A equipe jurídica dos réus apresentou novos documentos na segunda-feira, o que levou o tribunal a adiar o processo pela terceira vez
SANTO DOMINGO – Desde o início da audiência preliminar do caso relacionado ao desabamento da boate Jet Set, realizada nesta segunda-feira, 16 de agosto, advogados e analistas jurídicos alertaram para a grande possibilidade de adiamento do processo. E foi exatamente o que aconteceu.
A audiência ocorreu no Palácio da Justiça em Ciudad Nueva e foi presidida pelo juiz Raymond Mejía, responsável pela fase preliminar do processo contra os irmãos Maribel e Antonio Espaillat, proprietários do estabelecimento cujo desabamento deixou mais de 200 mortos e mais de 180 feridos.
Ao chegarem ao tribunal, os réus foram recebidos com gritos e expressões de indignação por parte das pessoas que estavam do lado de fora do Palácio da Justiça, que os insultavam chamando-os de "ladrões" e "assassinos", em meio à revolta gerada pela tragédia que mergulhou toda a sociedade dominicana em luto.
Eles alegam falta de documentos
Especialistas jurídicos explicaram que o possível adiamento estava relacionado à entrega tardia de documentos pela equipe jurídica dos réus.
Segundo o advogado Jean Carlos Martínez, a defesa apresentou memoriais e outros argumentos jurídicos praticamente no prazo final, o que significou que esses documentos tiveram que ser apresentados logo no início da audiência. Essa situação, de acordo com os representantes dos autores, os impediu de analisar adequadamente o material antes de prosseguir com o caso.
Além disso, a defesa apresentou um novo arquivo digital de 64 GB, do qual os representantes legais das vítimas foram notificados na ocasião.
Também foi relatado que nem todos os demandantes receberam a acusação completa do Ministério Público e que alguns dos que foram notificados alegam não ter o processo completo.
Diferentes estratégias processuais
Por sua vez, o advogado Félix Portes salientou que a condução do caso pelo Ministério Público (MP) incluiu estratégias processuais diferentes das aplicadas em outros casos de grande repercussão, e observou que até o momento não houve apreensão de bens econômicos ligados aos réus.
Após o anúncio do adiamento, representantes do movimento das vítimas no caso Jet Set reiteraram que continuarão exigindo justiça.
“Permaneceremos firmes até o fim, até que haja justiça”, expressaram durante uma transmissão ao vivo pela conta digital Somos Pueblo.
Ao término da audiência, alguns familiares das vítimas declararam que não estão dispostos a negociar qualquer tipo de acordo no processo judicial. Indicaram que sua única exigência é que a justiça seja feita pelo ocorrido, afirmando que "a vida de nossos entes queridos não tem preço".
Com a decisão tomada nesta segunda-feira, a audiência preliminar do caso foi adiada pela terceira vez, sendo remarcada para 6 de abril.
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