SANTO DOMINGO – Celulares, computadores, veículos modernos, equipamentos médicos e até mesmo sistemas de inteligência artificial têm algo em comum: dependem de semicondutores para funcionar. Trata-se de uma indústria considerada estratégica em todo o mundo, e a República Dominicana busca se consolidar como um novo destino de investimentos.
Segundo informações fornecidas pelo Ministério da Indústria, Comércio e Pequenas e Médias Empresas (MICM), empresários alemães demonstraram interesse em explorar oportunidades para a produção de semicondutores no país, possibilidade que será abordada em reuniões que o Ministro Víctor "Yayo" Sanz Lovatón realizará em breve na Alemanha.
Segundo o funcionário, a reunião terá como foco empresas interessadas em avaliar a República Dominicana como parte de suas cadeias de suprimentos para abastecer o mercado alemão com componentes eletrônicos fabricados em território dominicano.
Um setor fundamental para a economia global
De acordo com a definição fornecida pela Intel Newsroom, semicondutores são pequenos componentes eletrônicos que processam informações e controlam funções dentro de dispositivos tecnológicos. Eles são encontrados em smartphones, computadores, eletrodomésticos, veículos, sistemas médicos, redes de telecomunicações e equipamentos de inteligência artificial.
A sua importância tornou-se evidente durante a pandemia, quando a escassez global destes componentes provocou atrasos na produção de automóveis, dispositivos eletrónicos e diversos bens industriais em diferentes países.
Atualmente, a fabricação de semicondutores está concentrada principalmente em mercados asiáticos como Taiwan, China, Singapura, Coreia do Sul e Vietnã, considerados líderes mundiais neste setor.
Por que a Alemanha está de olho na República Dominicana?
Segundo declarações de Sanz Lovatón divulgadas pelo MICM, os principais mercados consumidores de semicondutores estão buscando reduzir sua dependência de cadeias de suprimentos distantes e diversificar suas fontes de abastecimento.
O funcionário observou que países como a Alemanha, os Estados Unidos e outras economias ocidentais têm demonstrado interesse em fortalecer as relações comerciais com nações consideradas aliadas e geograficamente próximas, a fim de reduzir os riscos associados a conflitos geopolíticos, tensões comerciais ou interrupções logísticas.
Nesse contexto, a República Dominicana busca alavancar sua localização estratégica, sua proximidade com a América do Norte, a estabilidade de suas zonas de livre comércio e os acordos comerciais existentes para atrair investimentos ligados à manufatura de tecnologia avançada, informou a entidade.
A aposta dominicana
O interesse no desenvolvimento deste setor faz parte de uma estratégia promovida pelo Governo através do Decreto 324-24, que declara a promoção, a inovação e o desenvolvimento da indústria de semicondutores na República Dominicana como sendo de alta prioridade nacional.
Segundo o MICM, esta iniciativa visa acelerar a transformação do aparelho produtivo nacional rumo a atividades com maior valor agregado e empregos mais especializados.
Sanz Lovatón destacou que a composição das exportações dominicanas evoluiu nos últimos anos. Ele explicou que, enquanto antes predominavam os têxteis, atualmente cerca de 35% das exportações são de dispositivos médicos e cerca de 15% de componentes eletrônicos, setores que demandam pessoal técnico mais qualificado e geram empregos com melhores salários.
O funcionário também lembrou que, meses atrás, foi apresentado um relatório sobre o ambiente de negócios para a indústria de semicondutores e microeletrônica na República Dominicana, que analisou as condições regulatórias, institucionais e de capital humano que poderiam tornar o país um destino atraente para esse tipo de investimento.
Leituras recomendadas:




