Um apartamento que custava US$ 90 por noite há 4 anos está agora sendo oferecido por US$ 60 por noite
SANTO DOMINGO- O empresário Francisco Irizarry destacou a necessidade de regulamentação e licenciamento dos aluguéis de curta duração na República Dominicana, a fim de estabilizar os preços de mercado e garantir padrões mínimos de segurança.
Irizarry tornou pública essa posição quando foi entrevistado no programa semanal "La Ventana de El Inmobiliario", onde também reconheceu que no país existe uma superoferta de imóveis nesse modelo de aluguel, causando uma queda nos preços das diárias.
“Somos a favor da regulamentação e também da emissão de licenças, porque isso ajudará a limpar o mercado de pessoas que se envolvem em práticas desonestas, além de contribuir para a estabilização dos preços, algo que tem tido um grande impacto”, afirmou.
Ele observou que, nos últimos quatro anos, os preços dos aluguéis caíram devido à grande oferta no mercado, fazendo com que um apartamento que valia US$ 90 por noite passasse a ser alugado por apenas US$ 60.
Francisco, membro da Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias (AEI) desde 2017, indicou que um dos aspectos positivos da regularização seria um maior “filtro de imóveis”.
Do ponto de vista deles, os proprietários que não cumprirem essas diretrizes serão "expulsos" do mercado, o que reduzirá a oferta de unidades e, consequentemente, fará com que os preços subam diante do aumento da demanda.
Por outro lado, afirmou que a falta de regulamentação e de licenças permitiu a entrada de pessoas que não são anfitriões profissionais ou que não atuam no setor de aluguel de curta duração, o que acabou afetando a credibilidade do setor.
Regulação, a forma de estabilizar os preços
Francisco Irizarry, cofundador da Yellow Key Rentals, explicou que a licença deve garantir o cumprimento de normas mínimas de segurança, como ocorre na Colômbia e em países europeus.
“Entendo que uma licença deve exigir requisitos mínimos de segurança: que haja extintores de incêndio nas unidades e detectores de fumaça, porque quando um hóspede vem do exterior, ele não está muito acostumado a trabalhar com gás propano nos fogões”, explicou ele.
Além da segurança, o consultor imobiliário especializado em imóveis de luxo destacou que outro fator fundamental para o sucesso dos aluguéis de curta duração é o bom relacionamento com as empresas que administram os condomínios.
Nesse sentido, ele criticou alguns membros do conselho por presumirem erroneamente que monitorar os hóspedes não faz parte de suas atribuições, quando na realidade é sua responsabilidade monitorar quem entra, acompanhar seu comportamento e relatar qualquer descumprimento das regras.
“Infelizmente, existem muitos prédios onde os administradores dizem: ‘Isso não é da minha alçada’. Nós conscientizamos as pessoas e explicamos que se trata de um prédio onde aluguéis de curta duração são permitidos, e que não se trata apenas de ficar sentado no saguão. É preciso seguir este protocolo: pedir que os hóspedes registrem a entrada e, se relatarem dois hóspedes e você perceber que há mais, notifique-os imediatamente. Isso evitaria muitos problemas”, comentou.
Ele alerta que, sem protocolos, é difícil impedir casos de prostituição
O corretor imobiliário fez referência a um dos tópicos discutidos no episódio anterior, que abordava casos de prostituição em apartamentos alugados por temporada.
Ele explicou que isso é algo que “pode acontecer”, observando que situações semelhantes também foram registradas com inquilinos de longa data, cuja origem, segundo ele, geralmente se deve à falta de controle exercida pela administração do condomínio.
“Se não houver controle por parte da recepção, proibindo a entrada ou informando o que está acontecendo, é muito difícil ter controle total”, alertou ele.
Em relação aos procedimentos para lidar com esses casos, ele explicou que contatam as plataformas para relatar o incidente e elaborar um relatório. Posteriormente, ambas as partes são ouvidas e, uma vez confirmada a situação, o hóspede é solicitado a se retirar.
“Em última análise, não estamos aqui para causar dores de cabeça, mas sim para garantir boas acomodações para o hóspede e assegurar que o proprietário continue a receber o fluxo de caixa esperado
Contratos de arrendamento de curto prazo: um modelo que promove a economia circular
Os benefícios do alojamento de curta duração são inúmeros: beneficiam não só o proprietário do imóvel, como também todo o ambiente envolvente.
Ele explicou que esse tipo de aluguel, ao contrário dos hotéis com tudo incluído, incentiva as pessoas a se deslocarem pela cidade e gastarem dinheiro em restaurantes, supermercados, cafés e outros estabelecimentos comerciais da região, tornando-se uma forma de "economia circular" em setores específicos do país.
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