Por Francisco Tavárez
Especial para El Immobiliario
A República Dominicana teve um desempenho notável na atração de capital estrangeiro no último ano. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) atingiu o recorde de US$ 5.032,3 milhões, um aumento de 11,3% em comparação com 2015, segundo dados preliminares do Banco Central da República Dominicana. Esse resultado consolida a posição do país como principal receptor de IED na América Central e no Caribe.
Desse total, o setor imobiliário capturou expressivos 15,7%, equivalentes a US$ 790 milhões, enquanto o setor de turismo representou 26,3% do total, confirmando que o setor imobiliário dominicano é um ímã para investidores estrangeiros.
No entanto, o país enfrenta alguns desafios ocultos por trás dos fluxos recordes de IED (Investimento Estrangeiro Direto), o que exige a correção de distorções e o enfrentamento de uma série de obstáculos que podem surgir mais cedo ou mais tarde em um cenário internacional turbulento, imprevisível e instável como o atual.
Por um lado, o quadro legal é sólido no papel: a Lei 16-95 garante a repatriação gratuita e os incentivos da CONFOTUR (Lei 158-01) oferecem prorrogações fiscais de até 15 anos. Mas, na prática, os investidores enfrentam burocracia lenta, autorizações discricionárias e falta de previsibilidade nos critérios tributários.
O capital sofisticado não se esquiva das regras; ele "fuge da incerteza". Um projeto pode ser lucrativo, mas se os procedimentos se arrastarem ou a interpretação tributária mudar no meio do projeto, o risco desestimula novos investimentos. Além disso, muitos estrangeiros descobrem tarde demais que os lucros locais podem ser anulados pelas autoridades fiscais de seus países de origem se não estruturarem seus investimentos adequadamente, levando em consideração fatores cruciais como a dupla tributação.
Roteiro para dar o salto
Para que o país ultrapasse consistentemente a marca de US$ 5 bilhões e consolide sua liderança, o governo e o setor privado devem agir de duas maneiras: simplificar e digitalizar os processos, criando um sistema centralizado e eficiente para a obtenção de alvarás de construção e acesso a incentivos. Os investidores não devem ter que lidar com diversas instituições, nem se submeter a um processo de licenciamento que desestimula e dificulta o crescimento dos investimentos.
Além disso, é crucial que a regulamentação tributária seja estável e previsível, com regras claras e mecanismos de consulta vinculativos em relação às estruturas de investimento (trusts, empresas offshore). Os investidores precisam de segurança para os próximos 20 anos em termos de cenário de investimento.
Redefinir e modernizar os incentivos, ampliando os benefícios do CONFOTUR, incluindo iniciativas para habitação acessível e regeneração urbana.
A melhoria da transparência e da profissionalização por meio da adoção de padrões internacionais é fundamental, assim como o incentivo a esforços para combater a informalidade no mercado de trabalho. Na área tributária, o aconselhamento especializado é importante para orientar os investimentos, considerando a dupla tributação na fonte. Por fim, a participação em fóruns de diálogo para a elaboração conjunta de soluções de políticas públicas abre caminho para a colaboração e a cooperação público-privada.
Com menos burocracia e maior eficiência tributária, o próximo salto (rumo a US$ 7 bilhões) está ao nosso alcance. A questão crucial é: continuaremos a atrair investimentos apesar do sistema, ou os atrairemos por causa dele?
Este artigo foi originalmente publicado na edição impressa de El Inmobiliario , número 14.
Leituras recomendadas:
- A escassez de capital humano pode dificultar o investimento estrangeiro, alerta especialista
- A República Dominicana atinge um recorde de US$ 5,032 bilhões em investimento estrangeiro direto em 2025
- Em nome de quem você compra um imóvel na República Dominicana? Essa decisão pode custar aos investidores estrangeiros mais do que eles imaginam


