Nos últimos anos, o nearshoring deixou de ser uma tendência e se tornou uma estratégia global de sobrevivência e competitividade.
A pandemia, as tensões geopolíticas, os problemas na cadeia de suprimentos e o aumento dos custos operacionais na Ásia forçaram muitas empresas internacionais a repensar onde produzir, operar e expandir.
Em meio a essa reorganização global, a República Dominicana começou a ganhar cada vez mais destaque nas discussões. A localização estratégica do país, sua conectividade aérea e marítima, suas zonas de livre comércio, a estabilidade macroeconômica e o crescimento do setor de serviços fizeram dele um dos mercados mais observados no Caribe e na América Latina.
Mas é aqui que surge a verdadeira questão:
Será que estamos realmente preparados para o próximo ciclo de nearshoring?
Porque atrair investimentos não depende apenas de incentivos fiscais ou baixos custos de mão de obra. Hoje, as empresas internacionais avaliam ecossistemas inteiros. E isso inclui:
– infraestrutura logística,
– disponibilidade de energia,
– talentos,
– transporte,
– escritórios corporativos,
– instalações industriais,
– telecomunicações,
– sustentabilidade,
– segurança jurídica,
– e agilidade na execução.
Já vi empresas internacionais chegarem ao país entusiasmadas com as oportunidades de mercado... e depois se surpreenderem com certas limitações operacionais que ainda precisamos melhorar.
Em alguns casos, o desafio não é encontrar espaço, mas sim encontrar o espaço certo.
Armazéns com pé-direito adequado.
Pisos industriais preparados.
Acesso logístico eficiente.
Amplo estacionamento.
Infraestrutura elétrica robusta.
Escritórios capazes de acomodar operações de alta densidade.
Porque o nearshoring moderno não se resume mais a "metros quadrados baratos". Trata-se de eficiência operacional. E isso muda completamente a conversa sobre o mercado imobiliário. Hoje, muitas empresas internacionais comparam a República Dominicana não apenas a outros mercados caribenhos, mas também a cidades e polos industriais no
México,
Costa Rica,
Colômbia
e Panamá.
O tempo é um fator.
A infraestrutura é um fator.
O talento é um fator.
A velocidade de resposta é um fator.
E é aí que o setor imobiliário desempenha um papel muito mais estratégico do que se costuma perceber. Um país pode ter uma localização geográfica excelente, mas se lhe faltar um parque empresarial e industrial preparado para absorver operações de grande escala, perde competitividade. Isto aplica-se igualmente a escritórios, logística e indústria. Curiosamente, o mercado dominicano já começou a reagir. Observamos cada vez mais:
– um maior número de promotores imobiliários institucionais,
– projetos industriais mais modernos,
– especificações técnicas melhoradas,
– uma visão ESG (Ambiental, Social e de Governança),
– parques logísticos mais sofisticados,
– e edifícios empresariais mais alinhados com as normas internacionais.
Mas ainda há um enorme potencial de crescimento. Principalmente porque muitas empresas internacionais já não estão simplesmente à procura de um local para operar. Estão à procura de mercados onde possam crescer nos próximos 10 ou 15 anos. E isso exige uma forma diferente de pensar.
Isso nos obriga a planejar a infraestrutura antes que precisemos dela.
Nos obriga a desenvolver ativos mais eficientes.
Nos obriga a elevar os padrões.
Nos obriga a profissionalizar ainda mais o mercado.
Porque o próximo ciclo de nearshoring provavelmente não será dominado pelo país mais barato, mas sim pelo país mais bem preparado.
Conclusão
A República Dominicana tem uma oportunidade histórica pela frente.
Existe demanda global.
Existe interesse internacional.
A localização estratégica existe.
Agora, o grande desafio é construir a infraestrutura, o estoque e a capacidade operacional para transformar essa oportunidade em crescimento sustentável a longo prazo. Porque a localização próxima não recompensa apenas a geografia. Recompensa o planejamento.
Leituras recomendadas:
- Nearshoring na América Latina: o que as multinacionais realmente procuram (e por que a República Dominicana está no radar global)
- República Dominicana: o ponto de conexão entre nearshoring, turismo e investimento industrial
- Santo Domingo não precisa de mais escritórios, precisa de escritórios melhores




