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Comprar um imóvel na República Dominicana sendo estrangeiro: o que um advogado recomenda antes de investir

SANTO DOMINGO – Comprar uma casa de praia, adquirir um apartamento para aluguel turístico ou investir em um empreendimento residencial são decisões que atraem cada vez mais compradores estrangeiros para a República Dominicana. No entanto, por trás do que pode parecer uma transação simples, existe um processo legal que, segundo especialistas, é crucial para a proteção do investimento.

Embora muitos potenciais compradores desconheçam a extensão de seus direitos no mercado dominicano, a legislação permite que um estrangeiro adquira imóveis em condições muito semelhantes às de um cidadão nacional.

O advogado Massiel Martínez explica que um estrangeiro pode comprar apartamentos, moradias, terrenos e imóveis comerciais, registrá-los em seu nome ou em nome de uma empresa, alugá-los, vendê-los e até mesmo acessar financiamento local em determinadas instituições financeiras.

"Na República Dominicana, um estrangeiro pode comprar um imóvel com os mesmos direitos que um cidadão dominicano", destaca o profissional.

Segurança jurídica como ponto de partida

Além do apelo turístico e do crescimento do setor imobiliário, Martínez acredita que um dos principais elementos que favorecem o investimento estrangeiro é a segurança jurídica oferecida pelo sistema de registro dominicano.

Ele explica que o país opera sob o sistema Torrens, um modelo através do qual o Estado garante os direitos registrados sobre bens imóveis.

Isso significa que um imóvel devidamente regularizado e registrado possui um Certificado de Título emitido pelo Estado Dominicano, um documento que comprova a propriedade e oferece maior segurança a quem realiza um investimento.

O especialista entende que essa estrutura legal constitui uma das ferramentas mais importantes para gerar confiança entre compradores locais e internacionais.

Os documentos que geralmente são solicitados

O processo de compra geralmente começa com a apresentação de um passaporte válido. No entanto, a documentação exigida pode variar dependendo do tipo de transação e das exigências das instituições financeiras envolvidas.

Entre os documentos frequentemente solicitados estão extratos bancários, comprovantes de renda, declarações de imposto de renda, cartas de emprego e certidões relativas ao estado civil do comprador.

Além disso, existem os procedimentos estabelecidos pela legislação para a prevenção da lavagem de dinheiro, que exigem a verificação da origem dos fundos utilizados na transação.

Segundo Martínez, esses mecanismos fazem parte dos controles habituais nas operações imobiliárias e visam garantir a transparência dos investimentos.

Quando a emoção supera a verificação

Apesar das garantias oferecidas pelo sistema, o especialista identifica um erro que se repete frequentemente entre alguns investidores estrangeiros.

"O erro mais comum é se apaixonar pelo imóvel antes de verificar os aspectos legais", afirma.

Segundo o profissional da área jurídica, por vezes os compradores focam-se na localização, no design ou no potencial de rentabilidade do imóvel e deixam de lado aspetos que podem ser decisivos para a segurança da transação.

Entre as situações que recomenda analisar estão a existência de hipotecas, ônus, processos judiciais, restrições de uso ou qualquer outra condição que possa afetar o imóvel.

O texto também observa que alguns investidores aceleram suas decisões por medo de perder oportunidades de mercado, reduzindo o tempo gasto em verificações legais prévias.

Segundo Martínez, um investimento imobiliário deve ser baseado em informações verificáveis ​​e não apenas em expectativas comerciais.

A revisão que deve ser feita antes da assinatura

Antes de efetuar qualquer pagamento ou formalizar qualquer acordo, o profissional recomenda realizar uma due diligence completa do imóvel.

O processo inclui a verificação da identidade do proprietário, a análise da Certidão de Matrícula do Imóvel e a solicitação de uma certidão de regularidade legal para confirmar que o imóvel não está sujeito a ônus, gravames ou disputas judiciais.

Recomenda-se também verificar se as obrigações fiscais relativas ao imóvel estão em dia.

No que diz respeito a projetos em construção, entende-se que a análise deve abranger as licenças correspondentes, o histórico da construtora e as condições contratuais relativas a pagamentos, prazos de entrega e possíveis penalidades.

Na opinião dele, essas verificações reduzem os riscos e oferecem ao comprador uma visão mais clara da transação que está realizando.

O papel do advogado na transação

Martínez acredita que a participação de um advogado não deve se limitar à elaboração ou revisão de contratos.

Ele explica que sua função consiste em acompanhar todo o processo de compra, verificar a situação legal do imóvel, identificar possíveis riscos e supervisionar a documentação necessária até o registro final da propriedade.

"Especialmente para um estrangeiro que não está familiarizado com as leis e procedimentos locais, ter aconselhamento jurídico independente proporciona tranquilidade e evita erros potencialmente dispendiosos", argumenta ele.

Segundo o especialista, o apoio profissional torna-se ainda mais valioso quando o comprador faz o investimento do exterior ou tem conhecimento limitado de como funciona o mercado imobiliário dominicano.

Investir com informação

A República Dominicana continua a consolidar sua posição como um dos destinos mais atraentes para investimento imobiliário na região. No entanto, Martínez entende que o sucesso de uma compra depende tanto da qualidade do imóvel quanto das informações disponíveis antes da finalização da transação.

Portanto, recomenda-se que os compradores estrangeiros se cerquem, desde o início, de profissionais de confiança, incluindo agentes imobiliários e consultores jurídicos independentes.

"A emoção nunca deve substituir a verificação legal", enfatiza ele.

Na opinião dele, uma decisão embasada em análises, documentação e assessoria especializada permite que um investimento imobiliário se torne uma ferramenta para o crescimento patrimonial e não uma fonte de conflitos futuros.

"Um bom imóvel pode gerar riqueza, rentabilidade e tranquilidade; mas uma má decisão pode se tornar um problema. É por isso que a chave será sempre comprar com informação, aconselhamento e segurança jurídica", conclui ele.

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Luisa Saldaña
Luisa Saldaña
Jornalista com experiência em mídia digital e impressa. Estudante de Direito com interesse em desenvolvimento econômico e questões que conectam negócios, cidade e sociedade. Para mim, escrever é uma forma de investigar e compreender o mundo ao nosso redor.
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