O líder empresarial enfatizou a necessidade de retomar as atividades comerciais com o Haiti, especialmente no setor da construção civil.
SANTO DOMINGO- Diante do fechamento da fronteira que a República Dominicana mantém com seu vizinho há dois meses, o Haiti buscou alternativas para obter suprimentos e dar continuidade aos seus projetos de construção.
Turquia, Brasil e China estão entre os países que abastecem o mercado da construção civil haitiano. Amado Gutiérrez, presidente da federação de caminhoneiros dominicano-haitianos, declarou à imprensa na sexta-feira que empresários haitianos estão importando vergalhões e cimento da Turquia.
Com a reabertura da fronteira com o Haiti para o comércio em 11 de outubro, o governo dominicano proibiu a exportação de cimento, vergalhões de metal e aparelhos eletrônicos, para "impedir a construção de estruturas que ameacem nossos recursos ambientais", declarou o governo dominicano.
Gutiérrez garantiu que o estoque de vergalhões e cimento durará até a terceira semana de dezembro.
O líder do setor de transporte de cargas indicou que o Brasil tem fornecido madeira ao país vizinho e que a China tem feito o mesmo com itens elétricos e componentes de ferragens.
O líder empresarial enfatizou a necessidade de retomar as atividades comerciais com o Haiti, especialmente no setor da construção civil.
Ele alertou que a República Dominicana corre o risco de perder esse mercado se não restabelecer as relações bilaterais.
Extensão
O governo dominicano, liderado pelo presidente Luis Abinader, ordenou o fechamento de todas as fronteiras com o Haiti em 15 de setembro, devido à discordância da parte local com a construção de um canal pelos haitianos, com o objetivo de desviar as águas do rio que nasce na República Dominicana.
Quase um mês depois, o governo dominicano decidiu reabrir as atividades comerciais, com restrições, entre elas a proibição de materiais de construção.
O Diretor-Geral da Alfândega, Eduardo Sanz Lovatón, informou sobre a medida, afirmando que nomeou uma comissão especial para supervisionar as administrações aduaneiras de fronteira de acordo com os novos regulamentos estabelecidos pelo Governo Dominicano em resposta à proibição de materiais de construção.
Segundo Sanz Lovatón, tanto os funcionários da alfândega quanto os avaliadores receberam instruções para fazer cumprir a proibição da exportação de cimento, barras de metal e dispositivos eletrônicos, conforme as disposições do Poder Executivo.
Exportações de cimento para o Haiti
Segundo um relatório preparado para a Associação Dominicana de Produtores de Cimento Portland (Adocem), divulgado em outubro passado, 70% das exportações de cimento são destinadas ao Haiti. A República Dominicana exporta 12% de sua produção, e desse total, 70% são destinados ao Haiti.




