O Andaime Cultural da Plaza Criolla começa : onde a cidade parou e respirou fundo.

Plaza Criolla: onde a cidade parou e respirou fundo

SANTO DOMINGO –Por quase duas décadas, na esquina da Avenida 27 de Febrero com a César Dargam, onde hoje se entrelaçam memórias, prosperou uma pequena praça que mais parecia uma estação de trem do que um centro comercial. Um espaço de lazer que foi um marco nas décadas de 80 e 90.Uma praça comercial térrea e singular, com jardins, um design inovador, lojas de artesanato, opções de alimentação e bebidas, e um serviço de transporte público que fez história.

Estamos falando da Plaza Criolla, localizada ao lado da sede da Associação Popular de Poupança e Empréstimo (APAP) e adjacente à Universidade de Ação para a Educação e a Cultura (UNAPEC), que, segundo algumas publicações, foi inaugurada no final da década de 70 e encerrou suas atividades no final da década de 90.

Com sua icônica torre sineira e telhados de telha, a Plaza Criolla era um oásis na capital, com amplos passeios e corrimãos de madeira perfeitos para caminhar, enquanto as vitrines ofereciam âmbar, larimar e outros presentes artesanais. Seu ambiente era acolhedor, com música ambiente que proporcionava uma calma bem diferente da agitação do lado de fora.

Entre os lugares mais lembrados está La Ceniza, uma cervejaria que chamou a atenção por oferecer drinques "vestidos de noiva" e coquetéis simples, sendo frequentada por estudantes universitários, famílias e casais que aproveitavam as mesas internas para compartilhar risadas e almoços informais de domingo.

“Minha matrícula nas aulas de inglês na APEC durou até meu pai, lá em Higüey, descobrir que eu ia ao estacionamento da Plaza Criolla para comemorar com os torcedores e jogadores de basquete depois dos jogos no Palácio dos Esportes”, relembra o jornalista Wellington Carpio , rindo e sem remorso

Nos arquivos online, a inauguração da Plaza Criolla é situada entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, e o nome de seus proprietários permanece um mistério. Os moradores da capital já contavam com a vibrante e luxuosa Plaza Naco, então esta praça, com a de ônibus Terra Bus adjacente Porto Príncipe), tornou-se um ponto de encontro e um local para despedidas. De fato, as pessoas raramente frequentavam a praça para fazer compras, mas sim para passar o tempo, aguardando a partida do ônibus ou a chegada do próximo.

Outra loja popular, especialmente entre os viajantes, era a Joyas Dominicanas, com uma vasta seleção de joias feitas de âmbar, larimar e coral, além de peças esculpidas em mogno; La Tamara, onde se podiam fazer fotocópias. Alguns nomes desapareceram com o tempo: a loja que vendia bonés e camisetas de beisebol, a barbearia, a sapataria, a pequena livraria e a loja de presentes exclusivos.

“Havia um restaurante que fazia um ensopado muito bom, eu sempre ia lá com uma das minhas irmãs, mas não me lembro do nome. Olha só, agora você despertou uma certa nostalgia gastronômica”, diz Penelope Arias, executiva de um banco, divertida.

Cada espaço estava repleto de pessoas que desciam dos ônibus e se espalhavam pelos corredores, fazendo compras, comendo, esperando. A Plaza Criolla não era um lugar sofisticado, mas tinha uma energia diferente, acolhedora. Era como se a própria cidade convergisse para ali; era um lugar para passar e também para se demorar.

E, claro, a multidão era igualmente diversa. Pessoas das províncias e da capital se misturavam com malas, pacotes, caixas e mochilas. Estudantes, funcionários, professores, executivos. Pessoas sozinhas e em grupos, todos respeitando o cansaço uns dos outros e sempre se cumprimentando com contato visual.

“Lembro-me de viajar para Santiago na Terrabus. Aqueles ônibus pareciam aviões em terra, e lembro-me que no final de cada viagem eles sorteavam garrafas de rum Bermúdez, se não me falha a memória. Ofereciam amendoim e café, hahaha, igualzinho nos aviões”, diz Maritza Chevalier, professora de Santiago.

O crepúsculo de uma era

A inauguração da Plaza Central em 1988, o primeiro shopping center de vários andares em grande escala, no cruzamento da Avenida 27 de Febrero com a Winston Churchill, com mais de 300 estabelecimentos e 1.100 vagas de estacionamento, marcou o início do fim da Plaza Criolla.

Com a migração do transporte intermunicipal para terminais mais modernos e a transformação do conceito de "praça" em um shopping center climatizado, aquela pequena praça desapareceu sem cerimônia, sem despedidas, sem comunicado à imprensa ou encerramento oficial. Até que um dia, simplesmente sumiu. A Associação Popular de Poupança e Empréstimo adquiriu o terreno e expandiu sua propriedade antes da virada do milênio.


Muitas pessoas ainda guardam lembranças, e talvez até fotografias, de um passeio, uma viagem ou uma visita de domingo para assistir a um concerto de banda no estacionamento do pátio. A verdade é que esse modelo de desenvolvimento comercial centrado no visitante desapareceu, deixando para trás a agradável lembrança de uma era passada.

A Plaza Criolla era mais do que um lugar: era uma estação da humanidade numa cidade que, tal como os viajantes que por ela passavam, estava sempre de passagem, embora a um ritmo mais lento e com vontade de ficar.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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