"Além da propriedade em Balcones del Atlántico, o processo indica que o general da Força Aérea adquiriu duas casas perto do Rancho Arroyo Naranjo, localizado em Jarabacoa; uma delas foi comprada em abril deste ano.".
Extraídodo Listín Diario
SANTO DOMINGO- O ex-diretor do Corpo Especial de Segurança Turística (Cestur), Juan Carlos Torres Robiou, comprou um apartamento de luxo em Samaná avaliado em meio milhão de dólares, mas supostamente o fez por meio de uma empresa pertencente ao pastor Rossy Guzmán para evitar levantar suspeitas.
Pelo menos foi o que afirmou Raúl Alejandro Girón durante um interrogatório conduzido pela Procuradoria Especializada em Combate à Corrupção Administrativa (Pepca).
“Tudo isso foi feito para ocultar a propriedade e apagar o rastro do verdadeiro proprietário, que é o acusado General Juan Carlos Torre Robiou, já que ele não teria como justificar a compra à vista, sem financiamento”, explicou Raúl Alejandro Girón, o acusado que em maio passado admitiu em juízo sua participação na rede religioso-militar denunciada pelos promotores.
Com a expressão “tudo isso”, Girón se referia a um suposto empréstimo de RD$ 7.500.000 à empresa do pastor, o qual ele negou, bem como ao pagamento de uma suposta dívida de RD$ 13.260.000 contraída com seu pai, Vicente Girón De la Cruz, a qual ele também negou.
Mas Girón não foi o único a afirmar que Torres Robiou é o verdadeiro proprietário do apartamento turístico; vários funcionários da Cestur, bem como a empresa vendedora, corroboraram a informação.
“As testemunhas David Abreu Padilla, Miguel Cancu, Jacobo Horacio e Israel Blanc Hernández reconhecem que o imóvel Balcones del Atlántico pertence ao réu Juan Carlos Torre Robiou, tendo inclusive efetuado pagamentos de manutenção para o mesmo”, afirma a acusação apresentada pela Pepca contra o principal réu na investigação “Coral 5G”.
O documento acrescenta que o pagamento da manutenção do imóvel provinha da Cestur, de onde também eram desviados outros pagamentos fixos de natureza pessoal, sendo Abreu Padilla, o responsável pelas contas a pagar na Cestur, o encarregado.
Da mesma forma, o vendedor do apartamento entregou voluntariamente seu celular, no qual os promotores encontraram 75 conversas com o General Torres Robiou, o Coronel Rafael Núñez de Aza e o Pastor Rossy Guzmán via WhatsApp, o que "prova que o apartamento realmente pertence ao General Juan Carlos Torres Robiou".
Como você adquiriu a propriedade?
Os promotores dizem que Torres Robiou usou a empresa Único Real State e Inversiones SRL, de propriedade de Rossy Maybelline Guzmán Sánchez (la Pastora), para adquirir um apartamento “luxuoso” no condomínio Balcones del Atlántico, localizado em Las Terrenas, província de Samaná.
O imóvel, atualmente avaliado em aproximadamente meio milhão de dólares, foi adquirido por cerca de RD$ 13.327.000 em 30 de agosto de 2019 da empresa Kratos Ventures Inc., representada por Samuel Pou Coen, que reconheceu às autoridades que Torres Robiou era o comprador e "que o colocou em contato com seu 'assistente', o corréu Coronel Rafael Núñez de Aza, que era o responsável por efetuar o pagamento acordado".
A pastora teria explicado ao Ministério Público que a compra do apartamento em Samaná foi feita com recursos provenientes dos lucros de sua empresa, Único Real State, juntamente com um empréstimo de mais de sete milhões de pesos que Girón supostamente lhe teria concedido, embora ele tenha negado posteriormente.
Um ano após a compra, o imóvel foi vendido por RD$ 14.260.000, menos da metade do valor atual do apartamento, que foi classificado pelas autoridades como "estranho".
“A própria acusada Rossy Maybelline Guzmán Sánchez afirma que, desde a aquisição do imóvel, este está na posse do General Juan Carlos Torre Robiou, ex-diretor da Cestur, supostamente a título de aluguel, com o pagamento de uma mensalidade de US$ 3.000, situação que corrobora a ilegalidade”, mencionam os procuradores na denúncia.
O representante da Kratos Ventures Inc. também afirmou, segundo Pepca, que o Coronel Núñez de Aza é quem lhe envia os dados da empresa Único Real State e Inversiones SRL, para realizar o contrato de venda e, ao mesmo tempo, o coloca em contato com a acusada Rossy Maybelline Guzmán Sánchez.
Outras propriedades
Além da propriedade em Balcones del Atlántico, o processo indica que o general da Força Aérea adquiriu duas casas perto do Rancho Arroyo Naranjo, localizado em Jarabacoa; uma delas foi comprada em abril deste ano.
Juntamente com sua esposa, Greybby Maria Cuello Coste, ele possui um apartamento no complexo residencial Torre Regatta Residences, localizado no Distrito Nacional, adquirido em agosto de 2018 e, quase um ano depois, adquiriu um terreno rural localizado em Monte Plata.
Operação Coral
O processo da Operação Coral foi a primeira vez que se ouviu falar da ligação do general e ex-diretor da Força Aérea Dominicana (FARD), Juan Carlos Torres Robiou, à suposta rede religioso-militar descoberta pela Procuradoria-Geral da República.
O pedido de medidas coercitivas contra seis pessoas, incluindo o ex-chefe de segurança do ex-presidente Danilo Medina, Adan Cáceres Silvestre, mencionava que Torres Robiou havia alugado o imóvel localizado em Samaná por US$ 3.000 por mês, embora seu uso fosse “esporádico”.
No início de maio, quando ainda não havia sido formalmente acusado, embora seu nome já tivesse sido mencionado, o general declarou-se pronto para para ofrecer su versión sobre los eventos generados por la imputación de dos oficiales que prestaban servicios en esa institución.
“O referido imóvel está na posse do Brigadeiro-General, Piloto das Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARD), Juan Carlos Torre Robiou, que é o diretor do Corpo Especializado de Segurança Turística (CESTUR) e superior hierárquico do acusado Raúl Alejandro Girón, a título de aluguel, com o pagamento de uma mensalidade de três mil dólares americanos (US$ 3.000,00), situação extremamente suspeita, visto que não faz sentido alugar um imóvel por um valor tão elevado e utilizá-lo esporadicamente”, apurou o Ministério Público em sua investigação sobre o Major-General Adán Cáceres, chefe da segurança do ex-presidente Danilo Medina.
Desta vez, o Ministério Público o acusa de conspiração para cometer fraude




