No entanto, ele reconheceu que definir o mecanismo de tributação “não é tão fácil”. “Porque não se pode impor um imposto de renda sobre o Airbnb, já que ele não está aqui (no país), e o que estamos fazendo é, com base em experiências internacionais, buscar maneiras de garantir que essas plataformas digitais, pela renda que geram de fontes dominicanas, recebam uma tributação razoável.”.
SANTO DOMINGO – O Ministro das Finanças declarou que não incluir a arrecadação de impostos de plataformas digitais no orçamento do próximo ano "seria um sacrilégio" e, portanto, garantiu que o governo incluiu a receita dessas plataformas no orçamento de 2023.
“Isso vai acontecer”, declarou ontem José Manuel (Jochi) Vicente, embora tenha dito que não sabia quando entraria em vigor. “Não ir seria um sacrilégio”, salientou o dirigente.
“O Airbnb representa uma concorrência desleal para os nossos hotéis, para os hotéis de propriedade dominicana e para os trabalhadores dominicanos”, enfatizou Vicente em uma reunião com jornalistas do setor econômico, referindo-se à plataforma internacional que permite o aluguel online de acomodações oferecidas por seus próprios anfitriões.
Embora o projeto de regulamentação que rege o procedimento de aplicação do Imposto sobre Transferências de Bens e Serviços Industrializados (ITBIS) a serviços digitais, como Netflix e Airbnb, ainda não tenha sido aprovado, o Poder Executivo já considerou, no Projeto de Lei do Orçamento Geral do Estado para 2023, a receita tributária que sua arrecadação traria.
O relatório explicativo do projeto indica que existe um conjunto de ações e regulamentos administrativos que, embora só sejam implementados e promulgados em 2022, terão um impacto decisivo no Orçamento Geral do Estado para o ano fiscal de 2023, no que diz respeito à sustentabilidade dos recursos e ao cumprimento das obrigações internas e externas.
Dentre essas regulamentações, ele cita, em relação à Direção-Geral de Impostos Internos (DGII), "a aprovação do Projeto de Regulamento" que regulamenta o procedimento de aplicação do ITBIS "aos serviços digitais captados na República Dominicana e prestados por fornecedores estrangeiros".
No entanto, ele reconheceu que definir o mecanismo de tributação “não é tão fácil”. “Porque não se pode impor um imposto de renda sobre o Airbnb, já que ele não está aqui (no país), e o que estamos fazendo é, com base em experiências internacionais, buscar maneiras de garantir que essas plataformas digitais, pela renda que geram de fontes dominicanas, recebam uma tributação razoável.”.
A DGII (Direção-Geral da Receita Interna) submeteu a minuta da resolução à consulta pública; sua aprovação pelo Poder Executivo ainda está pendente. Seu chefe, Luis Valdez, prevê que o imposto sobre plataformas digitais deverá gerar mais de 3 bilhões de pesos.
Ele afirmou que esse valor será arrecadado gradualmente, após o governo dominicano iniciar a implementação da sua cobrança.
“Todos os países do mundo estão – e muitos já estão – em processo de tributação de tudo relacionado a plataformas digitais porque, essencialmente, trata-se de uma nova atividade econômica que surgiu como resultado dos avanços tecnológicos, o que está corroendo a capacidade de arrecadação de receitas dos Estados”, disse o Ministro das Finanças.
Na noite de quarta-feira, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Fazenda, apresentou à Câmara dos Deputados o projeto de Lei Orçamentária Geral do Estado para 2023, que propõe despesas para a Administração Central de 1.247.578,1 milhões de pesos.
O documento, apresentado pelo Vice-Ministro do Orçamento, Contabilidade e Contratos, José Rijo Presbot, estima que a receita total do governo central será de 1.040.005,5 milhões de pesos no próximo ano, o equivalente a 15,1% do produto interno bruto (PIB) estimado para 2023.
Texto modificado com informações do Diario Libre




