor expandiu 6,7%, impulsionado por um aumento de 22,6% no crédito em relação ao ano anterior, adicionando mais de RD$ 34 bilhões em comparação com junho de 2025.

Os dados que revelaram essa leitura vieram da publicação do Indicador Mensal de Atividade Econômica (IMAE), do Banco Central, que mostrou uma expansão homóloga de 6,4% até junho, a maior do ano, sendo que a construção civil sozinha representou cerca de 30% desse crescimento.

O próprio Banco Central descreveu o total acumulado do semestre como mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, mas essa comparação geral fica aquém do que a análise setorial demonstra: a construção não apenas liderou, como o fez com uma margem que nenhum outro setor alcançou.

O próprio Banco Central detalhou o desempenho do setor por segmentos do ano: entre janeiro e maio, a construção civil acumulou uma expansão anual de 5,1%; em junho, isoladamente, essa taxa saltou para 14,9%, a maior de qualquer mês registrada até agora em 2016.

O trimestre de abril a junho, considerado em seu conjunto, fechou com um crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior, exatamente a mesma taxa acumulada para os seis meses completos, o que sugere que o aumento em junho não distorceu a tendência, mas sim a reforçou.

O que 2025 deixou para trás

A própria série mensal do IMAE, que acompanha o relatório, mostra um ano de 2025 irregular e fraco, com meses como outubro (0,2%), fevereiro (0,7%) ou junho daquele ano (1,1%) mal acima da estabilidade econômica.

Foi nesse contexto que a recuperação começou: um ano marcado por uma política monetária restritiva que buscou conter a inflação e que, ao longo do processo, esfriou tanto o crédito quanto a execução de projetos de construção.

Em 2026, a trajetória tem sido diferente mês após mês: 3,5% em janeiro, 3,9% em fevereiro, 5,1% em março, 3,8% em abril, 4,7% em maio e 6,4% em junho. Nenhum mês de 2026 registrou queda em relação ao pior mês de 2025, e a diferença entre os dois anos tem aumentado em vez de diminuir.

De onde vem o crédito?

O Banco Central atribuiu esse financiamento à execução de projetos de investimento privado e a um maior dinamismo no investimento público, em linha com a execução orçamentária da rubrica de despesas de capital do Governo, que o próprio Ministro das Finanças e da Economia havia destacado recentemente.

O comunicado acrescenta ainda um dado raramente quantificado, mas que confirma a dimensão da recuperação: um aumento notável nas vendas dos principais insumos da construção civil, refletindo os vínculos produtivos do setor com o resto da economia.

Uma recuperação que não está sozinha

Embora tenha sido o setor com maior peso relativo, a construção não foi o único setor de destaque em junho, já que a mineração cresceu 18,1% em relação ao ano anterior, associada a maiores volumes de extração de ouro e prata em um mercado internacional favorável; os serviços financeiros avançaram 13,1%; e a educação e os serviços profissionais cresceram 8,9% e 8,7%, respectivamente.

Ainda assim, nenhum desses setores tem o peso ou o efeito cascata que a construção exerce sobre a indústria de insumos, o emprego e, em última instância, sobre o próprio mercado imobiliário.

O Banco Central encerrou seu relatório com um alerta fundamental: a recuperação ocorreu em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas que elevaram os preços do petróleo e as tarifas de transporte, pressionando os custos de produção em escala global.

Apesar disso, a instituição monetária sustentou que a economia dominicana possui fundamentos sólidos, um sistema financeiro estável e um setor privado resiliente, apoiados pela coordenação entre as políticas monetária e fiscal.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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