De acordo com o ROE 2026-1, a ausência de postos de carregamento nos parques de estacionamento é a exceção, e não a regra, nos novos projetos considerados de luxo no setor da construção civil em atividade em Santo Domingo
SANTO DOMINGO – Com a capital a encher-se torres de “luxoCadastro de Oferta de Edifícios (ROE) 2026-1 do Gabinete Nacional de Estatística (ONE) revela um facto que contraria a ideia de modernidade: dos 5.398projectos de construção activos que o relatório identificou na Área Metropolitana, apenas 96, ou 1,8%, incluem a instalação de postos de carregamento para veículos eléctricos.
Mas, de acordo com o gráfico 19 da página 43 do relatório, 69,3% das obras em curso não têm qualquer tipo de comodidade planeada: nem piscina (5,4%), nem ginásio (6,1%), nem sequer receção ou átrio (8,3%), o mais comum de todos.
De entre as opções consultadas pela ONE junto dos construtores, o carregador para veículos elétricos acabou por ser a comodidade menos frequente em toda a lista, de acordo com os detalhes do Anexo 17 do relatório, que especifica o número exato: 96 instalações de um total de 5.398 caracterizadas.
Não é que o país esteja a virar as costas aos veículos eléctricos, porque desde 2013 que a Lei 103-13 relativa aos incentivos à importação de veículos de energia não convencional, gerida pela Direcção-Geral dos Impostos Internos (DGII) e pela Direcção-Geral das Alfândegas, concede uma redução de 50% nos direitos e impostos de importação, incluindo a primeira matrícula, aos automóveis eléctricos e híbridos que cumpram determinadas especificações técnicas.
E o parque automóvel respondeu a este incentivo: a importação de veículos híbridos cresceu quase 55% em 2025, segundo dados recolhidos pelo jornal Diario Libre, enquanto a Comissão Nacional de Energia (CNE) contabilizou, no seu Diagnóstico Energético de 2023, 373 postos de carregamento públicos no país, concentrados sobretudo na Grande Santo Domingo, Punta Cana e Santiago.
A discrepância entre uma frota crescente de veículos elétricos e híbridos, impulsionada pelos incentivos fiscais, e uma nova oferta de habitação que mal considera onde os ligar às tomadas, sugere que o carregador de estacionamento, símbolo comum do marketing imobiliário considerado "Premium", continua a ser a exceção, e não a regra, na construção civil ativa em Santo Domingo, de acordo com os dados recolhidos no ROE 2026-1.
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