Organização de turismo ambiental alerta que “praia privada” viola a Constituição Dominicana.

Ambientalistas alertam que “praia privada” viola a Constituição Dominicana

SANTO DOMINGO – O ambientalista Luis Carvajal, membro da Comissão de Meio Ambiente da Universidade Autônoma de Santo Domingo (UASD), alertou que qualquer menção a “praia privada” em projetos turísticos constitui uma violação direta da Constituição da República e da legislação ambiental vigente.

O comunicado de imprensa que anuncia a abertura do renovado Santo Domingo Bay Convention Resort & Casino em Boca Chica afirma claramente que entre suas atrações está uma "praia privativa", conforme noticiado pela imprensa local que cobriu a cerimônia de inauguração.


Carvajal explicou que a lei dominicana estabelece claramente o caráter público das praias e da faixa costeira. "É importante saber que qualquer termo que se refira a uma praia como privada constitui uma violação da Constituição da República, da Lei 305-68 e da Lei Ambiental 64-00", afirmou.


O ambientalista especificou que tanto a Constituição quanto as leis setoriais declaram os primeiros 60 metros da faixa costeira inalienáveis, imprescritíveis e inapreensíveis.

“A Constituição, a Lei 305-68 e a Lei Ambiental estabelecem o caráter público obrigatório dos primeiros 60 metros da faixa costeira. São para uso aberto e público. Quando um hotel fala em praia privada, está admitindo ou revelando uma grave violação”, afirmou em declarações ao El Inmobiliario.


Carvajal alertou que a gravidade da situação aumenta quando esse tipo de declaração aparece em documentos oficiais ou comunicações institucionais. "Se isso constar em um documento público, os funcionários das instituições envolvidas no processo ficam sujeitos a sanções por violação da Constituição", afirmou.


O ambientalista foi consultado por este meio de comunicação após o comunicado de imprensa divulgado por ocasião da inauguração do Santo Domingo Bay Convention Resort & Casino, evento liderado pelo presidente Luis Abinader, que destaca uma “praia privada” entre as instalações do complexo.


Para Carvajal, esse tipo de formulação reforça uma narrativa que historicamente tenta normalizar a privatização de bens comuns.

“Nós nos opomos firmemente, tanto do ponto de vista ambiental quanto social, a qualquer tentativa de privatizar praias e litorais”, enfatizou.

As praias na República Dominicana são consideradas patrimônio público, portanto, nenhum projeto turístico pode restringir o acesso a elas ou reivindicar propriedade, mesmo que existam concessões ou autorizações para uso hoteleiro em áreas adjacentes.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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