Isso poderá afetar a posição da República Dominicana como o segundo maior receptor de Investimento Estrangeiro Direto na região.
Por Reyna Echenique
Especial para El Inmobiliario
O projeto de lei apresentado pelo ex-ministro Pelegrín Castillo, que será analisado pelos deputados Elías Wessin Chávez e Eugenio Cedeño, propõe medidas restritivas significativas. Entre elas, a exigência de autorização prévia do Poder Executivo para a venda de imóveis a cidadãos haitianos e a obrigatoriedade de verificação da situação imigratória para aluguéis — medidas que podem ter sérias consequências para o ambiente de investimento estrangeiro na República Dominicana.

Um golpe para a segurança jurídica
A legislação proposta, que exigiria autorização prévia do Poder Executivo para a venda de imóveis a cidadãos haitianos, não afetaria apenas um grupo específico de investidores, mas também enviaria sinais preocupantes a toda a comunidade internacional de investidores sobre a estabilidade de nosso arcabouço legal.
Quadro constitucional e jurídico
O projeto de lei apresenta contradições diretas com a nossa Constituição, especificamente com os artigos 221 sobre igualdade de tratamento de investimentos, 51 sobre direitos de propriedade e 25 sobre o regime externo, pilares fundamentais para a segurança dos investimentos no país.
Contradição com a lei de investimento estrangeiro
A legislação dominicana atual não condiciona o investimento ao status imigratório do investidor. Pelo contrário, a Lei 16-95 utiliza o investimento como meio de obtenção de residência, sendo a "residência por investimento" um de seus benefícios mais atrativos para atrair capital internacional. Essa inversão da lógica jurídica — passando de "investir e obter residência" para "comprovar o status imigratório para poder investir" — envia sinais contraditórios à comunidade internacional de investimentos.
Momento crítico
Num momento em que a República Dominicana celebra a sua posição como o segundo maior receptor de Investimento Estrangeiro Direto (IED) na região, com US$ 2.374,3 milhões no primeiro semestre de 2024, esta iniciativa legislativa poderá comprometer seriamente a nossa capacidade de atrair futuros investimentos. O momento não poderia ser mais crítico: a economia global está a passar por uma reconfiguração das suas cadeias de abastecimento e a América Latina compete intensamente para atrair empresas que procuram relocalizar-se para mais perto dos Estados Unidos.
impacto ampliado
Embora o projeto de lei se concentre no setor imobiliário, suas implicações podem se estender a:
– Confiança geral dos investidores na estabilidade regulatória do país
– Classificação do risco-país e custo do financiamento internacional
– Reputação como destino de investimento nos mercados globais
– Competitividade regional na atração de novos investimentos
Perspectivas e recomendações
Com projeções de ultrapassar US$ 4,5 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) até 2024, a República Dominicana deve zelar por sua reputação como um destino seguro e atraente para investimentos internacionais. Políticas públicas, por mais bem-intencionadas que sejam, não podem minar os pilares que sustentaram nosso desenvolvimento econômico.
Este artigo inaugura uma série sobre investimento estrangeiro direto na República Dominicana.
A autora Reyna Echenique é advogada, empresária do setor imobiliário, CEO do Grupo Echenique, secretária do conselho de administração da AEI, consultora especializada em atração de investimento estrangeiro direto, graduada no programa ProDominicana de 2023 em investimento estrangeiro e analisa o impacto das políticas públicas no ambiente de investimento.




