“Nenhuma coluna deve ser removida sem que um engenheiro estrutural avalie e recomende o reforço adequado para sua substituição.” – Engenheiro Wilson Encarnación.
SANTO DOMINGO – Engenheiros estruturais avaliaram o relatório apresentado sobre o desabamento do telhado da boate Jet Set como tecnicamente sólido, concordando que se tratava de uma investigação científica rigorosa.
A presidente da Sociedade Dominicana de Engenheiros Estruturais (Sinedom), Maribel Guzmán, e o engenheiro estrutural Wilson Encarnación, entrevistados pelo El Inmobiliario, destacaram que o documento oficial oferece uma base técnica sólida.
Guzmán definiu o relatório como produto de pesquisa científica rigorosa, embora tenha esclarecido que se trata de um documento preliminar, observando, no entanto, que "faltam certos dados, como propriedades dos materiais e uma análise mais completa da estrutura, uma vez que o presente relatório se concentra apenas em alguns elementos críticos", salientou.
Por sua vez, Encarnación afirmou que o relatório é “muito abrangente”, endossando também suas principais conclusões. “Concordo plenamente que as quatro camadas de 37,5 cm de agregado fino contribuíram para que a carga em uma das vigas excedesse em aproximadamente 21% sua capacidade nominal, como indica o relatório”, declarou.
Ambos os profissionais expressaram concordância com o que foi revelado no relatório, que apontou a sobrecarga como uma das principais causas do desabamento do telhado, ocorrido nas primeiras horas do dia 8 de abril, deixando 236 mortos e mais de 180 feridos.
“Com base na nossa experiência, identificamos a sobrecarga como a principal causa. As análises, tanto as do relatório quanto as que realizamos independentemente, mostram que as cargas aplicadas excederam a capacidade dos elementos estruturais e da estrutura como um todo”, destacou Guzmán.
Encarnación também abordou a remoção de uma coluna estrutural do edifício, enfatizando que todas as colunas são essenciais, tanto para suportar cargas verticais quanto para proporcionar rigidez lateral contra terremotos ou ventos fortes. "Nenhuma coluna deve ser removida sem que um engenheiro estrutural a avalie e recomende o reforço adequado para sua substituição", afirmou.
Ele também observou que os vazamentos prolongados registrados no prédio deterioraram progressivamente o aço de reforço, comprometendo sua resistência ao longo do tempo.
Ambos os profissionais concordaram que os vazamentos de água e a remoção de uma coluna enfraqueceram a estrutura. No entanto, enfatizaram que a causa determinante foi a sobrecarga na laje da cobertura, que excedeu a capacidade dos elementos estruturais.
Sobre a possibilidade de o desabamento ter sido evitado, Maribel Guzmán explicou que, se tivesse sido realizado um levantamento técnico adequado da estrutura, teria sido determinado se seria prudente instalar novos equipamentos e se a remoção da coluna seria a solução mais eficaz. Ela afirmou que não era necessário demolir toda a estrutura. "Ela poderia ter sido reforçada; a estrutura não estava em estado crítico", acrescentou.
Por fim, Encarnación observou que na República Dominicana não existe uma cultura de avaliações periódicas de edifícios, o que impede a detecção oportuna de vulnerabilidades. “Ninguém realiza estudos de vulnerabilidade porque ou desconhecem ou simplesmente não estão habituados a fazê-lo. As estruturas devem ser avaliadas a cada três a cinco anos, especialmente se forem espaços com alta concentração de pessoas”, concluiu.




