Apesar dessa perspectiva promissora, o governo enfrenta desafios como a redução do déficit habitacional, que atualmente gira em torno de 2 milhões de casas. Além disso, precisa trabalhar para reduzir a burocracia no processamento de alvarás de construção, títulos de propriedade e documentação, como impostos prediais e outras taxas.
SANTO DOMINGO - Com um crescimento de 36,5% na economia e 15% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre deste ano, o setor da construção civil se posiciona como um dos principais protagonistas da retomada econômica dominicana pós-pandemia, declarou Jorge Montalvo, presidente da Associação Dominicana de Construtores e Promotores Imobiliários (ACOPROVI).
Em 2012, dados do então Instituto Nacional de Habitação (INVI), agora Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED), certificavam apenas mil unidades habitacionais de baixo custo, enquanto nos primeiros seis meses de 2021, o país já havia contabilizado 12.800 unidades, o que demonstra um aumento significativo no mercado de habitação popular.
“Portanto, tem sido o setor de crescimento mais rápido e isso se deve em grande parte ao desenvolvimento de projetos habitacionais, tanto de custo médio e baixo, quanto aqueles com vocação turística”, destacou o arquiteto ao apresentar o tema “Titulação de Imóveis no Mercado Imobiliário”, durante a VII Conferência Interamericana de Cadastro e Registro de Imóveis, realizada no país de dois a quatro deste mês.
Ele argumentou que o desenvolvimento imobiliário no país nos últimos 10 anos esteve intimamente ligado ao surgimento da Lei 189-11 para o Desenvolvimento do Mercado Hipotecário e de Fundos Fiduciários na República Dominicana, pois esta permitiu o acesso a moradias de baixo custo para grandes segmentos da população, impactando significativamente todo o desenvolvimento imobiliário.
Montalvo garantiu que as garantias para o processo de titulação no país estão em vigor, pois sete em cada dez casas vendidas são financiadas por bancos, "o que significa que elas precisam ter a escritura e todos os trâmites legais necessários para que a operação possa ser realizada".
“Nesse sentido, mesmo com esse montante, nosso país ainda tem um espaço significativo para crescer em termos de financiamento imobiliário, já que a carteira de hipotecas representa apenas 4,5% do PIB, mas a média na América Latina é de 8% e no Chile, onde o financiamento imobiliário é alto, chega a 17%, portanto ainda há espaço para crescimento no setor habitacional”, observou o representante da ACOPROVI.
Montalvo prevê um elevado potencial de crescimento para o setor imobiliário com a aprovação do MIVHED, cuja agência permitirá o desenvolvimento de políticas públicas de habitação e proporcionará acesso a populações que o setor privado sozinho não conseguia alcançar.
Ele afirmou que o estudo sobre a “demanda efetiva”, realizado em 2017 pela agência que dirige, revelou que 90% dos pedidos se concentravam em imóveis com preço inferior a 4 milhões de pesos, um mercado que o setor privado não conseguia suprir. “Daí a importância desta lei habitacional, que nos permitirá desenvolver habitações sociais nas quais o Estado atuará como facilitador.”.
“Trata-se de dois projetos, ‘Happy Family’ e ‘My Home’, que, em sua primeira fase, visam construir 11.000 e 7.000 casas, respectivamente. O setor privado será responsável pelo desenvolvimento, o que garante a titularidade efetiva dos imóveis, pois estamos vinculados aos esquemas de financiamento e fideicomisso que exigem todas as regulamentações apropriadas, especialmente no que diz respeito ao financiamento imobiliário”, enfatizou.
Desafios
O presidente da ACOPROVI compreende que, apesar das perspectivas promissoras, o governo enfrenta desafios como a redução do déficit habitacional, que atualmente gira em torno de 2 milhões de moradias. Além disso, deve trabalhar diligentemente para agilizar a burocracia envolvida no processamento de alvarás de construção, títulos de propriedade e documentação como impostos prediais e outras taxas.




