SANTO DOMINGO– A nova presidente da Associação de Mulheres Profissionais Proprietárias de Micro, Pequenas e Médias Empresas do Setor da Construção (Mupymecon), Joselin Rodríguez, afirmou que as mulheres têm a preparação e as capacidades necessárias para participar em projetos de infraestruturas e obras públicas, mas enfrentam uma fraca participação nos processos de concursos públicos.
Rodríguez fez a proposta durante a cerimónia de tomada de posse da nova direção da Mupymecon para o mandato de 2026-2028, realizada no Colégio de Notários, onde apresentou também parte da agenda que irá promover durante o seu mandato.
A dirigente salientou que, apesar dos progressos alcançados na incorporação das mulheres no setor da construção, as empresas lideradas por profissionais e empreendedoras apresentam ainda uma reduzida participação nos processos de oferta e procura de obras públicas.
“Temos tido uma participação muito baixa nos processos de concurso e de concurso para projetos de construção. E na área dos concursos, estamos praticamente a 1% em comparação com as grandes empresas”, explicou Rodríguez.
A presidente da Mupymecon considerou que alargar a participação das micro, pequenas e médias empresas (MPME) lideradas por mulheres pode contribuir para diversificar a oferta de negócio e aproveitar a maior capacidade técnica dentro do setor da construção.
Profissionais preparados para assumir projetos
Rodríguez salientou que os membros da associação têm formação e experiência especializadas para participar tanto na execução de obras como em trabalhos de consultoria e supervisão de projetos.
“Os nossos técnicos têm mestrado, pós-graduação e doutoramento. Ou seja, é uma força que está presente, silenciosa, mas pronta para apoiar o setor da construção”, disse.
A mesma acrescentou que estes profissionais podem contribuir não só para os processos de construção, mas também em áreas de consultoria e assessoria técnica.
“Se nos for dada a oportunidade, podemos fazer o trabalho e estamos prontos e preparados para o fazer”, disse ela.
A Mupymecon vai criar um observatório de compras e contratos
No âmbito da nova administração, Rodríguez anunciou a criação de um pequeno observatório que irá monitorizar os processos de concurso e contratação pública relacionados com o setor.
A iniciativa inclui o acompanhamento da distribuição dos contratos, a revisão dos termos e condições publicados pelas instituições e o apoio às mulheres empresárias interessadas em participar em concursos.
O objetivo será também orientar as mulheres empreendedoras que ainda não estão registadas na categoria de micro, pequenas e médias empresas (MPME) de propriedade feminina, bem como aquelas que necessitam de formação para lidar com os procedimentos de licitação e contratação pública.
“Vamos agora propor um sistema de monitorização e criar um pequeno observatório para acompanhar a distribuição de compras e contratos, verificar os documentos de concurso em cada instituição, analisá-los e apoiar os nossos membros”, explicou Rodríguez.
Competência baseada nas capacidades profissionais
A presidente cessante da Mupymecon, Erminda Decena, reconheceu que as diferenças entre homens e mulheres persistem na indústria da construção, um sector que tem tido, historicamente, uma maior presença masculina.
No entanto, ela defendeu que a incorporação das mulheres deveria ser abordada na perspectiva da preparação profissional e da procura de oportunidades, em vez de uma confrontação entre géneros.
Decena salientou ainda que a associação recebeu contributos significativos de homens ligados ao sector, pelo que considerou necessário demonstrar as competências profissionais das mulheres para ganhar mais terreno.
“Não se trata de uma luta corpo a corpo ou titânica. É uma busca por espaço, e estamos preparados para essa competição; é disso que se trata, competir com base no conhecimento que temos”, afirmou ela.
Uma agenda com impacto na construção e nas infraestruturas
A nova direção da Mupymecon assumiu o cargo para o período 2026-2028 com o desafio de reforçar a participação das mulheres empreendedoras no mercado da construção civil, sobretudo em projetos financiados com recursos públicos.
Para Rodríguez, facilitar o acesso aos processos de concurso, melhorar o apoio técnico e monitorizar as oportunidades de contratação são passos necessários para garantir que as micro, pequenas e médias empresas lideradas por mulheres têm uma maior presença na execução de obras.
A associação está, por isso, empenhada em transformar a formação profissional dos seus membros numa participação mais efetiva no setor da construção e, por extensão, em projetos de infraestruturas que impactam o desenvolvimento imobiliário do país.
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