A paralisação das atividades não é uma sanção arbitrária, mas sim uma medida preventiva amparada por normas trabalhistas obrigatórias
SANTO DOMINGO – A decisão do Ministério do Trabalho de paralisar uma obra não é arbitrária nem uma medida punitiva isolada. Trata-se de um poder legal que é acionado quando existem condições que colocam em risco a vida e a segurança dos trabalhadores.
Essa é a opinião da advogada trabalhista Darnetty Lugo, que destaca que essas intervenções se devem, na maioria dos casos, a violações básicas de segurança, como a ausência de equipamentos de proteção, ambientes de trabalho inseguros ou a falta de estruturas organizacionais voltadas para a prevenção de riscos.
A lei não é opcional
O Regulamento 522-06 sobre Segurança e Saúde no Trabalho estabelece as normas que todas as empresas, incluindo as do setor da construção, devem cumprir para garantir condições de trabalho seguras. Não se trata de um guia de referência, mas sim de uma obrigação legal cujo incumprimento pode ter consequências imediatas.
Nesse contexto, o Ministério do Trabalho tem autoridade para ordenar a suspensão das atividades quando detecta irregularidades. Essa medida visa prevenir acidentes e corrigir problemas antes que causem danos mais graves, explica o ministério.
Segundo o especialista, quando se chega a esse ponto, entende-se que há uma responsabilidade atribuível ao empregador por não ter garantido um ambiente seguro para seus trabalhadores.
O que desencadeia um desligamento?
Na prática, as causas são muitas vezes mais comuns do que se pensa. A falta de equipamentos de proteção individual, condições de trabalho inseguras ou a ausência de uma comissão de segurança são alguns dos fatores que podem desencadear uma intervenção.
A isso se soma o descumprimento de processos administrativos essenciais, como o cadastro de trabalhadores no Tesouro da Previdência Social (TSS) ou a documentação exigida em matéria trabalhista.
Para Lugo, esses elementos não são detalhes menores, mas componentes essenciais de um sistema de prevenção que muitas vezes é subestimado na dinâmica diária da construção.
Um erro comum no setor
Um dos principais erros observados na prática é presumir que a segurança é responsabilidade exclusiva do contratante. No entanto, o quadro legal estabelece uma responsabilidade mais ampla.
Embora o empreiteiro execute diretamente a obra e deva garantir os protocolos, os equipamentos e a organização interna, o incorporador também tem o dever de supervisionar se tudo está sendo feito corretamente, argumenta o especialista.
Ele acrescenta que isso inclui verificar o registro dos funcionários, o cumprimento das exigências trabalhistas e a existência de mecanismos de prevenção dentro do projeto.
O que pesa mais do que o contrato?
Nesse cenário, a interpretação jurídica vai além do que está estabelecido nos acordos entre as partes.
O Supremo Tribunal Federal deixou claro que o estipulado em contrato não basta. O fator determinante é quem exerce o controle efetivo sobre a obra e as condições em que ela é executada.
Segundo Lugo, esse critério reforça a ideia de que a responsabilidade não pode ser transferida de forma absoluta por meio de documentos, mas é definida com base na prática e na gestão eficaz de projetos.
Consequências que vão além da paralisia
O não cumprimento das normas de segurança pode não só levar à suspensão de um projeto, como também constitui uma infração no local de trabalho, passível de sanções financeiras.
Darnetty Lugo cita o artigo 720 do Código do Trabalho, que prevê multas para empresas que violam disposições relacionadas à segurança e saúde dos trabalhadores, tornando essas omissões um risco jurídico e financeiro.
Além das sanções, a paralisação serve como um alerta para o setor. Não se trata de uma punição, mas de uma medida preventiva que obriga à correção de falhas estruturais na gestão da segurança no trabalho.
Leituras recomendadas:
- Projetos de construção paralisados: quem assume a responsabilidade?
- Um mercado que cresce com contratempos: 52% dos projetos de construção no país estão paralisados
- Inspeções se intensificam em canteiros de obras; Ministério do Trabalho paralisa 15 projetos no Distrito Nacional devido à falta de segurança
- Obra ilegal que ocupava via pública em Santo Domingo Oeste é interrompida




