Turismo doméstico : Números recordes em 2025 e um 2026 desafiador

Turismo: números recordes em 2025 e um 2026 desafiador

Somente em dezembro, 900 mil viajantes chegaram por via aérea, e a ocupação hoteleira na região leste do país ultrapassou os 96%, de acordo com o ministro David Collado.

SANTO DOMINGO – Com o ano de 2025 chegando ao fim, a República Dominicana se mantém firme e segura, confortável em sua posição como líder regional em chegadas internacionais e se prepara para um ano de expansão, embora estejam surgindo fragilidades que podem limitar a sustentabilidade desse crescimento se não forem abordadas com políticas claras e decisivas.

Na última segunda-feira, em uma transmissão ao vivo de sua página no Instagram, diretamente de Casa de Campo, o Ministro David Collado anunciou com entusiasmo que dezembro de 2025 “será o melhor da história do turismo, ultrapassando 900 mil turistas por via aérea e com uma taxa de ocupação hoteleira em toda a zona leste superior a 96%, sendo que Casa de Campo estará completamente lotada até o mês de abril”.

Na sexta-feira, 26 de dezembro, o Ministério do Turismo informou que até o dia 24 o país havia recebido 11.268.973 visitantes, número que supera os 11.192 milhões do ano anterior.

E embora o Ministro Collado tenha descrito os dados como históricos, é necessário um esclarecimento metodológico: os registros correspondem a visitantes não residentes, uma categoria mais ampla do que a de turistas em sentido estrito.

Isso inclui turistas de um dia, passageiros de cruzeiros de curta duração e dominicanos não residentes que retornam temporariamente ao país. Essa distinção é fundamental do ponto de vista econômico e imobiliário, visto que nem todos esses fluxos geram a mesma demanda por acomodações formais, consumo local ou investimento em infraestrutura.

Assim, embora o registro confirme a força do destino dominicano, o grande desafio até 2026 será transformar esse volume em estadias mais longas, gastos médios mais elevados e uma expansão territorial do turismo que sustente o desenvolvimento para além dos polos tradicionais.

Até o dia 24, o país havia recebido 11.268.973 visitantes. (Fonte externa).

Um ano recorde e projeções otimistas

Dados do Ministério do Turismo (Mitur) mostram que o país está superando seus próprios recordes: o número de visitantes em 2024 já era recorde, e a projeção é fechar 2025 com 11,6 milhões. A situação na Jamaica, em Cuba e em outros destinos caribenhos após o furacão Melissa pode favorecer o turismo local, já que as principais operadoras de turismo redirecionaram seus clientes para a República Dominicana.

Em setembro, o número de visitantes ultrapassou os 8 milhões, com taxas de crescimento superiores a 13% em comparação com 2023. Em novembro, as chegadas atingiram 10,28 milhões, consolidando o país como o principal destino do Caribe.

Embora o Ministério do Turismo não tenha publicado uma projeção numérica para 2026, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) estima um crescimento médio global de 3,3% ao ano na contribuição econômica e no emprego para o setor.

Diversificação e contribuições econômicas

O turismo reafirma seu papel como motor da economia local. O WTTC prevê que o setor contribuirá com mais de US$ 21 bilhões para o PIB em 2025, o equivalente a quase 15,8% da economia nacional, e gerará empregos para aproximadamente 893.000 pessoas.

Esse impacto fortaleceu as cadeias de produção locais, impulsionou o transporte, o comércio e os serviços, e abriu oportunidades de investimento imobiliário associadas ao turismo.

Pontos fracos e desafios até 2026

1. Conectividade aérea e custos

Os preços elevados das passagens aéreas continuam sendo um desafio estrutural. O Ministro Collado reconheceu em setembro que “os preços das passagens continuam a representar um desafio para a competitividade do destino”. Gabriel Escarrer Jaume, CEO da Meliá, alertou que “os preços das passagens são um fator decisivo na escolha do destino, especialmente para os mercados europeus”.

2. Capacidade e infraestrutura do hotel

O crescimento meteórico do número de chegadas está pressionando a infraestrutura. Na FITUR 2025, foram anunciados 7.400 novos quartos, mas, ao final do ano, 18.816 quartos haviam sido concluídos em 111 hotéis, mais de 150% acima do compromisso inicial. Além disso, há 58 projetos adicionais em andamento, com 9.364 quartos planejados. Esse excedente positivo representa riscos de excesso de oferta se não for acompanhado por uma demanda efetiva.

3. Dependência e vulnerabilidade

O setor continua altamente dependente dos Estados Unidos e do Canadá, o que o torna sensível a variações externas, como crises econômicas globais ou restrições de viagens.

Além disso, crises ambientais causadas por algas sargassum e furacões podem perturbar os padrões turísticos e afetar a competitividade. Esses eventos climáticos têm o potencial de gerar excesso de oferta ou desequilíbrios nos serviços de hospedagem devido à demanda de última hora ou alterações de reservas.

O sargaço é uma ameaça comum no Caribe e tem exigido iniciativas conjuntas com países vizinhos, como o México, para mitigar seus efeitos negativos nas praias e na experiência dos visitantes.

Embora os dados oficiais completos para 2025 sobre o impacto econômico das perdas de sargaço ainda não estejam disponíveis, a cooperação internacional e estratégias contínuas serão necessárias para manter a qualidade dos destinos costeiros.

Olhando para o futuro, em 2026...

As projeções permanecem positivas se as estratégias de promoção, diversificação e desenvolvimento territorial forem mantidas. No entanto, a sustentabilidade dependerá de políticas públicas que abordem as fragilidades estruturais, fortaleçam a conectividade aérea e mitiguem os riscos ambientais.

O verdadeiro desafio não será atrair mais visitantes, mas sim melhorar a qualidade do fluxo turístico: estadias mais longas, maior consumo local e uma distribuição territorial que justifique investimentos sustentáveis ​​em infraestrutura, serviços e alojamento turístico, especialmente em destinos emergentes como Pedernales.

A República Dominicana demonstrou resiliência e liderança regional, mas contar visitantes não basta: o futuro do turismo dependerá da construção de experiências sustentáveis ​​que fortaleçam a reputação do destino e garantam que cada estadia deixe uma marca positiva na economia e nas comunidades locais.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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